O menino saiu correndo do pátio da casa da tia, pela rua de chão, e ingressou na rodovia . Foto:Facebook

MÃE desabafa: “Meu filho voou longe, encontrei ele desacordado no chão. Faria qualquer coisa pra estar no lugar dele”

Cassiel Gass do Bonfim, de quatro anos, morreu em Montenegro no anoitecer dessa segunda-feira, dia 21, após ter sido atropelado na ERS-124. O menino foi socorrido, pela própria mãe, Débora Cristina Cardoso, de 23 anos, que o levou até o Hospital Montenegro, mas acabou falecendo. Emocionada, Débora conta os detalhes da fatalidade e lamenta a perda irremediável.

A tragédia ocorreu no quilômetro 17 da rodovia, próximo da Estação de Tratamento de Água da Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan). Débora, que mora na localidade de Pinheiros no bairro Santo Antônio, estava visitando sua irmã. Elas estavam no portão, conversando, enquanto Cassiel, seu irmão mais novo, de dois anos, e o primo deles brincavam no pátio. “A gente estava no portão e ele passou correndo, corri atrás, mas não deu tempo de segurar”, lembra a mãe dos meninos.

Os passos de Débora não foram suficientemente rápidos para evitar o acidente. A velocidade também não ajudou o condutor do automóvel GM Onix que não conseguiu evitar o impacto. “Meu filho voou longe, encontrei ele desacordado no chão. A batida deixou uma baita marca no carro”, conta a jovem.

Débora, a irmã e o pai delas não esperaram a chegada de ajuda. Eles recolheram o garoto e partiram em busca de socorro no Hospital Montenegro. “Juntei ele desacordado, a minha irmã me ajudou, colocamos ele no carro e paramos na Polícia Rodoviária pra pedir ajuda, O rapaz disse que estava sozinho e não poderia sair de lá. Então pedimos autorização para andar rápido na via, pra levar o Cassiel ao hospital”, detalha.

Com o filho nos braços, Débora entrou na casa de saúde desesperada por socorro. “Entreguei meu filho ao médico e fiquei esperando”. Enquanto a mãe, do lado de fora da sala de atendimento médico, em prantos, rezava pela vida de Cassiel, a equipe médica fazia o possível para reanimar o pequeno. Conforme um dos integrantes do grupo, quando perceberam que não era possível fazer mais nada e que o menino havia “partido”, os servidores da saúde não seguraram a emoção. Junto ao corpo do pequeno o choro teve de ser contido, pois do outro lado da porta estava Débora. “Mais ou menos duas horas depois que chegamos lá, veio a notícia do óbito”, conta a mulher.

Por que o menino saiu correndo?
Segundo Débora, não havia motivo para o filho sair correndo da forma como o fez. “Foi espontâneo, não sei o que se passou na cabeça dele”, relata. “Se eu pudesse, faria qualquer coisa pra estar no lugar dele. Não queria ter visto aquela cena, o jeito que aconteceu”, lamenta.

Para Débora, o motorista do automóvel não tentou frear. Além disso, não está claro quem dirigia na hora da fatalidade. “Queremos que as imagens das câmeras mostrem quem realmente estava dirigindo. Quando peguei meu filho no colo, olhei para o lado e vi o cara saindo do carro. Posso estar enganada, mas acho que era ele quem estava dirigindo”, complementa.

O carro trafegava no sentido Pareci Novo/Montenegro. Segundo a Polícia, a motorista, de 30 anos, de Pareci Novo, ficou em estado de choque. Ela disse que o menino surgiu repentinamente na rodovia e não foi possível evitar o atropelamento. A PRE informa que a documentação da motorista está em dia e solicitou a liberação das imagens das câmeras do sistema de videomonitoramento ao 5º Batalhão da Brigada Militar (BPM), para tentar esclarecer a dúvida da mãe do menino. A condutora responderá por Homicídio Culposo, ou seja, quando não há intenção de matar. A motorista preferiu não se manifestar.

Cassiel completaria cinco anos neste domingo, dia 27

Saudades sem fim
Cassiel era brincalhão. Já acordava sorrindo e era um filho carinhoso. Nessa terça-feira, 22, o irmãozinho mais novo dele queria saber por que o companheiro de fuzarcas ainda não estava em casa. O menino não viu o irmão ser atropelado, mas sabe que algo aconteceu. “Pergunta do irmão, cadê Cassiel? Ele fala que o Cassiel foi no médico por que está com dodói. A gente ainda não teve coragem de contar pra ele o que aconteceu”, diz a mãe.

Para Débora é impossível curar a saudade de um filho pela presença do outro, ainda mais quando ambos são tão parecidos. “Eles são iguais, se tu olhar pra um vai lembrar do outro”, mesmo assim, é no amor do filho mais novo que ela e o marido irão buscar forças para seguir em frente.

Os primeiros de muitos dias de dor

O corpo do pequeno Cassiel foi liberado do Instituto Médico Legal, em Porto Alegre, no final da manhã dessa terça-feira. Coube ao pai, Jéferson Bonfim, o difícil papel burocrático e de acompanhar o translado até Montenegro. O velório ocorreu na residência da família. O sepultamento foi realizado às 18h30min no Cemitério Público Municipal de Montenegro.

Alegria era marca registrada do garoto que adorava brincar com o irmão mais novo

Para a família, amigos e até para quem nem mesmo conhecia o pequeno, o dia foi difícil. Contudo, para os pais a situação é, sem dúvida, pior. Estes são os primeiros de muitos dias de dor e saudades.No domingo, dia 27, quando o menino completaria seu 5º aniversário, a chama da vela do bolo de aniversário, que representa alegria e gratidão por mais um ano de vida, será substituída pela de uma tradicional vela branca, com o objetivo de pedir que o pequeno descanse em paz e que, mesmo por um breve instante, os corações de seus pais encontrem um pouco de conforto em meio ao caos.

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