Mudanças. Comércio varejista não essencial poderá funcionar eletronicamente e através da telentrega

Pela segunda semana consecutiva Montenegro se mantém na bandeira vermelha, mas mudanças foram feitas. Agora o comércio varejista não essencial pode funcionar com certas restrições. A medida já está valendo a partir desta terça-feira, 30. Essa é a oitava rodada de dados do sistema de Distanciamento Controlado do Estado, que foi realizada na noite de sexta-feira, 26. Após as alterações seis regiões do Estado, incluindo a nossa (R08), estão com o segundo pior indicador de alerta no que se refere à ocupação dos leitos hospitalares e a disseminação do novo coronavírus.

A permanência na categoria aponta que a região está enfrentando baixa capacidade do sistema de saúde e média propagação do vírus; ou média/alta capacidade do sistema de saúde, porém alta propagação do vírus, segundo o Estado. A expectativa no final de semana estava alto, e diversos prefeitos tentaram rever números e contestar a colocação junto ao governador Eduardo Leite.

Em pouco mais de 36 horas da divulgação, o governo do Rio Grande do Sul recebeu 67 pedidos de reconsideração nos dados utilizados nessa rodada. Os municípios e as associações regionais tinham até as 6h30 desse domingo, 28, para protocolarem os seus pedidos. Porém, no caso da nossa região não adiantou, as novas restrições valem até essa sexta-feira, 3 de julho, quando ocorre nova revisão. A decisão final foi anunciada pelo governador, Eduardo Leite, no fim da tarde desta segunda-feira, após reunião interna dele com o comitê de crise.

Segundo o governador números de hospitalizações e óbitos na R08 aumentaram e apresenta uma série de dados preocupantes.  O governador ressalta que as pessoas precisam levar a sério as restrições do momento para o quanto antes voltar para a bandeira laranja. “Se não reduzir as regiões podem entrar na bandeira preta”, diz Leite.

Desde a semana passada o governo do Estado abriu uma exceção aos municípios da bandeira vermelha que não têm registro de hospitalização e óbito por Covid-19 de morador nos últimos 14 dias. Esses podem adotar protocolos previstos na classificação laranja. Basta que mantenham atualizados os registros nos sistemas oficiais e adotem regulamento próprio, com protocolos para as atividades previstas na bandeira laranja. Esse é o caso de Barão, Brochier, Capela de Santana, Harmonia, Maratá, Salvador do Sul, São José do Sul, São Pedro da Serra, Tabaí e Tupandi.

O modelo do Distanciamento Social Controlado é rodado semanalmente, toda sexta-feira. Se, na nova rodada, a região voltar a bandeira menos restritiva, as flexibilizações já valem a partir do sábado. Já no caso de uma piora nos indicadores, e a entrada numa bandeira preta, volta a valer o período de contestação, até a segunda-feira, e as maiores restrições entram em prática a partir de terça.

Prefeitos tentam reverter situação

O Rio Grande do Sul foi separado em regiões com o critério da interdependência do atendimento em saúde, nesse sistema do Distanciamento Controlado. Com isso, Montenegro está na mesma região que Canoas, pois os pacientes Covid que não puderem ser atendidos aqui são transferidos para lá.

Já na manhã de domingo, 28, a região R08 solicitou em sua totalidade a mesma liberação. Na impossibilidade de deixar a bandeira vermelha, eles pediram que os municípios tivessem autonomia para permitir que, mesmo na cor que representa risco alto de contaminação da Covid-19, o comércio não essencial operasse com teto de 25% dos trabalhadores e o atendimento exclusivo por tele-entrega, pegue e leve e drive-thru, sem o ingresso de clientes nos estabelecimentos. Essa já é a delimitação determinada ao comércio atacadista de rua não essencial. O pedido dos municípios da Região de Saúde R08 foi assinado por 13 prefeitos, incluindo os de Montenegro, Maratá e Brochier.

Um pedido de reconsideração também foi enviado pela Associação de Municípios do Vale do Rio Caí (Amvarc) e pelo Consórcio Intermunicipal do Vale do Rio Caí (CIS-Caí) que buscava, na ausência da revogação da bandeira vermelha, solicitar que os municípios da Amvarc e CIS-Caí, com base nas suas realidades, fossem liberados também para que o comércio varejista de rua não essencial funcionasse com os mesmos protocolos atualmente determinados ao comércio atacadista de rua não essencial, possibilitando o teto de operação de 25% dos trabalhadores e o atendimento exclusivo por tele-entrega, pegue e leve e drive-thru, sem o ingresso de clientes nos estabelecimentos.

De acordo com o texto,na deliberação do governo “não foi considerado o fato de que no fechamento dos indicadores até a data de 25 de junho, a base de dados demonstrou um aumento de leitos de UTI livres no último dia na Macroregião, demonstrando aumento de 215 para 262, resultando em incremento de 47 leitos ao indicador ‘número de leitos de UTI livres no último dia para atender Covid’”.

