Maioria do Vale do Caí está na "Região Covid" 8, junto de Canoas, Sapucaia do Sul, Esteio e outros

A direção da Associação dos Municípios do Vale do Rio Caí (Amvarc) deu mais detalhes sobre a combinação dos prefeitos após a reunião online da manhã deste domingo, 21. Por cerca de uma hora, eles debateram a entrada de seus municípios na bandeira vermelha do sistema de Distanciamento Controlado do Estado, que vai impor uma série de restrições extras para controle do coronavírus. Querem uma alternativa para que o governo estadual reveja a decisão.

Segundo nota da Amvarc, um documento protocolado ainda neste domingo busca tirar os municípios do Vale do Caí da mesma região em que está Canoas, Esteio e Sapucaia do Sul, dentre outros, no sistema de bandeiras. A entidade quer mostrar que se encontra em uma realidade distinta dos municípios da Região Metropolitana no que se refere a disseminação do vírus e a disponibilidade de leitos hospitalares; e assim se tornar uma região separada e com menos restrições.

“A proposta é comprovar, mostrando a realidade dos nossos municípios, que o Vale do Caí deve ser considerado uma microrregião distinta da área de Porto Alegre e Canoas, onde a ocupação dos leitos de UTI cresceu muito. No Vale do Caí, pelo contrário, há leitos disponíveis e um sistema de saúde em condições de atender a demanda”, coloca a Associação, em nota.

Hoje, no sistema do Distanciamento Controlado, estão nessa região: Barão, Brochier, Canoas, Capela de Santana, Esteio, Harmonia, Maratá, Montenegro, Nova Santa Rita, Pareci Novo, Salvador do Sul, São José do Sul, São Pedro da Serra, São Sebastião do Caí, Sapucaia do Sul, Tabaí, Triunfo e Tupandi.

Isso porque, aos olhos do governo do Estado, há uma interdependência no atendimento em saúde entre as cidades. Lotando os leitos do Hospital Montenegro, por exemplo, os pacientes passam a ir para Canoas. Por isso que, em tese, as regras precisariam ser as mesmas nos dois locais.

Se não for acatado o pedido da Amvarc para a separação, os prefeitos ainda tem a esperança de não irem para a bandeira vermelha a partir dos dados de ocupação hospitalar. É que a região se organiza para habilitar dezesseis novos leitos de UTI já no início da semana, conforme adiantou o prefeito de Canoas, Luiz Carlos Busato. Serão dez em Canoas e seis em Esteio, o que pode dar mais “fôlego” nos indicadores para que os municípios continuem na atual bandeira laranja.

O governador Eduardo Leite vai analisar essas solicitações e decretar sua decisão – se mantém ou não a nova categoria – até o fim de segunda-feira. A bandeira atualizada vale a partir de terça.

O que indicou o governo do Estado sobre a atual formatação da região:

Os dados de atualização das bandeiras divulgados no sábado pelo governo do Estado indicam os pontos onde houve piora nos índices para a classificação dos municípios como bandeira vermelha. Eles evidenciam que a indicação para as regras mais restritivas devem-se a situação crítica das cidades que integram a região junto a maioria do Vale do Caí, mas que ficam mais próximas de Porto Alegre.

“Considerado o agravamento da macrorregião Metropolitana, na região de Canoas, os registros de hospitalizações confirmadas para Covid-19 cresceram 92% entre as duas semanas, passando de 13 para 25 hospitalizações. Este crescimento está alinhado ao ocorrido na Macrorregião Metropolitana, pois trata-se da velocidade do avanço da pandemia e dos efeitos que podem permanecer por mais semanas”, traça o governo, em nota sobre as novas categorias.

O material continua: “Da mesma forma, na região, o número de internados em UTI por Síndrome Respiratória Aguda Grave no último dia passou de 18 para 50 entre as duas semanas, um aumento expressivo. Para o indicador de internados em UTI confirmados para Covid, o crescimento foi de 70%, variando de 10 para 17. Com relação ao número de pacientes Covid-19 em leitos clínicos, o aumento foi de 155%, (de 11 para 28 internados).”

O que significa estar na bandeira vermelha

Quando uma região fica com bandeira vermelha no modelo de Distanciamento Controlado para evitar o avanço do coronavírus, é preciso verificar o que muda nesses locais nos quais o risco de contágio é considerado alto.

A bandeira vermelha, em essência, impõe restrições mais severas àquelas adotadas em áreas com bandeira laranja. Nas regiões classificadas como bandeira vermelha, somente estabelecimentos que vendem itens essenciais podem estar abertos, mantendo 50% dos trabalhadores. Os demais locais de comércio devem ficar fechados.

Restaurantes e lancherias ficam proibidos de receber clientes no local, mas podem atender em sistema de tele-entrega, drive-thru e pegue e leve. Nos shoppings, também fica permitido o acesso apenas a serviços essenciais – como farmácias, lavanderias e supermercados, que podem operar com apenas 25% dos funcionários. Fora isso, os shoppings devem permanecer fechados, sem circulação de pessoas.

As aulas devem ser mantidas de forma remota. Cursos livres devem permanecer fechados, assim como escolas de ensino infantil, fundamental e médio e universidades.

Passam a ser totalmente vedados o funcionamento de academias, missas e serviços religiosos, clubes sociais e esportivos (mesmo que com atendimento individual) e serviços de higiene pessoal – como cabeleireiro e barbeiro.

O modelo de Distanciamento Controlado está dividido em protocolos que devem ser adotados para cada atividade econômica conforme a bandeira semanal. Por isso, é preciso que os moradores de cada uma das regiões acessem o site distanciamentocontrolado.rs.gov.br para consultar os protocolos específicos de cada setor.

Todas as regiões, seja qual for a bandeira na qual está classificada, devem seguir todos os protocolos de prevenção, que incluem uso de máscara, distanciamento entre as pessoas, higienização dos ambientes e das mãos, uso de equipamento de proteção individual (EPI), afastamento de casos positivos ou suspeitos, teto de ocupação e atendimento diferenciado para grupos de risco.

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