Para os moradores, os alagamentos são provocados pela falta de vazão da água do Arroio Montenegro. foto: defesa civil

Alagamento e perdas. Bairro Santo Antônio foi um dos mais afetados pelas fortes chuvas que atingiram a região

Socorro! Socorro! A palavra socorro ecoou pelas ruas do bairro Santo Antônio em Montenegro durante a madrugada dessa terça-feira, 16. Muitos moradores acordaram assustados com o pedido de ajuda dos vizinhos. Desta vez, não se tratou de arrombamentos ou assaltos. Foi a força da natureza que invadiu diversas residências destruindo o que encontrou pela frente. Moradores contam com o apoio de familiares para ter onde se abrigar, pois suas casas foram tomadas pela água e lama.

O trabalho dos Bombeiros e da Defesa Civil de Montenegro começou cedo. Por volta das 2h da madrugada já havia gente precisando de auxílio. Uma casa da rua General Osório, no bairro Panorama, foi uma das primeiras a ser atingida devido ao transbordamento de arroios na cidade. Passadas as horas, mais casos surgiram.

Carlos mostra a altura atingida pela água na sua casa

Na rua General Osório, no bairro Santo Antônio, as águas do Arroio Montenegro tomaram conta da via pública e das moradias. Carlos Alberto Saldanha, 41 anos, morador do número 62, relata que não ouviu o barulho da chuva. Quando se deu conta do temporal, a casa já estava cheia. “Acho que deu uns 40 centímetros de água dentro de casa. Eu nunca passei por isso. A gente tem umas coisinhas porque trabalha pra conseguir e agora vê tudo se desmanchando”, desabafa.

Na casa alugada por Wiliam dos Santos Tavares, 22 anos, móveis e eletrodomésticos sofreram os efeitos do alagamento. “Molhou tudo. Os móveis já estão descascando. A máquina de lavar ficou flutuando, provavelmente deve estar toda molhada por dentro”, conta. “Temos dois cachorros pequenos a primeira coisa que fizemos foi colocar eles na cama. Depois peguei a TV, a geladeira começou a flutuar, tive que colocar sobre o sofá”, detalha o morador.

Segundo Wiliam, em um ponto da rua, a água chegou na altura da cintura. O susto foi grande e a situação levou tempo para voltar ao normal. “Demorou muito para a água baixar, cerca de 30 minutos. “Foi assustador. Não desejo isso pra ninguém”, conclui.

Elôa Flores Leal, 65, só não passou pela mesma experiência vivida pelos vizinhos porque se preveniu com bastante antecedência. Há 30 anos, ela mora ao lado do arroio. Depois de uma década e meia no local, Elôa viu a situação se complicar e resolveu construir um muro, alto o suficiente para evitar que a água entre na sua moradia.

Estragos atingiram outras partes do município
No Centro também houve transtornos ocasionados pela forte chuva. Na esquina das ruas Santos Dumont e Capitão Porfírio, o Arroio Montenegro transbordou. Na rua Olavo Bilac, próximo a Catedral São João Batista, parte de um barranco desmoronou.

O volume de chuva também pesou sobre o terreno que parcialmente desmoronou, no Centro da cidade

Um acampamento indígena, instalado junto à RSC-287, também foi atingido. A Defesa Civil realizou atendimento e distribuiu lonas e colchões a 23 famílias. Em toda a cidade, cerca de 20 casas foram atingidas pela inundação, segundo levantamento da Defesa.

De acordo com o Departamento de Serviços Urbanos, o setor realiza limpezas sempre que ocorrem chuvas mais fortes. E, nos períodos chuvosos, monitora o Arroio Montenegro no bairro Santo Antônio e também na rua Santos Dumont, que são os pontos críticos.

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