vereador do PTB já comandou o legislativo montenegrino em 2017, primeiro ano do mandato

O vereador Neri de Mello Pena, do PTB, foi eleito presidente da Câmara de Montenegro na noite desta quinta-feira. É a segunda vez que “Cabelo” preside o legislativo. A primeira foi em 2017. A escolha ocorreu por seis votos a quatro. O outro candidato era Joel Kerber, do Progressistas. O novo vice-presidente é Felipe Kinn da Silva (MDB); Juarez Vieira da Silva (PTB) é o primeiro secretário e Valdeci Alves de Castro (PSB) o segundo. Esta é a primeira vez que um mesmo vereador exerce a presidência duas vezes na mesma legislatura em quase 30 anos. A última havia sido em 1989 e 1990, quando Rivo Bühler ocupou o cargo.

Na abertura da sessão, Joel lembrou que havia um acordo pelo qual, em 2020, ele deveria exercer a presidência e cobrou honradez dos colegas. Citou, inclusive, que os vereadores ligados a igrejas, como Jarez, e à Maçonaria, como Cristiano, têm no cumprimento da palavra um compromisso de vida. A Neri Pena, seu oponente, sugeriu que deveria raspar o bigode se não cumprisse o acordo.

O primeiro a responder foi Juarez. Ele disse que, em nenhum momento, foi procurado por Joel para fazer uma composição e a ingressar na sua chapa. Também ressaltou que quando o acordo foi construído, em 2016, Joel era da oposição e aproveitou a primeira oportunidade “para trocar de lado”.
Já Neri Pena, bastante exaltado, disse que, como político, Joel vem “fraquejando”. Declarou que ele não tem credibilidade para ser presidente. “O senhor apoia o governo e nem o seu prefeito queria que fosse presidente da Câmara. No máximo, vice. O senhor está sendo usado”, provocou. “E tem que ser macho para encostar no meu bigode”, disparou, ressaltando que o adversário rebaixou o debate ao fazer ataques pessoais.

Cristiano Braatz (MDB), que é maçom, lembrou que todos os integrantes da irmandade são cuidadosamente avaliados antes do ingresso e duvidou que Joel passaria por este crivo. Acrescentou que o colega, no dia da eleição, anunciou que seria oposição ao governo, o que significa que foi o primeiro a quebrar a própria palavra. O não cumprimento do acordo seria uma consequência disso. Cristiano também observou que, em sua trajetória, Joel não conseguiu despertar a confiança do grupo para ocupar a presidência.

Para Felipe Kinn (MDB) um vereador que responde a ações no Conselho de Ética não tem estatura para presidir a Câmara. Da mesma forma, afirmou que Joel não teria conseguido se manter na presidência do Progressistas e na liderança do governo, a ponto de o prefeito Kadu ter sondado outros legisladores para assumir a direção do legislativo no próximo ano.

Joel voltou à tribuna para rebater as colocações dos demais, mas seus argumentos não foram suficientes para mudar a posição dos colegas. O representante do Progressistas teve apenas o seu voto e os dos governistas Rose Almeida e Josi Paz, do PSB, e Talis Ferreira, do PR. Já o eleito Cabelo obteve o apoio de mais cinco colegas: Cristiano Braatz e Felipe Kinn da Silva (MDB), Juarez Vieira da Silva (PTB), Erico Velten (PDT) e Valdeci Alves de Castro (PSB). Oficialmente, seu mandato começa no dia 1º de janeiro.

SEM INGERÊNCIA

O prefeito Kadu Müller disse ontem que não são verdadeiras as alegações de que tentou interferir no resultado da eleição na Câmara. “Eu sempre defendo que os acordos sejam cumpridos e gostaria que o Joel, uma pessoa séria e capaz, tivesse sido eleito. Ele tem todo o nosso respeito e reconhecimento pelo apoio ao governo”, sustenta.

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