IMAGEM ILUSTRATIVA: AEN/PR

O governo do Estado vai publicar uma portaria específica com novas normativas para o funcionamento de indústrias no Rio Grande do Sul. O foco é a redução dos riscos de transmissão do novo coronavírus nestes ambientes, após frigoríficos gaúchos terem sido foco de surtos da doença. Pelo menos dez deles estão sendo monitoradas pelo Centro de Operações de Emergência (COE) com registros ou suspeitas de Covid-19 entre funcionários.

“Queremos evitar surtos localizados da Covid-19, pois atingem não apenas os funcionários dessas empresas, mas seus familiares”, ressaltou a secretária da Saúde, Arita Bergmann, durante webconferência com entidades representativas do setor de carnes e derivados nesta terça-feira, 28 de abril. “A prevenção é responsabilidade do trabalhador em horário de trabalho ou fora dele, da gestão da empresa, do município e do Estado. Por isso estamos escutando diversas opiniões, para que a Portaria reflita na prática o que decidirmos aqui”.

Não há uma data oficial para a publicação das regras, que devem sair ainda nesta semana. Havia uma expectativa de que elas tratariam somente dos frigoríficos, mas nota do governo estadual esclareceu que serão recomendações gerais para todas as indústrias gaúchas, independentemente da área ou do porte.

“Queremos que as empresas detectem previamente e nos notifiquem oportunamente quando surgir algum caso suspeito de coronavírus dentro do seu âmbito. Um caso em uma empresa tem potencial de transmissão para outros municípios e outras regiões”, explicou o coordenador do COE, Marcelo Vallandro.

Dentre as recomendações já adiantadas, algumas já constam nos decretos vigentes que trazem restrições às atividades empresariais. São exemplos, o reforço na higiene dos ambientes, escalas entre funcionários e distribuição e uso correto de equipamentos de proteção individual. Mas também devem ser trazidas medidas mais duras, como planos de suspensão de atividades para controle de casos.

Montenegro não tem registro de surto em indústrias, mas também foi motivo de preocupação entre os órgãos de saúde com a notícia de que quatro trabalhadores da unidade local da JBS Aves trabalharam por três dias na planta de Passo Fundo, que foi interditada devido ao grande número de casos de coronavírus. Os funcionários estão em isolamento atualmente; e, apesar de não haver indicação de irregularidades no Município, a secretaria municipal de Saúde adiantou que fará uma visita à empresa para confirmar o cumprimento das regras atuais de prevenção.

Em nota enviada à reportagem, a JBS citou as medidas já em prática em suas unidades: ampliação da frota de transporte; desinfecção diária e periódica de todas as instalações; medição de temperatura dos colaboradores; afastamento das pessoas do grupo de risco; inclusão de novos equipamentos de proteção; uso de máscaras; distanciamento; e início da vacinação contra a gripe H1N1 para todos os funcionários.

Hoje, nos decretos vigentes, todas as indústrias têm autorização para funcionar, seguindo algumas regras de prevenção já existentes. Por serem do ramo alimentício, os frigoríficos, além disso, são considerados essenciais.

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