Um dos passa tempos favoritos de Hilda Cruz da Silveira é sentar-se na frente de casa para apreciar seu jardim

Pai dela foi “padrinho” do espaço público e zelou por ele até o fim da vida

Hilda Cruz da Silveira completou 90 anos no dia 15 de janeiro, mas quem a conhece de perto custa a crer que a comunicativa senhora já tenha vivido nove décadas. Isso porque a vitalidade da aposentada surpreende. Hilda mora na rua Capitão Fernando Schneider, no bairro São Pedro. Sentada em frente a sua casa, recorda os momentos em família e a contribuição que o pai, seu José Luiz Cruz, deu para a manutenção da pracinha do local.

Hilda tem muitas histórias próprias para contar, mas certamente falar da família é o que mais lhe rende momentos de alegria e sorrisos, embora durante alguns instantes as lágrimas de emoção insistam em aparecer. Ela recorda bem da época em que seu pai foi convidado para ser “padrinho” da Praça do bairro São Pedro. O fato ocorreu em outubro de 1980, durante a primeira gestão do prefeito Ivan Jacob Zimmer. Na época, Seu José recebeu menção honrosa em reconhecimento à participação na comunidade. “Meu pai cortou a fita de inauguração da praça. Ele estava sempre de chapéu, não tirava pra nada, mas naquele dia colocou o chapéu embaixo do braço para a cerimônia”, conta a filha.

“Meu pai estava sempre cuidando da praça, ele achava que era um compromisso que havia assumido por se tornar padrinho do local. Ele limpava, plantava árvores. O pai faleceu aos 87 anos, dois anos após se tornar padrinho da pracinha”, detalha.

Sem a presença de Seu José, as coisas mudaram no local. Embora alguns moradores tenham realizado melhorias, como a construção de churrasqueira, por exemplo, ações de vândalos acabaram afastando os frequentadores. “Antes os alunos das escolas vinham fazer Educação Física na pracinha, todo mundo ia tomar chimarrão e levar as crianças ali, mas agora não dá mais. Tem noites que acordo com barulho de tiros vindo de lá”, lamenta Hilda.

A aposentada sente saudades daquela época e também da companhia dos dois irmãos, que moravam na mesma rua, mas que há poucos anos faleceram. A casa de Glaci Cruz Roballo, a irmã do meio, falecida aos 82 anos, foi uma das primeiras construções da, na época, Vila São Pedro. O irmão mais novo, Antônio Júlio Cruz, que morreu aos 79 anos, residia a poucos metros das irmãs.

Seu José foi o responsável por cortar a faixa de inauguração da Praça

A relação dos irmãos sempre foi muito intensa. Quando crianças, ficaram órfãos de mãe. Na época, Hilda tinha apenas seis anos. Ela lembra bem das dificuldades enfrentadas pelo pai para dar conta de criar os filhos sozinho. “Ele nunca mais quis se casar”, comenta. A ausência materna aproximou ainda mais os irmãos que somente foram separados pela morte dos mais novos.

As perdas ainda são sentidas com muita intensidade pela irmã mais velha. Mas a amizade e cuidados dos sobrinhos, da cunhada e dos vizinhos a fazem continuar encontrando razões para viver. Seu maior sonho é ter saúde para desfrutar de muitos outros anos de vida.

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