Produtor da localidade de Pinheiros abriu as portas de sua propriedade para demonstrar como é a produção de leite em Montenegro

Atingida fortemente pelo fim da Coopermonte, bacia leiteira de Montenegro se adaptou e ainda é forte

Antes dos citros, a produção em Montenegro se destacava no leite. Como bem lembra o atual secretário municipal de Desenvolvimento Rural, Renato Kranz, o município se dividia entre a acácia, impulsionada pela Tanac, a suinocultura, movimentada pelo Frigorífico Renner, e a produção leiteira. “Isso era a sobrevivência da época, na década de 60”, recorda.

Saudoso, Kranz conta das longas filas de produtores que aguardavam para deixar o leite produzido para resfriamento no Ideal, que ficava ao lado da atual Câmara de Vereadores. Se instalou em Montenegro, após, a Companhia Riograndense de Laticínios e Correlatos, a Corlac, no bairro Bela Vista. E, a partir dela, surgiu a Cooperativa Mista de Leite e Derivados de Montenegro, a Coopermonte, impulsionando ainda mais a produção local, que se tornou uma das maiores do Estado. Ela chegou a processar mais de 10 mil litros por dia.

Desde pequeno, Giovani Pedro Stein, 41 anos, via os pais prosperarem com a produção leiteira. A família se tornou cooperada da Coopermonte e o próprio Giovani chegou a ser parte da diretoria da empresa anos mais tarde. Acumulando dívidas, no entanto, o empreendimento montenegrino acabou indo à falência. As últimas tratativas de que se tem notícia para seu retorno datam de 2012 e quem quis continuar produzindo leite precisou se adaptar a uma nova lógica de mercado.

Giovani conta que, primeiro a Latvida, de Estrela, e depois a Languiru, de Teutônia, logo chegaram em Montenegro para abraçar a oferta existente. Em comparação com os tempos “áureos” da bacia leiteira do município, o secretário Renato Kranz destaca que perdeu força o produtor de menor porte, que costumava vender entre dez e vinte litros ao dia antigamente. “Esse, hoje, já não tem espaço. Agora é só aquele que vende de 50, 100 litros para cima a essas grandes cooperativas”, indica.

Em Pinheiros, propriedade produz 330 litros de leite por dia
Registrados na Prefeitura, conforme levantamento das notas fiscais de produtor entregues, estão 37 produtores de leite que, no ano passado, movimentaram o total de R$ 1,582 milhão, impulsionados principalmente pela Cooperativa Languiru. Deste valor, 21% veio da localidade de Linha Catarina, a de maior destaque no índice levantado. A produção, no entanto, é bem espalhada pelo território montenegrino.

Em Pinheiros, vive o produtor Giovani Pedro Stein e a família. Tocando um negócio iniciado pelos pais, hoje ele tem na propriedade quinze vacas e duas novilhas de raça holandesa, em uma produção que é considerada de média escala. Cada vaca produz cerca de 22 litros por dia, totalizando 330 litros diários que saem da localidade e vão para a Languiru, que busca o produto de dois em dois dias.

“A Languiru é uma das empresas mais fortes hoje. Eles pensam bastante no produtor, oferecem técnico, inseminação e te abrem as portas”, destaca Giovani. É um profissional da empresa, também, que prepara a dieta dos animais. Na venda, o valor do litro do leite varia bastante. Ele fica na média de R$ 1,15 e dificilmente passa de R$ 1,35.

A lida diária é dividida com o manejo do citros
Um bom exemplo da proposta do projeto Agricultura Mais, Giovani Stein conta que, além do leite, também trabalha com a produção de bergamota. A decisão é da época dos pais, que começaram com a fruta, mas acabaram optando por adicionar o leite para garantir uma renda mensal fixa. “O citros não permitia isso, porque não era garantido todo o mês”, conta.

Há pouco mais de seis meses, Giovani investiu no novo sistema de ordenha que diminuiu o trabalho manual

A propriedade segue, hoje, dividida entre as duas culturas. Metade do dia é dedicado ao manejo do pomar e a outra metade aos animais. No caso da produção do leite, Giovani explica que o trabalho principal ocorre na parte da manhã, quando é feita a ordenha. As vacas são levadas a um local específico para a prática e nelas são colocados os “tetos”, que tiram o leite.

Em um investimento recente do produtor para minimizar o trabalho manual e impulsionar a produção, o líquido é puxado por uma canalização, caindo direto no resfriador, que o mantém gelado a uma temperatura de 3,5 graus centigrados até ser buscado pelo leiteiro. As vacas saem da ordenha para comer ração, depois são soltas no campo para ficarem ruminando e também pastar.

O produtor explica que os principais riscos em uma produção de leite são as intempéries climáticas, que podem prejudicar as pastagens. É também preciso todo um cuidado sanitário para evitar doenças e parasitas, com a aplicação de vacinação regular. Sobre o mercado, ele aponta o desafio de que as vacas produzem mais leite no Verão, mas acaba sendo no Inverno que o consumo do produto aumenta nas cidades.

Em Pinheiros, Giovani garante que se preocupa bastante com o bem estar animal. Cada vaca tem seu próprio nome carinhoso – dentre Pretinha, Cigana e Gordinha – e elas estranham qualquer pessoa que se aproxime e que não seja o dono. Cada vaca costuma produzir por seis lactações, em um período de 10 a 12 anos. A reprodução se dá por inseminação artificial.

Agricultura Mais
O Ibiá está viajando pelos quatro cantos do município para conhecer mais sobre a diversificação da agricultura e da pecuária montenegrina. Com o projeto “Agricultura Mais”, conhecemos diferentes produções e também muita gente bacana. Tudo será mostrado aqui – na edição impressa e no portal do jornal – toda terça-feira. Vem ver com a gente um pouco mais da nossa Montenegro!

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