Carroças passaram por alguns bairros e pelo Centro de Brochier até voltarem para a campeira do Parque da Expofesta

Evento contou com participantes de diversas cidades do Vale do Caí

No lento balanço de sua carreta puxada pelos bois Guerreiro e Barreiro, Jaime Luis da Silva, 34 anos, observou que as carreteadas são uma forma de cultivar uma tradição que vai passando de pai para filho e também de reunir amigos de longa data. Foi essa confraternização que se viu na manhã deste sábado, dia 7, em Brochier com a realização da 9ª Carreteada Natalina, promovida pelo grupo de carreteiros do Centro de Tradições Gaúchas (CTG) Rincão dos Brochier.

Jaime é presença constante nas carreteadas pela região

Entrecortando suas falas com chamados aos bois – sempre pelo nome de cada um – e puxadas nas rédeas, Jaime revelou que é morador de Brochier, mas participa do Grupo de Carreteiros Consagrados, de Sobrado, interior de Montenegro, de onde a família de sua esposa é natural. Inclusive, ele explicou que sua mulher Tatiane só não o acompanhava porque teve que trabalhar. Segundo Jaime, a participação em carreteadas é um costume. “Raramente tem mês que não tem carreteada”, comentou. Depois emendou um convite para a carreteada que seu grupo irá realizar em 18 de janeiro de 2020.

Jaime revelou que com a parelha Guerreiro e Barreiro, que tem dois anos, ele já rodou 18 quilômetros para participar de um evento em Maratá. Para viagens mais distantes, destacou o carreteiro, utiliza-se caminhão para transporte dos bois. Jaime salientou que o carro de bois também é usado para a lida na lavoura.

Apesar de todo esse amor à tradição e o carinho para com os animais, o carreteiro diz ter um medo: o fim dessa cultura. “De 10 jovens que nascem no interior, um ou dois ficam. Infelizmente isso (a tradição das carreteadas) vai se perdendo”, lamentou. No entanto, entre as 117 carroças participantes podia se ver diversos adolescentes e crianças.

E foi ainda criança que Alviro Lopes de Souza, 56 anos, teve seus primeiros contatos com o carro de bois. De Bom Jardim, interior de Montenegro, ele participou da Carreteada Natalina ao lado da esposa Ana Eromilda de Souza, 47 anos, e junto do Grupo de Carreteiro de Bom Jardim, que organizada para os dias 21 e 22 de fevereiro o seu próprio evento. “Os encontros são algo que unem, é também uma tradição”, afirmou.

Alviro e Ana têm nas carreteadas uma forma de esquecer um pouco dos problemas e se reunir com os amigos

Enquanto comandava a parelha formada por Baiano e Barroso – que tem quatro anos e é usada para puxar lenha na lida do campo e acessar pontos onde o trator não chega – ao toque de uma vara e sua mulher fazia crochê, Alviro ponderou que as carreteadas acabam sendo um momento de lazer para o homem e a mulher do campo. “Tiramos dois dias para fazer a diversão. O cara, às vezes, até esquece os problemas”, analisou. O casal, a exemplo de muitos dos participantes, chegou a Brochier na sexta-feira e planeja voltar para casa só na tarde deste sábado.

“A cada ano estamos evoluindo”, diz coordenador

Feliz com o número de 117 carroças participando da Carreteada de Natal, que faz parte da programação de Natal do Município, o coordenador do grupo de carreteiros do CTG Rincão dos Brochier, José Edemar Dichel, diz que o evento é uma forma de se manter a tradição dos antepassados que faziam tudo na base do boi e da carreta. “A cada ano estamos evoluindo, vamos tentar segurar essa tradição”, comentou. Ele salientou que a confraternização continua com almoço e, mais tarde, sorteio de um bezerro e outros prêmios. José ressaltou que a carreteada reuniu pessoas de toda a região e até de cidades mais distantes, como Tupandi e Presidente Lucena.

Além da carreteada, um evento que também lembrou a tradição foi o 10º Encontro Rico Xiru de Ternos de Reis, que também faz parte da programação de Natal de Brochier. O evento ocorreu na noite de sexta-feira, dia 6, no CTG Rincão dos Brochier, e, segundo o organizador Gustavo Castro de Deus, contou com a presença de sete ternos. “Em outros anos já teve mais (participantes)”, lamentou e observou que a queda no número de terno se dá pelo falecimento de membros dos grupos.

No entanto, em termos de público, Gustavo disse ter sido uma das melhores edições do tradicional encontro. “O pessoal da carreteada veio para a janta. Fizemos um carreteiro no tacho”, comentou.

A programação de Natal em Brochier segue na tarde de hoje com serenata no Asilo São João, às 17h, e posterior cantata de Natal pela rua principal até a Igreja Matriz, onde, às 19h, acontece uma celebração religiosa seguida do concerto Vozes Natalinas com a participação dos corais municipais e da Orquestra Municipal de Brochier.

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