Postos já repassaram aumento ao consumidor, mas reajuste terá impacto em vários segmentos da economia

Seu bolso. Litro da gasolina comum fica próximo dos R$ 4,00, nos postos de Montenegro, e preço assusta os condutores

O aumento de tributação anunciado pelo Governo Federal na última semana – foi elevada a alíquota de PIS e Cofins sobre os combustíveis – já é percebido em Montenegro. Quem foi abastecer o carro percebeu o largo reajuste. Há postos em que a gasolina comum passa dos R$4,00. Já o diesel não é comercializado abaixo dos R$3,00 em nenhum dos postos verificados pela reportagem.

O que preocupa Luiz é o impacto disso nos preços de outros produtos

Na bomba, o consumidor levou um susto ao encher o tanque durante o final de semana. Luiz Alcy de Oliveira Flores, de 75 anos, chegou no sábado a um posto localizado no centro de Montenegro acreditando que ainda compraria gasolina sem atualização de preços. Porém, tudo já havia sido alterado.

Para ele, que considera fazer pouco uso do carro, o valor na bomba não é o mais assustador. O que lhe preocupa é o resultado do ajuste no diesel nos demais produtos e serviços. “Rodo pouco. Fico apenas entre Montenegro e São Sebastião do Caí, então o impacto é menor. Mas vai subir tudo por causa disso. E desse aumento a gente não consegue fugir”, diz Flores.

Sirlei Nunes diz que aumento impactará no seu orçamento

Esse é também o receio da dona de casa Sirlei Nunes, de 51 anos. Ela não dirige, mas sente no orçamento doméstico os reajustes do combustível. E o dessa semana a assustou bastante. “É um absurdo. Isso mexe muito com o orçamento da casa”, diz a moradora do bairro Senai. Na medida do possível, eles pretendem deixar o carro em casa. “Usar menos. É o que se terá de fazer. Sempre que der, vamos usar o ônibus”, diz Sirlei.

Absurdo também foi a palavra escolhida por Silvio André da Silva, de 47 anos, para definir a situação. “Vamos pagar o pato por tudo que acontece no Brasil”, desabafa Silva. Ele tem um comércio de móveis e, a partir de agora, terá de cobrar pelas entregas, já que elas representarão muito mais em seus custos. “Não tem como segurar mais. Vou ter de cobrar o frete dos clientes. Isso impacta em tudo”, reclama ele, lembrando, ainda, que não é só a gasolina que subirá, mas tudo o que depende dela para chegar na nossa região.

Segundo o governo, somente devido a tributação, a gasolina subirá R$ 0,41 por litro. Isso representa uma tributação duplicada do que era até semana passada. A cada litro de gasolina colocado no tanque, o consumidor pagará R$ 0,89, considerando também Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), que é de R$ 0,10 por litro. Já sobre o diesel, o consumidor pagará R$ 0,46 em imposto, por litro do combustível. A equipe econômica do Governo espera que a tributação extra gere, ainda em 2017, uma receita adicional de R$ 10,4 bilhões ao Planalto.

Governo diz que “é absolutamente necessário”
Além da elevação de tributos, o Governo Federal também anunciou o corte de R$ 5,9 bilhões em gastos. Isso porque a situação das contas públicas é considerada grave. A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) permite um déficit primário de até R$ 139 bilhões em 2017 no orçamento. Porém, segundo as projeções do mercado, deverá haver R$ 148 bilhões faltando.

Com a alta de tributos de combustíveis, o governo quer elevar a arrecadação e minimizar o problema. Porém, nem assim o resolverá. Então, também pretende bloquear ainda mais os gastos públicos. Essa não é a primeira medida desse tipo. Em março, o governo já havia anunciado um corte de R$ 42,1 bilhões no orçamento de 2017, mas, depois, acabou tendo de liberar parte desses recursos.

Em uma nota oficial, assinada pelos ministros da Fazenda e do Planejamento, é afirmado pelas autoridades que “o decreto que aumenta as alíquotas de PIS/Cofins sobre combustíveis é absolutamente necessário tendo em vista a preservação do ajuste fiscal e a manutenção da trajetória de recuperação da economia brasileira”, diz o texto. Já sobre a redução das despesas, é destacado que “esse valor deverá ser compensado por receitas extraordinárias que ocorrerão ainda este ano”.

 

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