Cerca de 20 sepulturas foram furtadas no Cemitério da Vitória, em Maratá. Foto: Edward Luis Kleinschmitt

COMUNIDADES do interior são principal alvo dos ladrões de sepulturas

Pelo menos cinco cemitérios do interior de municípios como Montenegro, Maratá, Salvador do Sul e Triunfo foram vítimas de furtos na última semana. O principal alvo dos bandidos são letras, molduras e crucifixos das sepulturas. Indignadas, famílias pedem respeito aos que partiram e punição aos malfeitores.

Por meio de mensagens em um grupo da comunidade, no WhatsApp, na tarde desse domingo, 19, o vereador de Maratá Marcos Joner, 50 anos, soube que diversas sepulturas do Cemitério Municipal da localidade de Vitória, haviam sofrido furtos. Dentre elas, os túmulos onde estão enterrados seus pais. Crucifixos, letras e até a foto do pai de Marcos foram levados.

O pedreiro e ex-vereador Raul Feiten, 58 anos, está indignado com a situação. Na manhã dessa segunda-feira, 20, ele esteve no cemitério e ficou revoltado com o desrespeito aos mortos. “Nem os animais são capazes de fazer isso. É um absurdo mexer com os falecidos. A comunidade está apavorada com isso, não somos acostumados com esse tipo de coisa. Não dá para chamar uma pessoa dessas de ser humano”, desabafa.

Conforme Raul, pelo menos 20 túmulos foram saqueados, incluindo os de seus sogros. Além do material furtado, os meliantes deixaram marcas de depredação, porta-retratos e vasos quebrados. Raul foi até a Delegacia de Polícia de Brochier para registrar ocorrência, mas devido ao período de férias do inspetor responsável pelos registros, terá de retornar nesta quarta-feira, 22. O registro será realizado em nome da comunidade.

O fato no Cemitério da Vitória não ocorreu de forma isolada. Os cemitérios católicos de Maratá, no Centro, e de Uricana, nas margens da Rodovia Transcitrus, e o da comunidade de Linha Catarina, já em Montenegro, também foram atacados. Além desses, há semanas atrás, ocorreram outros casos na localidade de Coxilha Velha, em de Triunfo, e em Campestre em Salvador do Sul. O Cemitério Municipal de Montenegro não sofreu furtos, nesse final de semana.

Conforme o delegado regional Marcelo Farias Pereira, a investigação sobre cada caso ocorre sob responsabilidade das respectivas delegacias das cidades onde há denúncias. Paulo Ricardo Costa, delegado que atualmente responde pela 1ª Delegacia de Polícia Civil de Montenegro, DPPA e outras três delegacias de municípios da região, informa que a Polícia está ciente dos fatos ocorridos no interior.

A suspeita é de que os crimes tenham sido cometidos por usuários de drogas, que vendem os objetos de metal para custear o vício. “A partir desses registros a Polícia começa a investigar os fatos. Mas há uma dificuldade quanto a autoria, porque a ação é pulverizada, trata também de cuidar dos receptadores”, comenta o delegado Paulo.

Paulo orienta a contratação de “seguranças”, pelo menos para o período da noite. “Não é de hoje que isso acontece. É algo que demanda do Estado a repressão, mas com um pouco de cuidado por parte dos responsáveis. Com isso, acredito que no mínimo seria inibido o tipo de delito”. Os letreiros mais antigos, em bronze, são os que mais chamam a atenção dos ladrões, mesmo assim, os demais materiais também são furtados.

Fotos, molduras e cruzes em metal foram levadas pelos ladrões. Foto: arquivo pessoal de Raul Feiten

Relembre outros casos
Duas sepulturas do Cemitério Evangélico de Montenegro foram vandalizadas entre os feriados de Natal e Ano Novo. Como não há câmeras de segurança no local, não é possível precisar quando o fato ocorreu, tampouco identificar suspeitos.

No mês de dezembro, uma cruz de ferro foi furtada do Espaço Litúrgico do Cemitério Evangélico. O objeto foi adquirido por meio da colaboração de pessoas e empresas que realizaram doações. O valor da peça é estimado em cerca de R$ 470,00. O espaço havia sido inaugurado no dia 2 de novembro.

No dia 30 de outubro do ano passado, o cemitério da comunidade de Linha São Francisco, no município de Salvador do Sul, também foi vítima desse mesmo tipo de ação criminosa.

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