O poliovírus se espalha por contato direto pessoa a pessoa e também por contato com muco, catarro ou fezes infectadas

“Eu comecei a andar precocemente, e até os 15 meses de vida era uma criança saudável, o que mudou depois que contraí a poliomielite, que me fez perder todos os movimentos do corpo durante um período”, relembra José Adriano Silva de Oliveira, hoje com 60 anos. Vítima de um vírus altamente perigoso, ele conta que, apesar das dificuldades, encara a vida como um desafio diário cheio de humor e superações.

Conhecia também como paralisia infantil, a poliomielite é uma doença contagiosa aguda causada pelo poliovírus, que pode infectar crianças e adultos. Nos casos graves, em que acontecem as paralisias musculares, os membros inferiores são os mais atingidos. De acordo com o Ministério da Saúde, o último caso de poliomielite registrado no Brasil aconteceu em 1989. Atualmente, a cobertura vacinal brasileira contra pólio é acima dos 95% – considerada um exemplo para o restante do mundo.

Quando tinha apenas 15 meses de vida, José Adriano enfrentou uma verdadeira batalha contra o poliovírus

“Naquela época, quando contraí o vírus, a vacinação não era obrigatória e embora estivesse disponível gratuitamente, não existia uma campanha forte contra a doença porque isso foi antes da epidemia. Além disso, para quem mora no interior as condições são outras, tudo era mais difícil”, conta Oliveira. “Graças às sessões de fisioterapia, recuperei aproximadamente 80% dos meus movimentos e voltei a andar aos cinco anos de idade.”

Entre as sequelas da doença, o administrador possui atrofia muscular total do braço esquerdo e um desvio na coluna vertebral. “Eu poderia fazer disso um empecilho todos os dias ao acordar e inventar milhões de desculpas para continuar na cama, porém, decidi me desafiar e fazer tudo aquilo que sempre tive vontade, como estudar e praticar esportes”, salienta Silva. “Minha vida foi pautada no esporte graças aos excelentes professores que tive, assim, tudo que consigo fazer com apenas uma mão, não meço esforços”, completou.
Para contribuir com conscientização da população sobre a gravidade do vírus, Adriano ministra frequentes palestras sobre o assunto que também envolve inclusão social devido às sequelas físicas da pólio. Durante as campanhas de vacinação, ele conta que já assumiu o papel do famoso Zé Gotinha e busca, sempre que possível, estimular e propagar informações sobre a doença.

“Tudo depende como cada pessoa encara os problemas. Se considerarmos que tudo tem dois lados, iremos perceber que cabe a nós a escolha sob qual ótica iremos enxergar determinado fato. Se eu pudesse voltar no tempo e decidir em não ter a pólio e perder todo o aprendizado de vida que tive, iria escolher passar por tudo novamente porque isso me fez crescer como pessoa e me tornou mais forte, porém, essa é uma doença muito difícil para quem não tem uma boa base e estrutura familiar ”, enfatiza Oliveira.

Conforme os números globais da pólio caem, outra preocupação surge: o aparecimento de grupos contrários à vacinação. O movimento que questiona os benefícios da imunização colocam em risco esforços históricos e mundiais para combater doenças e preocupam alteridades de saúde. “Acontece que as pessoas caem em um zona de conforto e negligenciam a vacinação, dando brecha para o ressurgimento de doenças já controladas, o que poderá ter um efeito inverso ao esperado”, aponta Oliveira.

Erradicação global da Pólio é quase uma realidade, diz OMS
Há 30 anos, o vírus selvagem da poliomielite paralisava cerca de 350 mil crianças em mais de 125 países todos os anos. Dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que, em 2018, apenas 30 casos da doença foram notificados em dois países – Afeganistão e Paquistão. O mundo, segundo a entidade, está à beira de um sucesso sem precedentes na saúde pública: a erradicação global da doença.

“A OMS e seus parceiros da Iniciativa Global para Erradicação da Pólio se comprometem a apoiar integralmente os governos do Afeganistão e do Paquistão para combater a doença em seus últimos redutos e livrar-se dessa doença debilitante de uma vez por todas”, destacou a organização, por meio de comunicado.

De acordo com a OMS, a erradicação da pólio exige altas coberturas vacinais em todo o planeta para que se consiga bloquear a transmissão do vírus. Foto: reprodução internet

De acordo com a nota, a erradicação da Pólio exige altas coberturas vacinais em todo o planeta para que se consiga bloquear a transmissão de um vírus extremamente contagioso. Infelizmente, segundo a OMS, algumas crianças permanecem sem acesso às doses adequadas por motivos diversos, incluindo falta de infraestrutura, localidades remotas, migração, conflitos, insegurança e resistência à vacinação.

