Olírio vê o ciclismo em um constante crescimento na região

Crescimento. Esporte tem conquistado novos adeptos nos últimos anos

Seja por hobby ou por competição, um dos esportes que mais cresce no Vale do Caí nos últimos anos é o ciclismo. A busca por uma atividade física saudável e o prazer em conhecer novos lugares e paisagens são os principais motivos que fazem a população da região “abraçar” o esporte. O que prova o crescimento constante do ciclismo é o número de eventos ciclísticos realizados no Vale do Caí do ano passado para cá.

Muitos ciclistas compram uma bicicleta por hobby a fim de aproveitar o tempo livre para se exercitar e visitar lugares diferentes do habitual e acabam tomando gosto pela competição, por obter resultados e se desafiar. Antigamente, a bike era muito usada como meio de transporte para trabalhar, mas hoje essa prática já não é tão comum, por mais que ainda faça parte do cotidiano de muitos trabalhadores.

Ciclista desde os dois anos de idade e proprietário de uma oficina de bicicletas em Montenegro, Marco Aurélio dos Santos, o Olírio, 46 anos, destaca o crescimento do esporte e a procura por equipamentos desde 2013. “O ciclismo cresceu muito nos últimos três, quatro anos. As vendas aumentaram em 30, 40%. Tem uma série de fatores para isso. Bike está na moda, tem a questão do meio ambiente e da saúde também”, diz.

Não tem idade para pedalar. Diariamente, crianças e idosos são vistos andando de bicicleta por aí. No entanto, Montenegro não é uma das cidades mais seguras para a prática, garante Olírio, que integra a Associação Ciclística Montenegrina (Aciclomont). “Lutamos por uma ciclovia, por mais lugares seguros para andar de bicicleta na cidade. Porém, não temos esperança de ter isso novamente por parte da Prefeitura. Como tem a faixa de pedestre que os motoristas respeitam mais, com uma ciclovia também haveria um respeito maior”, ressalta.

Para o proprietário, o aumento de eventos ciclísticos – sem fins competitivos – é um dos principais fatores para o crescimento do esporte na região. “Tem muita gente andando. Hoje, existem muitos eventos de passeios. Tem finais de semana com três eventos, um com 500 ciclistas, outro com 400 e outro com 700. Isso fez o esporte crescer muito. O pessoal gosta de conhecer lugares novos e apreciar paisagens. Competir é sempre importante, mas nem todos são competitivos, aí vão para passear”, compara.

Incentivado pelo pai a pedalar desde criança, Olírio jamais deixou o esporte de lado e hoje leva seu filho pequeno para os passeios ciclísticos da Aciclomont, que ocorrem toda quarta-feira à noite. “Procuramos ajudar o pessoal mais novo nos passeios da associação, com a sinalização e o cuidado com os carros. Em grupo, os veículos acabam respeitando mais”, salienta.

Há poucos anos, um dos acessórios mais procurados pelos ciclistas eram os cadeados. Atualmente, capacetes, bermudas, mochilas de hidratação e sinalizadores (para quem pedala à noite) são muito mais vendidos na oficina de Olírio. “As bikes melhoraram bastante. Hoje, existem equipamentos muito bons. O pessoal quer andar com segurança, já que se dispõe a pedalar. Além disso, o ciclismo só traz benefícios, fortalece a musculatura das pernas para quem joga futebol. Tenho amigos que tomavam remédio e pararam de tomar após começarem a andar de bike”, enaltece.

Campeão brasileiro entrou no ciclismo por hobby
Recentemente, o pareciense Rafael Rosa, 42 anos, sagrou-se campeão brasileiro de ciclismo na categoria Máster B1, em João Pessoa, na Paraíba. Entretanto, o atleta não ingressou no esporte com a ideia de competir em alto nível. Em 1994, Rafael foi atrás de um hobby para reduzir o nível de estresse de sua rotina, que se resumia em trabalho e casa, e achou no ciclismo seu ponto de equilíbrio.

Campeão brasileiro recentemente em João Pessoa, o pareciense Rafael Rosa considera o esporte um fenômeno nacional Foto: divulgação FGC

Três anos após iniciar no esporte, o pareciense já fazia parte da Seleção Gaúcha de Ciclismo. No entanto, ainda em 1997, ele parou de andar e ficou afastado do ciclismo por 16 anos, até que em 2013 voltou a competir em alto nível. “No início, fui atrás de um hobby, pois estava estressado com a rotina. Depois, a veia competitiva me puxou. Mas, para mim, hoje o ciclismo é um modo de vida”, afirma.

Um dos expoentes do ciclismo no Vale do Caí, Rafael enumera os motivos pelos quais acredita que as pessoas ingressam no esporte. “O ciclismo é um fenômeno nacional. Acho que por desafiar os limites, sair da rotina, criar amizades e ter o contato com a natureza. Existem também muitas provas como opções para o pessoal mais iniciante. Isso está se tornando mais que um hobby para as pessoas. É quase um vício. Passam a semana pensando nisso”, completa.

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