Felipe Kranz abriu a granja em 2010, quando tinha 19 anos de idade

Em Alfama, o primeiro a investir na produção de ovos para venda in natura em Montenegro reflete sobre a experiência de oito anos no ramo

Em 2010, Felipe Kranz passou a se dedicar à produção de ovos na localidade de Alfama, no interior do município. Na época com 19 anos de idade, o jovem empreendedor inaugurou a Granja Kranz – que carrega o nome da família – e se tornou o primeiro granjeiro independente de Montenegro a comercializar ovos in natura, ou seja, sem ser integrado a alguma grande empresa como a Naturovos.

No geral, o mercado local do produto é lucrativo. Movimentou, segundo dados da secretaria municipal da Fazenda, quase R$ 4 milhões em 2017, impulsionado pelos integrados e também pelos produtores de matrizes, associados à Novagro, por exemplo. A aposta de Felipe foi pegar uma outra ponta deste segmento, o que, segundo ele, trouxe diferentes desafios. Hoje, com oito anos de empreendimento, o produtor atendeu o Agricultura Mais para falar sobre essa trajetória. Confira os principais momentos da conversa:

Jornal Ibiá: De onde veio essa ideia de abrir uma granja?
Felipe Kranz: Eu sempre gostei da agricultura, mas ninguém da minha família tinha trabalhado com ovos. Foi um dia, em uma conversa entre nós, que surgiu a ideia de montar um negócio em casa, então chegamos nisso. Eu já tinha formação técnica em Agropecuária e fui buscar conhecimento. Fiz um curso de Avicultura Colonial em Venâncio Aires, onde são pioneiros na área, me registrei na Inspetoria Veterinária, fui ver das licenças, fiz financiamento e assim foi indo.

Hoje, na Alfama,
são produzidos cerca de cinco mil ovos por dia

JI: Tu já tinha alguma experiência prática com a produção agrícola?
FK: A propriedade aqui em Alfama era da família. Meus pais eram professores, mas tinham plantação de bergamota como uma segunda opção. Eu já cuidava do arvoredo porque, na época, estudava no colégio agrícola, então passava a semana estudando e, nos finais de semana, trabalhava nas bergamotas. A área era pequena, só de quatro hectares e meio, então viver só de bergamota com esse espaço era difícil. Foi aí que eu fiz a mudança das bergamotas para a avicultura de postura.

JI: Com a granja aberta em 2010, o que tu encontrou no mercado local?
FK: A montagem foi meio que ‘um tiro pra lua’, porque não existia nenhuma em Montenegro. Mas eu não imaginava que a questão do comércio fosse ser tão difícil. Aqui é muito perto do Ceasa e muita gente busca ovos de lá. Também vem pessoal de outras cidades menores, tipo Teutônia e Salvador do Sul, para entregar ovos por aqui. Então vi bastante competição no mercado. Foi um começo bem difícil.

JI: Na época, o ovo estava em alta?
FK: Não estava. Até porque, logo em seguida, em 2014, veio uma crise para o setor, onde o governo abriu as exportações de milho e o preço dos nossos insumos foram lá em cima. O setor está em uns três anos de crise. Em 2018, os custos até baixaram, mas ainda não estão ideais.

JI: Só recentemente que a Prefeitura assinou o projeto de lei que formaliza a adesão do município ao Susaf, o que vai permitir que empreendimentos como a granja possam vender para fora de Montenegro. Como vinha sendo sem essa liberação?
FK: Nosso mercado, hoje, é basicamente o município de Montenegro. Essa questão do Susaf tem todo um contexto. A Prefeitura está fazendo a sua parte em se enquadrar, mas as agroindústrias, como a minha granja, também precisam estar corretamente de acordo com as regras que esse sistema impõe. Conseguindo isso, vai nos abrir muito as fronteiras, porque hoje tu não pode aumentar a produção, já que o mercado vira um ‘gargalo’ onde tu não consegue mais vender.

JI: E como é o dia a dia da granja? Que cuidados são necessários?
FK: A produção é de pequena para média escala. Gira em torno de 5 mil ovos por dia produzidos. Eu acho que não adianta tu ter uma grande escala, se não tiver qualidade, e a gente tenta ao máximo fazer isso. A carga horária de trabalho varia, mas eu diria que são umas 15 horas por dia que eu fico em função do serviço.
Nós temos aqui dois tipos de sistema: o caipira e o de gaiola. No caipira, as galinhas ficam soltas, com livre acesso dentro do galpão. No de gaiola, elas ficam presas. Independentemente do sistema, é importante ter um bom manejo, pois tudo interfere diretamente na saúde do animal e no produto final depois.
Tem também a questão dos ovos, que estragam fácil. Eu tenho a agroindústria padrão para eles, com ar condicionado, resfriamento e limpeza. O produto só é vendido in natura e não é nada processado. A gente só colhe, limpa, classifica e embala de acordo com a necessidade do cliente, em dúzia ou bandeja.

JI: Mesmo falando dos desafios, tu já está completando oito anos de mercado. O que tu destaca desse período?
FK: Tendo sido o primeiro, eu meio que abri as fronteiras. Teve gente daqui que já se interessou em botar também, e alguns produtores me vêem como referência. Já veio gente de outros municípios – e até que a Emater traz – para conhecer como funciona, e é bem legal isso. Até certo ponto, a gente vira um espelho.

JI: Como a Granja Kranz se diferencia hoje, diante da competição?
FK: Hoje eu noto que o nosso cliente quer qualidade. Eu busco muito ter um produto diferenciado, visando o bem-estar animal e tentando ter o melhor manejo possível para ter uma ótima produção. A gente faz como se fosse pra gente mesmo consumir e estamos sempre buscando melhorar, inovar e se diferenciar. Ainda tem muito para crescer.

Agricultura Mais
O Ibiá está viajando pelos quatro cantos do município para conhecer mais sobre a diversificação da agricultura e da pecuária montenegrina. Com o projeto “Agricultura Mais”, conhecemos diferentes atividades e também muita gente bacana. Tudo será mostrado aqui – na edição impressa e no portal do jornal – a cada terça-feira. Vem conhecer com a gente um pouco mais da nossa Montenegro!

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