O pedido de reconsideração é assinado por Carlos Alberto Fink, prefeito de Harmonia que atualmente ocupa presidência Amvarc e do CIS-Caí. Segundo Fink, a situação das grandes cidades, principalmente as da metropolitana, é muito difícil, mas as cidades menores tem mudanças na situação.

Na atualização do governo do Estado o pedido por essa mudança não foi adotada, mas como forma de flexibilizar o comércio ocorreram algumas alterações nos protocolos segmentados. Agora o comércio varejista não essencial tem a permissão de funcionar eletronicamente e através da telentrega na bandeira vermelha.

Na área da educação foi liberado o estágio final obrigatório para estudantes da área da saúde nas bandeiras vermelha e preta, inclusive no Técnico Concomitante. O comércio de combustíveis tem maior teto de operação nas bandeiras vermelha e preta. Já as academias e clubes estão autorizados a operarem com atendimento individualizado com no mínimo 16m² por pessoa.

“Sistema de saúde de Canoas está entrando em seu limite”

No seu Twitter, o prefeito de Canoas relatou a situação da saúde no município Foto: Reprodução

O prefeito de Canoas, Luiz Carlos Busato, informou no final da noite de domingo, 28, que o sistema de saúde de Canoas está chegando ao limite da capacidade de atendimento. Em uma rede social ele declarou que “o sistema de saúde de Canoas está entrando em seu limite, mesmo com todas as medidas para ampliação de leitos e abertura de hospitais de campanha”. O problema afeta Montenegro e as cidades da região.

De acordo com ele, nas últimas 72 horas, o número de internados com suspeita e confirmação de coronavírus tinha mais que dobrado. O prefeito ressaltou na sua declaração que havia comunicado o Palácio Piratini e municípios que integram a região 08. Durante a live de atualização das bandeiras, a secretária Estadual da Saúde, Arita Bergmann, anunciou que ainda nessa semana é previsto que sejam encaminhados 20 respiradores e reforço para Canoas.

Além disso, como medida emergencial, Busato anunciou a suspensão das cirurgias eletivas sem caráter emergencial. Com isso, as equipes de recuperação serão transferidas para atendimentos de UTI e leitos clínicos.

O Hospital Montenegro 100% SUS anunciou nessa segunda-feira, 29, atitude semelhante a Canoas. De acordo com o HM, a grande propagação do coronavírus e a sinalização de falta de medicação no mercado fez com que a partir desta quarta, estejam suspensas as cirurgias eletivas.

O que pode e o que não pode funcionar na bandeira vermelha:

  • Comércio varejista não essencial é permitido eletronicamente e através da telentrega na bandeira vermelha;
  • Comércio de itens essenciais (mercados, farmácias, etc) só trabalham com 50% dos funcionários;
  • Comércio de combustíveis tem maior teto de operação nas bandeiras vermelha e preta;
  • Restaurantes e lancherias ficam proibidos de receberem clientes. Apenas operam por tele-entrega ou retirada;
  • Cursos livres, escolas de ensino infantil, fundamental, médio e superior só podem atender de forma remota, porém fica permitido estágio final obrigatório para estudantes da área da saúde nas bandeiras vermelha e preta, inclusive no Técnico Concomitante;
  • Academias e clubes estão autorizados a operarem com atendimento indivualizado/coabitante com no mínimo 16m² por pessoa;
  • Missas e serviços religiosos têm capacidade máxima de 30 pessoas;
  • Serviços de higiene pessoal, como barbeiros e cabeleireiros, ainda poderão funcionar com 25% da equipe e atendimento individualizado, com 4 metros de distância entre os clientes;
  • Hotéis só podem abrir 40% dos quartos;
  • Na construção civil, só trabalham 75% dos trabalhadores;
  • Nas indústrias, em geral, só trabalham 50% dos funcionários. Exceção para as essenciais, como de alimentação, onde o percentual é de 75%;
  • Escritórios contábeis, de arquitetura, imobiliárias e afins só funcionam com 25% dos trabalhadores presencialmente;
  • Bancos e escritórios de advocacia só funcionam com 50% dos trabalhadores presencialmente;
  • Trabalho doméstico (faxineiros, cozinheiros, motoristas, babás, jardineiros e similares) é proibido;
  • Independentemente da bandeira, vale para todos a obrigação do uso de máscaras; a higienização dos ambientes e mãos; o respeito ao teto de ocupação dos estabelecimentos; o atendimento diferenciado aos grupos de risco; e o afastamento de colaboradores com sintomas suspeitos de Covid-19.

A cor das bandeiras de cada cidade e o protocolo completo você pode conferir AQUI

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