Causada por bactérias, vírus ou fungos, doença pode acometer crianças e adultos. Foto: reprodução internet

Montenegro e região não possuem casos suspeitos da doença e estão com o estoque de vacinas em dia

Após São Leopoldo admitir ‘situação emergencial’ diante dos dois casos de meningite confirmados, a situação tem preocupado a população e autoridades da região metropolitana. Apesar do estado de alerta, Montenegro não possui casos suspeitos, assim como os municípios da região, porém, é preciso reforçar os cuidados necessários contra a doença.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), a meningite é uma doença caracterizada por um processo inflamatório das meninges, membranas que envolvem o cérebro. O infectologista da Santa Casa, Cláudio Stadinik, explica que trata-se de uma doença grave e endêmica que pode acometer indivíduos de qualquer idade e é causada por diversos agentes infecciosos como bactérias, vírus e fungos. “As meningites por vírus são as mais comuns, no entanto, tem baixa mortalidade. As que nos preocupam são as bacterianas, geralmente causada pelas bactérias Neisseria meningitidis (meningococo), Haemophilus influenzae tipo B e o Streptococcus pneumoniae (pneumococo)”, acrescenta o médico. “Essa bactéria normalmente gosta de colonizar as vias aéreas, pelo trato respiratório [garganta e nariz], dessa forma, ela chega no corpo através de gotículas [tosse, espirro, entre outros] de alguém já infectado.”

A enfermeira Kátia Kern, da Vigilância Epidemiológica de Montenegro, ressalta que até o momento não há ocorrência de surto de meningite na cidade, uma vez que o surto é caracterizado pela ocorrência de uma mesma doença causada pelo mesmo agente infeccioso, em um determinado tempo e espaço (ligação dos casos) e ser transmissível. “Temos disponível na rede básica de saúde, junto ao calendário de vacinas das crianças, a vacina contra o meningococo tipo C, haemophilus e pneumococo, que protegem as crianças por um tempo não superior a dois anos, ou seja, depois deste período todos somos suscetíveis”, destaca a enfermeira.

A transmissão da doença pode ocorrer em qualquer período do ano. As meningites bacterianas, por exemplo, têm maior incidência nos períodos de Inverno. Conforme o infectologista, o grupo etário de maior risco são as crianças menores de 5 anos, mas as menores de 1 anos são as mais suscetíveis. “Elas possuem um sistema imunológico ainda muito embrionário e isso faz com que a bactéria se aproveite”.

Como prevenir a meningite?
A meningite é uma doença que pode ser causada por diferentes agentes infecciosos. Para alguns destes, existem medidas de prevenção primária, tais como vacinas e quimioprofilaxia. “A vacina é o método mais custo efetivo para se prevenir e evitar meningites bacterianas”, comenta Cláudio Stadinik.

“Também é importante destacar uma boa higiene, principalmente das mãos e a manutenção a saúde em geral, pois isso faz com que diminua as chances de alguém desenvolver a doença”, salienta o médico.

Vacina é o método mais efetivo para se prevenir e evitar meningites bacterianas

As vacinas estão disponíveis na rede SUS
A vacina contra meningococo tipo C é feita nas crianças com 3,5 e 12 meses, com um reforço nos adolescentes de 11 anos a menores de 15 anos (adolescentes que nunca fizeram nenhuma dose deve fazê-la). A vacina Hib, que protege contra infecções graves causadas pelo Haemophilus influenzae tipo b, está junto na pentavalente que é dado aos 2,4 e 6 meses de idade. Já a vacina pneumococo 7 é dado aos 2 e 4 meses, com reforço aos 12 meses.

Sintomas da meningite por fungos
Os sinais e sintomas de meningite fúngica são parecidos com os causados por outros tipos de agentes etiológicos, como segue: febre, dor de cabeça, rigidez no pescoço, nausea, vomitos, fotofobia (sensibilidade à luz), e status mental alterado (confusão).

Sintomas da meningite bacteriana
Os sintomas da meningite incluem início súbito de febre, dor de cabeça e rigidez do pescoço. Muitas vezes há outros sintomas, como:
– Mal estar;
– Náusea;
– Vômito;
– Fotofobia (aumento da sensibilidade à luz);
– Status mental alterado (confusão).
Com o passar do tempo, alguns sintomas mais graves de meningite bacteriana podem aparecer, como: convulsões, delírio, tremores e coma.
Em recém-nascidos e bebês, alguns dos sintomas descritos acima podem estar ausentes ou difíceis de serem percebidos. O bebê pode ficar irritado, vomitar, alimentar-se mal ou parecer letargico ou irresponsivo a estimulos. Também podem apresentar a fontanela (moleira) protuberante ou reflexos anormais.

Sintomas da meningite viral
Os sintomas iniciais da meningite viral são semelhantes aos da meningite bacteriana. No entanto, a meningite bacteriana é geralmente mais grave.
– Febre;
– Dor de cabeça;
– Rigidez no pescoço;
– Náusea;
– Vômito;
– Falta de apetite;
– Irritabilidade;
– Sonolência ou dificuldade para acordar do sono;
– Letargia (falta de energia);
– Fotofobia (aumento da sensibilidade à luz).

Situação nas cidades da região
Brochier: há vacina em estoque e não há casos nem suspeitas
Maratá: há vacina em estoque e não há casos nem suspeitas
Pareci Novo: há vacina em estoque e não há casos nem suspeitas
São José do Sul: há vacina em estoque e não há casos nem suspeitas

Histórico em Montenegro
– 2008: 1 óbito de adulto, 52 anos, causado por meningococo tipo B;
– 2011: 2 casos confirmados em adultos causados pelo meningococo tipo B – curados – e 1 caso causado pelo meningococo tipo W que foi à óbito;
– Nos outros anos, inclusive em 2019, o município teve casos de meningites por diversas etiologias (pneumococo, vírus, fungos) com boa evolução;
– Nenhum surto desde 2003.

Onde fazer as vacinas:
– UBS Centro;
– UBS Timbaúva;
– ESF 3 – lado Delegacia;
– ESF 1- Germano Hencke.

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