Nascido em 1956, filho de agricultores, Paulo Azeredo ingressou na política há 30 anos, quando, em 1988, elegeu-se vereador pelo antigo PFL, atual Democratas. Em 1992, já no PDT, concorreu a prefeito pela primeira vez, mas não obteve êxito. Dois anos depois, iniciou uma sequência de cinco eleições para deputado estadual. Em 2008, Paulo disputou novamente a Prefeitura de Montenegro, mas realizou o seu sonho somente em 2012. Em 25 de maio de 2015, foi cassado pela Câmara de Vereadores. Há dois anos, mesmo concorrendo com a candidatura impugnada, ele se tornou suplente do PDT no legislativo montenegrino. Agora, mais uma vez impugnado e aguardando resultado de um recurso, tenta retornar à Assembleia Legislativa.

Jornal Ibiá – Nos últimos 30 anos, o senhor exerceu praticamente todos os cargos possíveis na política local. Por que deseja voltar à Assembleia Legislativa?
Paulo –
É um resgate, em princípio, do golpe que eu levei em Montenegro. Eu consegui vencer em Basília, estou elegível, porque todos os ministros do TSE votaram pela minha elegibilidade. O Vale do Caí só teve um deputado estadual por cinco mandatos na história e foi Paulo Azeredo. Desejo buscar a condição de representar novamente a minha terra, a minha região e o meu Estado. Para mim, é uma honra muito grande continuar trabalhando pela região.

JI – Então o senhor também está concorrendo para fazer um resgate, em função do Impeachment, em 2015?
Paulo –
É simultâneo, porque quando tu leva um golpe dessa ordem, traído por companheiros ou não, as pessoas acabam não entendendo no momento o que aconteceu. Só compreenderam os fatos depois. Os R$ 20 milhões que eu tinha em caixa gastaram açodadamente em sete meses. Andar de cabeça erguida e não aceitar o que acontece no Brasil é uma oportunidade ímpar. É muito positivo lutar pelas demandas que nós temos, seja na saúde, na segurança, na agricultura ou na travessia da Santo Antônio, que até então não aconteceu. A partir do momento que Montenegro e região não possuem um representante, todos nós perdemos.

JI – Nos seus panfletos, o senhor se apresenta como uma nova versão do Paulo Azeredo. Como é essa nova versão?
Paulo –
É que realmente tudo tu aprende na vida. Tu aprende a ser impetuoso quando necessário. Uns dizem teimoso, mas como não teimar quando tem, por exemplo, uma reforma num caminhão Mercedes Benz dos Bombeiros por R$ 80 mil e o caminhão valia R$ 40 mil? Como é que tu iria justificar isso? Tem que teimar e não fazer. Nós fizemos por bem menos que aquilo. Com mais experiência, com mais aprendizado, vamos mantendo a mesma linha. A da coerência, da idoneidade e da representatividade da nossa região e do nosso estado. Quando presidi a Comissão do Mercosul (na Assembleia Legislativa), nós tínhamos uma integração com o Brasil e com os países do Mercosul. Quando buscamos retomar a linha férrea, por exemplo, que está sucateada, parada, ela iria integrar o Brasil com o Mercosul novamente. São trabalhos que nós fizemos e participamos e temos a condição de retomar.

JI – Qual a área de Montenegro e do Vale que mais precisa de atenção?
Paulo –
A questão das cheias perdura e é fácil de solucionar. Em 1958, havia um projeto de canal extravasor, que pode não eliminar a cheia totalmente, mas reduz o nível e o tempo de cheia. Se hoje dura sete dias uma enchente, entre chegar na casa da pessoa e sair da casa, com um canal extravasor, vai reduzir pela metade. O desnível que nós temos entre o morro Mariazinha e o morro Montenegro é de quase um metro, pela ferradura que o rio faz aqui em Montenegro. Se fizer um canal reto neste trecho, elimina bastante a cheia. O videomonitoramento regional também é importante para a segurança de todos. Nós vimos em Montenegro o projeto das 13 câmeras. Sete nós colocamos e ajudou muito a elucidar algumas situações. A nossa região, nas áreas básicas, como educação, saúde e segurança, precisa de união. Tendo uma representação na Assembleia, conseguiremos vencer muitos problemas.

