Arroz montenegrino. Forte da produção fica em Potreiro Grande. Jovem produtor da localidade estima rendimento de 900 toneladas nesta safra

Pouca gente sabe, mas Montenegro também produz arroz irrigado. Não são muitos os produtores, visto que as necessidades do item são bem específicas, precisando de terras baixas, extensas e próximas de rio. Mesmo assim, de acordo com a secretaria municipal de Desenvolvimento Rural, temos 355 hectares do item plantado no Município.

O produtor João Gabriel Lopes tem 22 anos de idade

Quem toca uma delas, na localidade de Potreiro Grande, é o jovem João Gabriel Lopes, de apenas 22 anos de idade. Ele assumiu o negócio iniciado pelo avô – também João – que se mudou de onde hoje é Nova Santa Rita para Montenegro há pouco mais de 40 anos e optou por investir na cultura. O grão já era negócio dos seus irmãos na terra natal, então João “avô” já sabia o que era preciso e o que era possível fazer com o arroz.

João Gabriel nasceu em Porto Alegre, e veio morar com a família paterna por aqui há cinco anos, quando começou a se interessar pelo campo. O avô, já idoso, tinha passado os cuidados da terra para seu pai e ele passou a ajudar no manejo da produção, em seus 260 hectares plantados. “Foi quando eu comecei a pegar gosto”, destaca. Nisso, o jovem acabou largando a faculdade de Administração que cursava para focar na Agronomia.

No início deste ano, no entanto, o destino lhe pregou uma triste surpresa. O pai de João faleceu e a responsabilidade de toda a propriedade caiu nos braços do rapaz. Sem desanimar, ele optou por arrendar parte da área para um grupo de Santa Catarina, que planta e lhe retorna com uma porcentagem dos lucros. “Seria muita coisa para eu tocar sozinho”, explica.

Hoje, ele está com 100 hectares seus, acabando de encerrar o plantio de sua primeira safra sem a parceria paterna, e com a ajuda de dois funcionários. A expectativa é que a colheita tenha boa rentabilidade.

Principal comprador é de Nova Santa Rita
A previsão de rendimento da produção de João é de 900 toneladas de arroz. A propriedade possui equipamento secador, para vender o produto já seco, mas ainda com casca. O valor da venda varia de safra para safra, de acordo com o mercado, entre R$ 32 e R$ 50 para cada saco de 50 quilos do grão. O principal comprador do arroz local é de Nova Santa Rita. A empresa compra, descasca e vende para marcas conhecidas, como a Blue Ville, nos tipos polido ou integral. O que diferencia um do outro é apenas o polimento. O arroz é o mesmo.

O plantio do arroz irrigado de Potreiro Grande
O arroz plantado no Potreiro Grande é da variedade IRGA 424. Ela foi desenvolvida recentemente e apresenta produtividade estável, sem demandar tantos defensivos agrícolas. Dentre as principais características estão as plantas de porte baixo, as folhas curtas e a geração de grãos longos e finos. O plantio é feito entre os meses de setembro e novembro para a colheita entre março e abril.

Irrigação do arroz é feita a partir de bombas instaladas no Rio Caí. O plantado é da variedade IRGA 424

A forma de plantar, por aqui, mudou com os anos. Na época do avô, João conta que a semente do arroz era plantada já em um local com água e, quando ela começava a brotar, tudo era carregado em um avião, que sobrevoava as terras e ia largando os brotos. Hoje, o item é plantado com a terra ainda seca, usando uma plantadeira que, mantendo a terra lisa, vai colocando as sementes direto no campo, já com a aplicação simultânea do adubo. Só depois de 20 dias que é colocada a água.

A propriedade parece ser toda dividida em degraus, que são as barreiras que mantém a água onde ela deve ficar. Tudo é bombeado diretamente do Rio Caí, que passa pelas proximidades. São duas bombas instaladas em pontos diferentes, que passam ligadas praticamente todos os dias.

Plantado, é preciso uma verificação constante da produção, na luta contra o arroz vermelho, um dos principais inços que nascem em propriedades do tipo. As lagartas também são um problema, mas, para elas, João conta com o auxílio das garças e das outras aves que são atraídas, aos montes, ao campo aberto e cheio de água. São elas, aliás, que tornam o extenso campo da plantação uma beleza só. Quando voam todas juntas, parece até cena de filme. É bonito de ver!

Agricultura Mais
O Ibiá está viajando pelos quatro cantos do município para conhecer mais sobre a diversificação da agricultura e da pecuária montenegrina. Com o projeto “Agricultura Mais”, conhecemos diferentes atividades e também muita gente bacana. Tudo será mostrado aqui – na edição impressa e no portal do jornal. E um aviso: em função do feriado de Ano Novo, a reportagem da próxima semana sairá na edição de quinta-feira novamente. Não perca! E vem conhecer com a gente um pouco mais da nossa Montenegro!

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