FOTO: ARQUIVO/JORNAL IBIÁ

Vandalismo. A bagunça é causada por frequentadores da Praça dos Ferroviários que, além de perturbar o sossego da vizinhança, depredam patrimônio

Duas vidraças fora quebradas na madrugada de sábado
Foto: Arquivo pessoal

Na madrugada do último sábado, dia 3, um estabelecimento comercial localizado na rua Santos Dumont, próximo à Praça dos Ferroviários, no Centro de Montenegro, teve duas vidraças quebradas por vândalos. Os baderneiros tentaram danificar outras vitrines, mas devido à espessura dos vidros não tiveram sucesso em seu propósito. Ainda assustados e com medo de represália, a maioria dos moradores e empresários do entorno prefere não se identificar ao falar sobre o assunto. Mas, apesar do receio, eles desabafaram ao Jornal Ibiá ontem.

Iraja Lehder, 36 anos, um dos poucos a aceitar ter o nome publicado, diz que a situação vem preocupando seus pais e os demais vizinhos. Segundo ele, a bagunça realizada por alguns usuários da Praça dos Ferroviários tem ocorrido durante todos os dias da semana, mas se intensifica de sexta a domingo. No último fim de semana, a baderna teve início às 22h da sexta-feira e seguiu até as 8h da manhã seguinte.

Ao longo da madrugada, um dos grupos que frequentemente utiliza a praça acabou gerando momentos de transtorno aos moradores. Uma senhora conta que a turma era formada por moças e rapazes. Após fazer uso de álcool e drogas, eles começaram a gritar e apedrejar objetos e prédios da rua. De acordo com a mulher, os jovens gritavam que ninguém iria dormir e que a praça lhes pertencia. “A moradora de um edifício chegou a dizer para eles pararem com aquilo, mas foi pior. Eles pegaram garrafas e pedras e começaram a jogar na janela da moça”, conta a comerciante.

Nem a ação da polícia intimida os grupos
“Está ficando cada vez pior. Não adianta a polícia vir. Só a chuva é capaz de fazê-los irem embora”, afirma Iraja. Ele relata que os usuários de entorpecentes são informados quando a polícia se aproxima e escondem a droga. “Outro dia um deles chegou e disse para o grupo se ligar porque a polícia estava chegando. Não sei como eles ficam sabendo”, relata. Iraja encontrou pedras de crack escondidas entre as plantas ao realizar serviços de jardinagem na casa da mãe dele.

Além do barulho, da depredação e do consumo de drogas perto das residências existem ainda outros dois problemas. É que frequentadores da praça usam a frente das casas como sanitários e até mesmo motel. Iraja já testemunhou o ato sexual entre um casal.

Uma senhora que há 16 anos mora no local conta que já viu de tudo um pouco acontecer por lá. Ela chegou a separar brigas e volta e meia acaba sendo acordada pela discussão de casais que usam a janela da casa dela como local para discutir entre si.

A mulher acredita que reforçar o policiamento durante a madrugada pode ajudar a minimizar o problema. Já Iraja acha que só a criação de uma lei municipal, que institua um toque de recolher, poderá dar fim à bagunça.

BM propõe diálogo na busca de resolver o problema
O comandante da 1ª Companhia de Policiamento da Brigada Militar de Montenegro, Jederson Dill, ressalta que tomou conhecimento do problema enfrentado pelos moradores através do Jornal Ibiá. Segundo ele, a BM já vem realizado ações de policiamento ostensivo no local. Contudo, aumentar a rotina dessas operações é algo que precisa ser estudado com cautela, tendo em vista o déficit de policiamento na cidade.

Mesmo com baixo efetivo, o comandante está disposto a ouvir as sugestões dos moradores. Ele pede para que a comunidade o procure na sede do comando da Brigada Militar de Montenegro. A intenção é que juntos, moradores e policiais cheguem a um denominador comum sobre a questão. “Vamos planejar ações para minimizar esse problema”, assegura.

Para melhor embasar as discussões, o comandante informa que será feito um levantamento dos transtornos ocasionados no último final de semana. Até o fechamento da edição, a administração pública municipal não se manifestou sobre o caso.

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