Custos gerais e com margem de lucro razoável impedem revendas de absorver esses reajustes

Petrobras anunciou reajuste na segunda-feira e nesta terça revendas já pagam mais caro

O novo aumento no preço do gás de cozinha não demorou em chegar à ponta final da cadeia, e ao longo da semana reajustes serão aplicados nas revendas da região. A expectativa é que esse 1,04% anunciado pela Petrobras segunda-feira, dia 4, e que entra em vigor nesta terça-feira, dia 5, seja repassado ao consumidor com índices entre 0,5% e 1,4%. Apertando sua margem de lucro, o mínimo que o comércio poderá repassar será R$ 1,00.

O preço médio em botijões de 13 quilos na refinaria passou de R$ 25,07 para R$ 25,33 por unidade. O impacto ao consumidor foi calculado pelo Sindigás, que representa distribuidoras de gás no Brasil, mas salienta que aumentos dependerão de cada região de suprimento (influenciada especialmente pela variável logística). A Petrobras explicou este aumento no GLP (gás liquefeito de petróleo) afirmando apenas que segue sua “política de preços”.

Ao Ibiá, o Sindigás assinalou “que os preços do GLP são livres em todos os elos da cadeia”. Assim, não há tabelamento e, por isso, sofrem variações para cima e para baixo de maneira não uniforme. “Como o mercado tem autonomia para fixar seus preços, não é possível afirmar quanto, quando e se haverá impacto para o consumidor final”, assinalou, através de sua assessoria de imprensa.

O Sindicato aconselha que o cliente pesquise aquele revendedor que tem condições comerciais mais vantajosas antes de efetuar a compra. Já o Sindicato das Empresas Distribuidoras no Rio Grande do Sul, o Singasul, lançou nota oficial na qual afirma que não há como prever o impacto deste aumento junto aos revendedores e consumidores.

Essa corporação também lembra que o mercado é livre e as tabelas podem ser alteradas conforme os custos de cada empresa. Todavia, o Singasul tem recomendado aos seus associados que o repasse seja integral na formação da tabela de custos das revendas.

Estratégia para reduzir impacto
A maioria dos comerciantes da região ainda espera pelas distribuidoras para saber quanto virá de aumento, ainda que algumas já tenham recebido aumento no primeiro dia de vigência do preço da estatal. A Gástudo, uma distribuidora Liguigás em Montenegro, recebeu nesta terça-feira a Nota Fiscal da carga que chega nesta quarta-feira com reajuste de R$ 1,35 por botijão.

Somados aos custos gerais do setor, será inevitável repassar ao menos R$ 1,00 ao consumidor de portaria e da tele-entrega, garantiu o proprietário Dione Marcos Sabino. Ele recorda que, além do aumento da Petrobras, na sexta-feira o Governo do Estado reajustou em 47 centavos no tributo estadual Ato Cotep (ligado ao ICMS). “O mercado de GLP não consegue repassar integralmente”, comenta Sabino.

A estratégia da Gástudo será negociar algo com a distribuidora Liguigás de forma que dissolvam esse percentual, reduzindo o impacto ao cliente. Hoje o depósito, localizado na Estrada Selma Wallauer no Faxinal, vende o botijão 13 quilos por R$ 79,00 na portaria e R$ 80,00 na entrega à domicílio, sendo que esta segunda não é mais uma opção tão procurada.

Setor sente retração
Apesar de ser um artigo de alta necessidade ao cidadão, o setor de gás de cozinha registrou retração nas vendas de 2018. Conforme o Sindigás, houve queda de 1,42% no consumo de botijões de 13 kg no acumulado de janeiro até outubro de 2018 em comparação com 2017. Na análise do Sindicato, a queda se deve, muito provavelmente, a racionalização de uso dos botijões pelos consumidores.

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