Lourdes dá aulas na rede municipal de Brochier e na estadual, em Maratá. FOTO: Arquivo Pessoal

Professores, pais e alunos se adaptam à realidade imposta pela pandemia

Um dos primeiros impactos da pandemia do coronavírus – e que segue até hoje – foi a suspensão das aulas presenciais. Na região, não foi diferente. Desde o fim de março as instituições de ensino das redes municipal, estadual e privada estão sem receber os alunos. Ainda sem uma data prevista para retornar, uma forma encontrada para não perder o ano letivo foi a realização de atividades remotas. Tal prática foi adotada por diversas cidades, inclusive Brochier.

Na Capital do Carvão Vegetal, as atividades para os alunos da rede municipal, que atende 445 alunos, são distribuídas semanalmente para os pais das crianças matriculadas numa das quatro escolas municipais, incluindo a Escola Municipal de Ensino Infantil Sapatinho de Cristal. As atividades remotas iniciaram na primeira semana de abril, sendo retroativas às duas últimas semanas de março.

A professora da turma do 4º ano da Escola Municipal de Ensino Fundamental Leonar Ricardo Bauer Lourdes, Regina Saldanha de Oliveira, 35 anos, diz que as atividades são distribuídas em arquivos semanais via WhatsApp. Caso o aluno não tenha acesso, recebe os exercícios de forma impressa. Essa entrega é feita pela secretaria municipal de Educação, Cultura, Desporto e Turismo. “Enviamos atividades na sexta-feira para todos os dias da semana seguinte”, explica.

Para Lourdes, se adaptar às aulas remotas representou um desafio. A professora teve que se organizar e rever quais conteúdos poderiam ser trabalhados. “Não é como estar presencialmente com os alunos, precisei analisar quais assuntos conseguiriam dominar sozinhos ou, no máximo, com o auxílio dos pais”, conta. “O principal desafio tem sido alcançar os alunos e não sobrecarregar os pais, principalmente os que continuam sua rotina de trabalho normal”, reforça.

A professora diz que sua turma tem sido bem participativa. “Recebo bastante imagem dos alunos realizando as atividades e dos seus respectivos cadernos”, diz. Segundo Lourdes, as fotos são enviadas no grupo da turma no aplicativo ou de forma privada. Para esclarecer dúvidas, alguns alunos realizam chamadas de vídeo, outros o fazem por meio de ligação e há ainda aqueles que enviam mensagem. Além disso, a professora relata que busca realizar chamadas em grupo para proporcionar uma forma de os colegas se reverem.

De acordo com a secretária municipal de Educação, Cultura, Desporto e Turismo de Brochier, Claudine Consuelo Bergamann Haupenthal, uma definição sobre como será a recuperação do ano letivo depende de decisão do Conselho Estadual de Educação. “Estamos aguardando a decisão do Governo do Estado e este está aguardando o retorno às aulas. A partir do momento do reinício das aulas vamos reavaliar o que poderá ser feito”, comenta.

Luana mostra suas atividades. foto: Arquivo Pessoal

Adaptações para os alunos e as famílias
Alunos e famílias também precisaram se adaptar. “Para mim não foi difícil, pois sou professora, mas meu filho teve dificuldades de adaptação”, revela Neusa Maria Lopes, 48 anos. Seu filho Vinícius Lopes da Costa, 9 anos, está no quarto ano e normalmente consegue realizar as atividades sozinho. “Às vezes preciso auxiliá-lo”, diz a mãe.

Neusa diz que ele não gosta das aulas remotas, mas faz o que é pedido. “Ele preferia ir para a escola e encontrar seus amigos”, conta. Quem também sente falta da escola é Luana Ritter, 9 anos. Filha da vendedora Fernanda Braun, 39 anos, também está no quarto ano do Ensino Fundamental. Segundo Fernanda, Luana entendeu o que motivou as aulas remotas e conta com o auxílio dos pais nas atividades. “Tivemos que nos adaptar”, comenta a mãe. Segundo ela, uma rotina de estudos tendo como duração mínima uma hora foi criada pela família.

Vinícius teve dificuldade para se adaptar. Foto: Arquivo Pessoal

Turmas e realidades diferentes
Além de trabalhar na EMEF Leonar Ricardo Bauer, a professora Lourdes também leciona no Colégio Estadual Engenheira Paulo Chaves, de Maratá. Lá, ela atua no ensino de Matemática – área na qual tem licenciatura e pós-graduação – para alunos das séries finais do Ensino Fundamental. Segundo a docente, a realidade no ensino remoto para as turmas da rede estadual é diferente da vivida na rede municipal.

“Nas séries finais temos acesso direto aos alunos, já que cada um possui um aparelho de celular”, aponta Lourdes. Por outro lado, a professora vê que trabalhar os conteúdos necessários é mais difícil. “Não podemos contar diretamente com o apoio do pais, pois eles ou não sabem ou não lembram conteúdo ou, até mesmo, não tiveram a oportunidade de estudar”, expõe.

Segundo a professora, até o momento, as atividades estão sendo enviadas pelo aplicativo WhatsApp, como acontece na rede municipal de ensino de Brochier. Com isso, os alunos esclarecem suas dúvidas por mensagem e também enviam foto das atividades para serem corrigidas. No entanto, logo isso irá mudar. A partir do dia 29 deste mês as aulas da rede estadual ocorrerão por meio de salas virtuais. “Posso dizer que estamos trabalhando muito mais agora, em casa, do que se estivéssemos indo para a escola todos os dias, mas acredito que, no momento, ainda é melhor assim: ficarmos todos em casa, preservando nosso bem maior, que é a vida”, salienta a Lourdes.

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