Tanto Alma quanto Elisabeth acreditam que o uso do celular em sala de aula deve ser controlado ou mantido em proibição

E aí professor, será que seria possível usar o celular como recurso pedagógico em sala de aula? E os alunos, usariam com prudência e responsabilidade? Essa tecnologia é um recurso que está incorporado à rotina de muitos brasileiros, que também usam a ferramenta para sanar suas dúvidas. Para o professor, com um planejamento bem elaborado e com objetivos claros e definidos, esse recurso tende a potencializar ainda mais avanços na aprendizagem. No entanto, é preciso aprender a ter o celular como um auxiliador nas tarefas.

A Cetic (Centro Regional para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação) apresentou e confirmou em sua última pesquisa, TIC Kids Online Brasil, a tendência de crescimento no uso de dispositivos móveis por crianças e adolescentes para acessar a Internet. Em 2016, 91% (22 milhões) acessaram a Internet pelo celular. Recentemente a Fundação Getúlio Vargas (FGV) também divulgou uma pesquisa revelando a estimativa de que no Brasil, até o final de 2017, haverá um smartphone por habitante.

Katiele acredita que o uso do celular em sala de aula seria um avanço na produção das atividades

Para a aluna do 3º ano do ensino médio Katiele da Silveira de Oliveira, de 20 anos, o uso do celular em sala de aula seria um avanço na produção das atividades. Ela confessa que, em muitas vezes, sente vontade de usar o aparelho em aula pela agilidade que oferece. “Claro que é preciso cuidar as fontes das respostas, mas é muito mais prático. Quando vamos fazer trabalhos de casa, podemos usar, então na verdade não vejo a necessidade da proibição do uso em sala de aula”, comenta.

Entretanto ela confessa que as mensagens de amigos e as notificações de aplicativos podem sim atrapalhar na concentração em sala de aula. Para as pesquisas, a opção de modo avião não pode ser atividade, pois é necessário o uso de internet, e com isso, todas as informações continuam aparecendo na tela. “Com isso, as pesquisas nos livros ajudam bastante, pois não há distrações. Mas isso também vai da dedicação de cada um. Eu não costumo olhar as mensagens se estou fazendo trabalho escolar, mas que tenho vontade de olhar, isso sim”, diz.

Nathan acredita que a proibição do aparelho nas aulas dificulta o acesso às informações

Para o estudante Nathan de Souza, de 17 anos, do 3º ano do ensino médio, o uso do celular em sala de aula seria uma evolução. Ele ressalta que atualmente muitos aplicativos facilitam a busca dos conteúdos e há aplicativos que podem favorecer no aprendizado. “Só que tem que saber utilizar. Em sala de aula seria para as pesquisas e atividades da aula e no intervalo, o acesso pessoal”, comenta.

Nathan acredita que a proibição do aparelho nas aulas dificulta o acesso às informações. Ele observa ainda que alguns professores indicam o uso do aparelho para atividades extra-classe e que se torna fácil e agradável de realizá-los. “Essa uma ferramenta que a gente tem em mãos e usa bastante, então fazer um trabalho escolar ou estudar algum assunto por meio do celular não é algo ruim. Até é melhor”, opina.

Professores afirmam que é necessário ter controle
Professora há 36 anos, Elisabeth Marx Bellina, de 60, afirma que o problema está no individualismo provocado pelo uso do celular. Ela aponta a escola como um local de socialização, o que é limitado com o uso de celular. “De fato o aparelho, com a internet, dá possibilidades de alcançar mais informações em menos tempo. No entanto, a escola é um lugar onde dá para contar com os alunos, professores, dá para procurar nos livros, temos outras opções”, afirma. Ela faz alguns trabalhos em que sugere o uso do celular fora de sala de aula, mas a grande maioria deles é feito e pesquisas nos livros.

Para Alma Dahlem, de 52, o uso do celular em sala de aula é desnecessário. Ela, que leciona Português, afirma que a bibliografia da escola é grande o suficiente para sanar as dúvidas dos estudantes. Além disso, os computadores com internet, que já fazem parte da realidade de muitas escolas, podem substituir a necessidade do celular. “Existe hoje a dependência do celular e esse é um problema. Nas minhas aulas eu não permito o uso, pois a escola tem a secretaria que recebe as ligações e não há necessidade para a busca do conteúdo educativo nessa ferramenta”, declara.

O que diz a lei
Em 2008 foi válida a lei estadual Nº 12.884 que proíbe a utilização de aparelhos de telefonia celular dentro das salas de aula, nos estabelecimentos de ensino do Rio Grande do Sul. Os telefones celulares deverão ser mantidos desligados, enquanto as aulas estiverem sendo ministradas. Está liberada, porém, a utilização nos intervalos e horários de recreio, fora da sala de aula, cabendo ao professor encaminhar à direção o aluno que descumprir a proibição.

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