foto: reprodução internet

Compradores têm dificuldades para aprender a lidar com as dívidas, tornando o planejamento financeiro essencial

No início do ano, é sempre um desafio equilibrar as finanças, devido às várias dívidas contraídas nas festas de Natal e Ano Novo e nas férias. Para agravar ainda mais a situação, nos meses de janeiro e fevereiro, é preciso pagar contas como IPVA, matrículas de colégio e adquirir o material escolar dos filhos.

No ano passado, com base em pesquisa feita pelo SPC Brasil, 8 em cada 10 consumidores não conseguiram fechar as contas do mês somente com o orçamento. Isso mostra que, financeiramente, o brasileiro não aprendeu nada com a crise dos últimos anos, ressaltando a importância do planejamento financeiro para o equilíbrio as despesas.

O professor de Gestão Financeira do Senac Montenegro, Johann Hetzel Pereira, explica quais os caminhos necessários para não correr o risco de chegar ao final de 2018 no vermelho. Segundo ele, a palavra-chave para um resultado positivo é planejamento, na tentativa de compreender o que entra e o que sai do orçamento. “Uma dica é elaborar uma planilha com as estimativas de renda que serão recebidas e os desembolsos que serão efetuados no período”, aconselha o professor.

De acordo com o docente, a melhor maneira para realizar um planejamento financeiro é elaborar um plano orçamentário para o ano todo, com o objetivo de prever as receitas e fixar os gastos para todos os meses. “É preferível classificar as rendas por procedência: proventos, rendimentos de aplicações financeiras, aluguéis recebidos e as despesas por tipo, como fixas, variáveis, extraordinárias e por grupo, como alimentação, educação, saúde, moradia, lazer”, orienta Johann. Ele ainda acrescenta que as dívidas com parcelas a pagar em 2018, se existentes, devem ser inseridas conforme os períodos de pagamento e valores das parcelas.

Seguindo essas orientações, fica fácil identificar os fatores que mais fazem entrar recursos e os que colaboram para o aumento dos gastos.  “O conjunto dos valores expressos no plano resultará nos saldos financeiros mensais e anuais, que são obtidos pela diferença entre as rendas e os gastos”, explica o professor. Se o saldo for positivo em todos os meses, é sinal de que as coisas estão dando certo, porém, caso apareça um mês em negativo, de acordo com o docente, “é preciso promover ações no sentido de reduzir despesas, aumentar receitas, ou ambos, a fim de combater o déficit e evitar contrair dívidas”.

Planejamento financeiro como aliado dos devedores
Para a microempresária Fernanda Hilgert, o planejamento das finanças é fundamental para manter as contas em dia. Assim, ela coloca o método em prática sem grandes dificuldades, já que reconhece as consequências que a falta de uma boa gestão financeira pode causar. “Eu e minha mãe gerenciamos um negócio de família que só funciona durante o período letivo. Então, nos meses de janeiro e fevereiro, não faturamos nada, por isso é imprescindível planejar e organizar tudo que entra e sai do orçamento”, comenta Fernanda que, mesmo assim, ainda encontra dificuldades para continuar no ramo em que atua.

Depois de ter contraído algumas dívidas no passado, hoje a microempresária aprendeu a comprar somente à vista. “Eu não tenho conta em loja e nem cartão de crédito, justamente para não ficar com pendências, e o que eu preciso adquirir pago no dinheiro. Assim, consigo desconto e não acumulo despesas”, conta Fernanda.

Para quem possui débitos e pode contar com a ajuda do 13º salário, essa foi uma oportunidade para quitar as dívidas. “Esse auxílio pode impulsionar o alcance de objetivos, como a independência financeira. Dessa forma, pode-se potencializar investimentos em ativos mais vantajosos no sentido de ampliar a renda passiva e o patrimônio líquido pessoal”, afirma Johann.

CINCO DICAS PARA EQUILIBRAR AS FINANÇAS
1. Não se esqueça nem perca o prazo
Uma das vantagens de ter um orçamento mensal completo e mantê-lo sempre à vista é que nenhuma despesa será esquecida na hora de pagar as contas, evitando a cobrança de multas e juros por atraso.

2. Fuja dos supérfluos
Quem planeja a vida financeira a partir de um orçamento, pode prever, logo no início do mês, os riscos a que pode estar exposto e, assim, controlar suas despesas “voluntárias”. Em geral, são gastos frequentes ou esparsos que, mesmo parecendo pequenos, quando somados viram uma quantia expressiva.

3. Compartilhe o orçamento com a família
Assim como a fartura e a alegria, convém que o orçamento também seja compartilhado com toda a família, desde as crianças até os mais velhos. Deste modo todos ficam informados sobre os recursos, as possibilidades e os desafios e sobre o nível de participação e empenho que é necessário para que os objetivos financeiros sejam atingidos.

4. Controle as despesas variáveis
As despesas variáveis são aquelas cujo valor oscila mensalmente, conforme o consumo ou o uso: energia elétrica, água, combustível, telefone e afins. Controlando estas despesas, a economia vai ser considerável.
No caso de uma família, a mudança de hábitos pode ser muito vantajosa em longo prazo, por meio da formação de uma cultura de uso racional dos recursos.

5. Fique de olho nas metas
O orçamento doméstico facilita planejar metas e monitorar todas as etapas de seu desenvolvimento, até a conclusão. Permite fazer projeção de economias e gastos, para acertar as finanças e recuperar o equilíbrio do orçamento. Com ele, é muito mais fácil ficar de olho nas metas e corrigir situações negativas.

Falta controle nos gastos
Cerca de 77% dos brasileiros gastam mais do que recebem. É um dado alarmente, segundo a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti. “Mesmo que a gente tenha tido uma crise econômica muito severa, as pessoas não mudam o comportamento”, avalia. “Eu tinha a impressão de que a crise ia ter um impacto positivo, que eles iriam colocar a vida financeira como prioridade. Mas ninguém controla gastos. Ou seja, mesmo sem crise, a gente vai continuar com a inadimplência e créditos com juros altos”, destaca a economista.

De acordo com o levantamento, 45% das pessoas não fazem controle de orçamento. Dentro desse grupo, 27,4% dizem não se preocupar porque fazem a conta de cabeça, mas Marcela alerta. “A gente não lembra nem o que almoçou ontem, ainda mais quanto gastou. É preciso formalizar o controle, seja num aplicativo, planilha ou caderneta. A conta de cabeça não é a solução.”

A pesquisa ainda mostra que 32% tomaram algum tipo de empréstimo para quitar os débitos ano passado. E que, para 59% dos entrevistados, a maior dificuldade está em administrar o orçamento. “Se houvesse um controle maior dos gastos, uma tomada de crédito melhor, teríamos uma taxa de juros menor e uma inadimplência menor”, diz a economista.

Embora a maioria dos dados seja desanimadora para a realidade econômica brasileira, no que diz respeito aos cortes de despesas, 40% dos entrevistados mudaram os hábitos de consumo, priorizando itens mais baratos e pesquisando mais os preços. É o que mostra o levantamento, realizado com 805 pessoas em novembro e divulgado agora.

Deixe seu comentário