JI – Montenegro e o Vale do Caí possuem ainda sérios problemas de infraestrutura. As rodovias e as estradas estão esburacadas, estreitas e sem acostamento. Grande parte da produção ainda é escoada por vias sem qualquer pavimentação. Caso eleito, como pretende ajudar as comunidade a resolver esse problema?
Paulo –
Quando deputado, pleiteamos juntos a Transcitrus e lamentavelmente outros prefeitos perderam recursos. Quando prefeito, fiz um quilômetro de asfalto em Santos Reis; na rua Getúlio Vargas, em Alfama; e também no Faxinal. Estávamos com um projeto de asfaltamento até a Vendinha, em torno de 11 a 12 quilômetros, que tinha um orçamento no governo anterior de R$ 12 milhões e nós chegamos a de R$ 4,8 milhões. A nossa região, comparada com outras, ainda está privilegiada com a EGR. Sofremos lamentavelmente na travessia de Montenegro ainda, porque há soluções baratas e fáceis de fazer. A engenharia hoje permite, por exemplo, túneis cavados. Rotatórias, como fizemos próximo ao Centenário, podem ser instaladas em outros pontos. A EGR, que hoje é o órgão que está com o pedágio em Portão tem recursos e, com isso, é possível o Estado agir mais nas estradas.

JI – De que forma, como deputado estadual, o senhor pretende colaborar para que o Vale tenha mais segurança?
Paulo –
Defendemos a regionalização do policial. Um policial daqui conhece quem transita por aqui e fica mais tranquilo estando no seu habitat natural, com a sua família. A regionalização do policial faz com que ele conviva com a região que conhece, permitindo o reconhecimento das pessoas estranhas ou não que estão aqui circulando. O que nós vemos hoje – e discordamos – é pegar um policial aqui de Montenegro e levar lá para Capão da Canoa e pegar um policial de Tramandaí e trazer para Montenegro. Então, é essa valorização que queremos, tanto para polícia militar quanto para a civil, potencializando a proximidade com sua residência.

JI – Nós temos aqui uma escola de formação de soldados da Brigada, mas existem poucos alunos do Vale do Caí porque falta incentivo para formação de policiais que depois permaneçam aqui. O senhor acha que existe uma forma de mudar essa realidade?
Paulo –
No governo Collares (1991-1994), nós tínhamos 29 mil policiais. Hoje nós temos entre 15 e 16 mil. Nós temos aqui agentes penitenciários que estão dispostos a fazer a segurança dos presídios, porém nós temos policiais dentro dos presídios também, inclusive aqui em Montenegro. O policial, diferentemente do agente penitenciário, tem dois focos de visão. Ele está focando na questão mais externa, dentro do convívio de cada comunidade. Somente aí nós temos um contingente de policiais fora do contexto. Além disso, o policial se aposenta novo ainda e poderia estar reengajado no município. Nós propomos um convênio entre Estado e Município em que a municipalidade pague a metade do salário do policial, porque ele tem uma visão diferenciada em relação a nós. Com isso, nós teríamos um contingente maior de policiais. Se não tem ainda um grande interesse na região, em outras tem. De repente, a pessoa se sentiria motivada a ingressar na Polícia sabendo que depois atuaria aqui mesmo.

JI – No Vale do Caí e na Região Carbonífera, existem muitos casos de abigeato e, em nível nacional, temos uma candidatura que defende o porte de arma para o agricultor. Qual é a sua posição?
Paulo –
Neste caso, a câmera de videomonitoramento é um inibidor, mas o Estado peca em não fazer um investimento neste sentido. Fomos contra a campanha do desarmamento não só do meio rural, mas a do cidadão. Eu entendo que, no meio rural, falta uma proteção, para que os criminosos mantenham uma distância por saber que estamos armados. O direito à defesa é importante e com uma arma registrada e a pessoa treinada para o uso devido e legal, aí eu sou a favor.

JI – Quando exerceu os outros mandatos, o senhor disse que nunca havia sido chamado pelos prefeitos de Montenegro para dialogar. Como será o seu trabalho com o prefeito Kadu Müller caso eleito?
Paulo –
Nós sempre estivemos abertos para colaborar e ajudar. Buscamos ajudar o Hospital Montenegro, lançando aquela campanha “Salve o HM, o coração bate mais forte”. Conseguimos com toda a região vender mais de 20 mil camisetas, juntando mais R$ 200 mil, e, na inauguração da UTI, não nos chamaram, lamentavelmente. É uma via de duas mãos e estamos totalmente à disposição. Quando fui prefeito, nós demos a oportunidade para todos os partidos participarem. Alguns não quiseram e montaram outra linha de ação, se unindo para nos tirar dali e, mentindo, conseguiram. Mas águas passada não movem moinhos. Agora vamos para o futuro.

Acompanhe as entrevistas
Para deputado federal

– 18 de setembro – Rodrigo Corrêa

Para deputado estadual
– 19 de setembro – Chacall
– 20 de setembro – Márcio Müller
– 25 de setembro – Nei da Kombi
– 26 de setembro – Paulo Azeredo
– 27 de setembro – Waldir Kleber

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