A última apresentação de dança de Alzira junto à invernada Xiru ocorreu em sua festa de aniversário. Foto: arquivo pessoal de Alzira

VITALIDADE. Aos 89 anos, tia Alzira dá lição de vida aos mais novos e mostra que sempre é tempo para ser feliz

Vavá e Alzira não se largam para nada e, juntos, aproveitam a vida

Cada bairro de Montenegro guarda histórias surpreendentes. Uma delas é de uma moradora do Rui Barbosa, natural de Taquari, mas que veio morar na Cidade das Artes há 60 anos. Antes de reclamar de algo no dia de hoje, conheça a dona Alzira Laubin, de 89 anos, mãe do Gilberto, vó do Tainê e bisavó de Joaquim e Francisco. A tia Alzira, como é chamada pelos amigos e no meio tradicionalista, é uma pessoa apaixonada pela vida e que, mesmo diante das dificuldades, consegue encontrar motivos para sempre ter um sorriso no rosto.

Há quase um ano, a simpática senhora começou a ter problemas para caminhar, devido a um desgaste na cartilagem dos joelhos. Por algum tempo ela usou muletas, mas a situação se complicou e adotar a cadeira de rodas foi inevitável. Se para a maioria das pessoas, deixar de andar é visto como algo aterrorizante, imaginem para Alzira, que desde criança dança nos Centros de Tradições Gaúchas e vê na dança um estímulo à vida.

Mas não pense que dona Alzira se deixou entristecer pelo fato de não poder mais andar como antes. “Nunca senti constrangimento de andar com a cadeira, logo me adaptei”, conta. A palavra daptar-se, nesse caso, não é apenas força de expressão. Alzira realmente soube como lidar com a situação, mesmo tendo a esperança de voltar a caminhar após ser operada para colocação de prótese – o que ainda não tem data definida para ocorrer – ela encontrou apoio no companheiro de dança e de casamento, Alfredo Valmir Dias Nunes (o Vavá), de 71 anos, para continuar fazendo aquilo que estava habituada quando podia andar.

Acreditem, mesmo na cadeira de rodas, tia Alzira segue dançando. A 1ª Prenda Xirua do CTG Os Lanceiros, entidade que Alzira ajudou fundar, tem mais de 20 faixas e não abre mão de se divertir e encantar o público com suas apresentações. “Não posso me queixar de nada. Ainda vou fazer tudo aquilo que quiser fazer, e mais um pouco. O CTG é minha vida”, acrescenta. “Mesmo com a cadeira, vou continuar dançando. Me sinto feliz, essa é uma paixão minha e do meu companheiro. Amamos dançar”, enfatiza.

A força para seguir na invernada não vem apenas do marido. Alzira diz que os companheiros de dança lhe dão todo o apoio para fazer aquilo que gosta. Próximo das apresentações, os ensaios ocorrem duas vezes por semana. Quando não há nada em vista, os encontros são semanais. A última apresentação foi no dia 24 de março em sua própria festa de aniversário. No mês de abril, Alzira deu uma pausa nos ensaios, mas logo quer estar de volta.

Os pais de Alzira eram tradicionalistas e logo cedo levaram seus nove filhos para o mesmo meio. Do grande grupo de irmãos hoje só resta Alzira, que carrega consigo o orgulho sentido pelo restante da família em representar a cultura gaúcha. Também foi dançando que a prenda conheceu o marido. Há mais de 25 anos, ensinou Vavá a dançar. Hoje, a dupla não se desgruda. Vaidosa, tia Alzira está sempre maquiada e pronta para se divertir. “Gosto de coisas bonitas. Pra mim não tem tempo feio. Somos um casal social. Fazemos parte do Clube dos Coroas dos Lanceiros, e a gente nunca para. Saímos de noite, jantamos fora, vamos a festas”.

A garra da companheira é motivo de orgulho para Vavá. “É uma mulher forte, guerreira. Somos parceiros, dançar sempre foi com nós. Sempre que podemos saímos pra passear e quando ficamos em casa passamos o tempo jogando canastra. Ela é tudo pra mim”, afirma Valmir.

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