Enquanto outros setores sofrem por conta das restrições impostas pela pandemia, viveiros e floriculturas chegam a apresentar 50% de aumento no movimento
Na floricultura de Keka as suculentas são um dos tipos de plantas mais procuradas

Após sofrer com a seca, setor apresenta melhora em meio à pandemia

A seca que iniciou no final de 2019 e se alongou pelos primeiros quatro meses de 2020 representou um duro golpe para viveiros e floriculturas de Pareci Novo. A chegada da pandemia do novo coronavírus ao Vale do Caí e as restrições por ela impostas poderiam representar um novamente um baque no setor. No entanto, a pandemia trouxe mudanças de comportamentos que acabaram beneficiando aqueles que comercializaram flores e mudas.

Passando mais tempo em casa, diversas pessoas começaram a investir no seu jardim ou a plantar pomares em terrenos ociosos que possuem. Com isso, a Capital das Flores, Mudas e Frutas observou um aumento nas vendas do setor. “Os produtores estão comemorando o grande aumento nas vendas”, confirma a secretária municipal da Fazenda de Pareci Novo, Juliana Arnhold. Segundo ela, observa-se nos viveiros e floriculturas da cidade um movimento não visto há tempos.

Em 15 anos de negócio, a proprietária da Floricultura Papaléguas, Cleciane Rodrigues, a Keka, diz nunca ter vivenciado momento parecido. “Nos anos anteriores diminuiu (o movimento) e agora temos um aumento considerável”, aponta. Isso implicou no aumento de funcionários da floricultura e também na extensão do horário de trabalho interno na empresa.

Além do aumento na procura por flores para jardim e por itens de paisagismo e de decoração, Keka diz ter observado outra mudança de comportamento nos clientes. Segundo ela, em datas de celebrações como o Dia das Mães é comum o cliente levar, além da flor para a homenageada, flores para demais familiares. Há, ainda, aqueles clientes que encontraram no cultivo de plantas um novo hobby.

Como não poderia deixar de ser, nos estabelecimentos são respeitadas as regras padrões que ajudam a evitar a disseminação do novo coronavírus, principalmente com a exigência de uso de máscara.

Fim da seca também impulsiona vendas
A seca impactou nas vendas e na produção de mudas. Quando ela chegou ao fim, teve início a pandemia. Com isso, as pessoas passaram a ficar mais tempo em casa e viram seu jardim seco. Assim, tem-se o “boom” nas vendas observado por floriculturas e viveiros de Pareci Novo hoje. Essa é a lógica traçada pelo empresário Jair Henrique Calsing, sócio-proprietário da Flores Ouro Verde.

Na Flores Ouro Verde observou-se a mudança do perfil do cliente: de atendimento a atacadistas para aumento nas vendas direto ao cliente final

Segundo Jair foram seis meses difíceis – com falta de água, baixa na produção e poucas vendas – que ficam para trás. A grande busca por flores e mudas no meio da pandemia também trouxe uma mudança no perfil do cliente atendido. “(Antes) atendíamos 70% para atacados e 30% para varejo. Hoje, mudou para 60% varejo e 40% atacado”, comenta.

Na visão do empresário, isso ocorre porque Pareci Novo tornou-se um pólo conhecido de flores e mudas, atraindo clientes finais. “Há uma facilidade de encontrar quase todos os tipos de plantas (na cidade)”, observa. Ele salienta, ainda, a união entre os empresários do ramo, com uns indicando aos outros para clientes que buscam determinadas plantas.

O sócio-proprietário do Viveiro Zimmer, Bruno José Zimmer, também observou o aumento das vendas no seu empreendimento. “A cadeia produtiva está com grande demanda por quê? Porque não tem mais baile, futebol ou shopping. O pessoal tem renda e está fazendo o quê em casa? Eles pensam: ‘vamos plantar’”, analisa. Além do aumento na procura por plantas ornamentais ou de jardim, Bruno destaca a alta procura por mudas de árvores frutíferas.

Bruno Zimmer: “A cadeia produtiva está com
grande demanda”

“Há uma busca por culturas que tenham a vitamina C”, observa o empresário. Além disso, há também alta demanda por causa do alto replantio de pomares afetados pela seca. A procura é tamanha que Bruno confessa que já deixou de atender clientes por falta de mudas. “Em 40 anos nunca vi demanda tão grande”, afirma. Apesar de ainda não ter colocado “na ponta do lápis”, ele estima que teve um aumento de 50% das vendas se comparado com o mesmo período de anos anteriores.

Movimento surpreendeu os empresários do ramo
“Não esperava o aumento de venda”, confessa o proprietário da Floricultura e Bazar Amalelú, Adêmio Fell. Com mais de 40 anos no ramo, ele observa um aumento de cerca de 50% no movimento da sua loja. A surpresa – compartilhada por outros empresários do ramo – se dá por essa maior procura se registrar no meio da pandemia do novo coronavírus, que afetou diversos negócios em todo o Brasil e no mundo.

Segundo Adêmio, é comum os clientes comentarem que cansaram de ficar em casa e resolveram arrumar plantas para se ocuparem. Inclusive, ele conta que muitos não têm conhecimento em como cuidar delas e pedem por dicas sobre os cuidados necessários.
Na floricultura de Adêmio o foco é em cactos e suculentas, mas a buscar é parelha por outras plantas também. Além disso, o empresário conta que há também procura por itens de paisagismo, como vasos.

Adêmio tem nos cactos um dos seus carros-chefe, mas clientes buscam também outras plantas

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