“A meta das equipes em solo no Afeganistão e no Paquistão é muito clara: localizar e vacinar todas as crianças antes que o vírus chegue até elas. Esses países alcançaram enorme progresso. Há 20 anos o poliovírus paralisava mais de 340 mil crianças em todo o Paquistão. Em 2018, apenas oito casos foram reportados em alguns distritos.”

A OMS destacou, entretanto, que o processo de erradicação da pólio deve ser um esforço no sentido “tudo ou nada” e que uma possível falha em acabar com esses últimos redutos poderia resultar no ressurgimento da doença, chegando a até 200 mil novos casos em todo o mundo num prazo de dez anos.

“Estamos no caminho certo para alcançar o sucesso. Um Paquistão e um Afeganistão livres da pólio significam um mundo livre da pólio”, concluiu a organização, citando que a erradicação da doença poderia economizar entre US$ 40 bilhões e US$ 50 bilhões, sendo a maioria em países de baixa renda. “E os benefícios humanitários serão sustentados para as gerações futuras: nenhuma criança jamais seria afetada novamente por essa terrível doença”.

Conheça os sintomas da poliomielite
A poliomielite pode causar paralisia e até mesmo a morte, mas a maioria das pessoas infectadas não fica doente e não manifesta sintomas, deixando a doença passar despercebida por um longo período.

Na maior parte dos casos, o vírus apresenta o tipo não-paralítico, em que o paciente não manifesta sintomas e quando eles aparecem são brandos e podem ser facilmente confundidos com uma gripe.

Fique atendo para os graus da doença; em seu estado moderado, muitas vezes não se apresentam sintomas. FOTO: REPRODUÇÃO/INTERNET

Diagnóstico de Poliomielite
Os médicos muitas vezes conseguem reconhecer poliomielite por meio da observação dos sintomas, tais como dor e rigidez no pescoço, reflexos anormais, lentos ou inexistentes e dificuldade de deglutição e respiração. Para confirmar o diagnóstico, uma amostra de secreções da garganta, fezes ou líquido cefalorraquidiano – um líquido incolor que envolve o cérebro e a medula espinhal – é enviada para análise laboratorial, em que é confirmada a presença do poliovírus ou não.

A poliomielite tem cura?
O prognóstico depende do tipo de poliomielite (paralítica ou não-paralítica) e do local afetado pelo vírus. Se a medula espinhal e o cérebro não estiverem envolvidos, o que acontece em mais de 90% das vezes, a recuperação completa é bastante possível.

O envolvimento do cérebro ou da medula espinhal é uma emergência médica que pode resultar em paralisia temporária ou permanente e até mesmo em morte (normalmente por dificuldades respiratórias).

A paralisia é uma consequência mais comum que a morte. A infecção em uma parte alta da medula espinhal ou no cérebro aumenta o risco de problemas respiratórios.

Conheça alguns dos sinais que costumam durar de um a 10 dias:
-Febre;
-Dor na garganta e na cabeça;
-Vômitos;
-Mal-estar;
-Dor nas costas ou rigidez muscular (principalmente nos membros inferiores);
-Meningite.
Em casos mais graves, a infecção pelo poliovírus leva à poliomielite paralítica. Alguns dos sinais são os mesmos da poliomielite não-paralítica, como febre, dor de cabeça e vômito. Entretanto, ela evolui para fortes dores musculares e flacidez nos membros, muitas vezes pior em um dos lados do corpo e em maior incidência nos membros inferiores.

Saiba quais as causas
A poliomielite é uma doença causada pela infecção do poliovírus, que se espalha por contato direto pessoa a pessoa e também por contato com muco, catarro ou fezes infectadas. Assim, o vírus entra por meio da boca e do nariz e se multiplica na garganta e no trato intestinal, até chegar à corrente sanguínea, podendo atingir o cérebro. Quando a infecção ataca o sistema nervoso, destrói os neurônios motores e provoca paralisia nos membros inferiores. A pólio pode, inclusive, levar o indivíduo à morte se forem infectadas as células nervosas que controlam os músculos respiratórios e de deglutição. Quanto ao período de incubação do vírus, ou seja, o tempo que leva entre a infecção e surgimento dos primeiros sintomas, varia de cinco a 35 dias, mas a média é de uma a duas semanas.

Como prevenir?
A vacinação é a única forma de prevenção da Poliomielite. Todas as crianças menores de cinco anos de idade devem ser vacinadas conforme esquema de rotina e na campanha nacional.

Desde 2016, o esquema vacinal contra a poliomielite passou a ser de três doses da vacina injetável – VIP (2, 4 e 6 meses) e mais duas doses de reforço com a vacina oral bivalente (gotinha).

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