Com cartazes e megafone aberto, ato foi democrático e construtivo

Manifestação expõe a indignação com o racismo estrutural no Brasil

O ato Vidas Negras Importam ocorreu no final da tarde dessa sexta-feira, 20, na Praça Rui Barbosa, e atraiu dezenas de pessoas em prol da reflexão de atitudes racistas na sociedade. No mesmo dia em que foi comemorado o Dia da Consciência Negra, 20 de Novembro, os gaúchos acordaram com uma notícia triste. João Alberto Silveira Freitas, de 40 anos, negro, foi espancado e morto no estacionamento de um supermercado da rede Carrefour, em Porto Alegre, na noite de quinta-feira, 19. A morte brutal remete ao assassinato de George Floyd, nos Estados Unidos, que trouxe à tona o movimento “Vidas Negras Importam”, com início em 2014.

A morte de João Alberto desencadeou diversos atos de manifestação em todo o Brasil, e Montenegro – há apenas 61km de distância da tragédia – também fez a sua parte.  Com cartazes, e em roda, o ato ocorreu pacificamente, com uma roda de discussão aberta e construtiva.

Rosemere da Silva foi uma das idealizadoras do ato

Uma das idealizadoras da manifestação, a professora Rosemere da Silva, integrante do Coletivo de Profes Negros de Montenegro, fez um apelo de consciência para quem esteve presente. “Somos descendentes de heróis, reis e rainhas, e ninguém nos contou, ninguém nos disse. Não estou aqui só pelos meus filhos, pelos meus sobrinhos ou os meus alunos, estou aqui pelas próximas gerações”, diz.

Ela lamenta que em um dia de comemoração, pleno 20 de novembro, tenha esse sentimento de tristeza pelos atos racistas, como o da morte de João Alberto. “Eu não aguento a possibilidade que os nossos filhos não podem sair na rua tranquilamente, porque é um menino negro, e daqui a pouco vai ser abordado e sofrer uma violência”, fala. Rosemere ressalta que esse não é um discurso de ódio, mas sim, de quem está cansado e deseja um país melhor e mais igual.

Também presente, a professora Monaliza Furtado, fez também um apelo a população branca, do qual faz parte. “Eu quero muito fazer um apelo a população branca, aos educadores e educadoras brancos: parem de minimizar o movimento negro. […] É preciso aprender, é preciso escutar, não é mimimi, não é exagero”, declara.

Monaliza Furtado apela para que população branca não desmereça a luta do negro

Integrante do grupo Em Negrito, Jordana Porto, relembra a morte do porto-alegrense e relata estar indignada. “Nós nos indignamos, porque quando olhamos pra morte de George Floyd, nós também nos indignamos, mas quando acontece do nosso lado a gente não se mexe. E esse ato que está acontecendo aqui hoje é de suma importância, porque hoje nós olhamos uns para os outros. Se hoje acontece ali em Porto Alegre, daqui a pouco vai estar acontecendo aqui em Montenegro, e vai ser um conhecido nosso. Eu espero do fundo do meu coração que isso não venha a acontecer”, comenta. Jordana completa que como negra e educadora segue na luta dentro das escolas por uma maior equidade da sociedade.

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