Marcos Hans adquiriu a área, em leilão, e tem grandes planos para o complexo

Projeto foi divulgado pelo investidor que adquiriu o imóvel no fim do ano passado

Supermercado, loja de móveis e eletrodomésticos, restaurantes, talvez até um parque de diversões. São muitas as possibilidades e os sonhos do investidor Marcos Hans, dono da holding que adquiriu a área de 30 hectares onde funcionava a cervejaria da Antarctica, posterior Ambev, em Montenegro. O projeto para a criação de um centro comercial no local está em fase de captação de parceiros interessados.

“O foco hoje está em trazer uma loja âncora. No caso, um grande supermercado, atacadista ou material de construção que vai ser o início para que as lojas de menor parte venham atuar também”, explica Hans. “Eu já tenho alguns interessados, mas não posso divulgar nomes. São negociações que estão em andamento, mas alguma coisa vai acontecer em breve.” Ele revela que até para a rede Havan o espaço já foi apresentado. A área foi comprada num leilão no fim do ano passado.

“Passam 25 mil carros (por dia) na faixa (ERS-240), o que significa que é uma vitrine para uma área comercial”, aponta o investidor, adiantando que os prédios da antiga cervejaria poderão ser aproveitados pelos interessados. “Já têm vários prédios. Um enorme, de seis mil metros quadrados; vários outros de 900 metros cada um; e outros menores. Será um centro de diversas lojas, dos mais diversos segmentos, mas não repetidos. Tudo cercado, com segurança, para abrir de manhã e fechar de noite.”

Hans aponta que as edificações foram feitas com bons materiais que, mesmo com o tempo, garantem uma boa estrutura que vai demandar baixo investimento da empresa interessada. “Claro que, se vem um supermercado num dos prédios, tem que revisar o telhado, mas toda a estrutura serve”, pontua. O investidor já está com o projeto pronto para instalar uma subestação de energia elétrica no complexo; e também para a execução do Plano de Prevenção Contra Incêndios (PPCI).

Com visão empreendedora, avalia transformar parte da área, também, num condomínio residencial fechado. Há mais tempo, ele já é dono da área em frente de onde era a antiga cervejaria – do outro lado da rua Osvaldo Aranha – onde, nos próximos dias, será instalado um posto de gasolina da Petrobras. O empreendimento, ele aponta, também vai impulsionar o futuro centro comercial. “Eu gosto muito de mudar os ambientes, de ver as coisas totalmente diferentes. É uma satisfação pessoal poder fazer isso”, diz Hans.

Local marcou história em Montenegro

A cervejaria funcionou entre 1973 e 2006. Quando começou, era comum que as cidades do interior tivessem cervejarias próprias, já que era difícil para que o produto viesse da capital para ser vendido no interior numa época em que as condições de transporte ainda eram ruins. E foi justamente por isso que, a medida em que o sistema de transporte evoluía, as pequenas cervejarias foram fechando. Pelo final do século 20 já sobravam só a unidade montenegrina e da Feliz; aqui no Vale do Caí.

No auge da unidade de Montenegro, a produção diária era de 3.200 hectolitros, quase 28 mil caixas de cerveja. Eram cerca de 500 os empregos gerados, o que fazia grande diferença na Economia do Município. Nos anos 90, a Antarctica realizou a fusão com a Brahma e a empresa passou a se chamar Ambev.

Lá pelos anos 2000, as atividades foram parando aos poucos. A empresa começou a investir mais na unidade de Viamão, e, em 2004, todo o setor de engarrafamento montenegrino foi desativado e o maquinário transferido. E foi em 20 de abril de 2006 que a empresa encerrou oficialmente suas atividades, deixando, além de 33 anos marcados na história da cidade, a sua grande estrutura praticamente abandonada.

Dentre as tentativas para que o complexo fosse usado para outros fins, destacou-se o estudo da Kappesberg para transformar a área numa fábrica de móveis; um movimento para instalação de uma estação de tratamento de efluentes industriais que gerou toda uma polêmica e não se concretizou; e ainda uma promessa no governo Paulo Azeredo de desapropriar o imóvel e construir, justamente, um centro de compras e lazer municipal.

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