Acidente ocorrido em dezembro de 2017 na RSC-287, em Muda Boi

Detran revela que 77% das mortes no trânsito foram de homens. Números do
Comando Rodoviário de Montenegro mostram que eles lideram os acidentes

Em 2017 houve elevação de 3% no total de óbitos em relação ao ano anterior

Um levantamento do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), referente ao ano de 2017, mostra que os homens e os jovens lideram a lista das vítimas fatais em acidentes de trânsito no Rio Grande do Sul. Das 1.741 mortes registradas, 1.351, ou seja, 77% delas envolveram o sexo masculino. Já o número de mulheres é de 390. Para o gerente do Observatório Nacional de Segurança Viária, Renato Campestrini, por um instinto natural, os homens se arriscam mais do que as mulheres.

Na distribuição por faixa etária, pessoas com idade entre 21 e 24 anos, representam a maior parte das vítimas, com 180 mortes. Em números absolutos os dados apontam que em 2017 houve um acréscimo, de 3%, no total de óbitos em comparação com 2016. As estatísticas revelam ainda que 52% das mortes acontecem entre sexta-feira e domingo.

Além de representarem somente 23% das mortes no trânsito, a maior parte das mulheres que morreram em acidentes era de passageiras ou pedestres. Das 390 que foram vítimas em 2017, apenas 75 delas estavam conduzindo automóveis ou motocicletas. Das demais, 155 eram passageiras em automóveis, 31 estavam na carona de motocicletas e 115 foram pedestres vítimas de atropelamento. Já entre os homens, das 1,3 mil vítimas, 907 estavam conduzindo.

Veja avaliação do especialista
O gerente do Observatório Nacional de Segurança Viária, especialista em trânsito, mobilidade e segurança, Renato Campestrini, opina sobre as causas que podem ter resultado nos números apresentados pelo Detran.

Por que os homens se envolvem mais em acidentes do que as mulheres?
Além do número de condutores do sexo masculino ser maior, a natureza do homem o leva a se expor mais ao risco, a acreditar que ele é um bom condutor e que nada vai acontecer com ele. Essa sensação de onipotência em especial aos mais jovens leva a tais dados.

A lista de vítimas aponta que os jovens são os que mais se envolvem em acidentes com morte. Em sua opinião, por que isso acontece?
A falta de percepção do risco, e a sensação de imortalidade que o jovem tem são fatores que colocam os mais jovens, aqueles em idade produtiva como as principais vítimas do trânsito. Infelizmente também temos fatores como o consumo de álcool, a exposição a condições de maior risco como transitar durante a noite, cansado na volta das baladas.

Os dias de maior incidência de acidentes são aos finais de semana. Que tipo de comportamento pessoal leva a esse registro?
Aos finais de semana as pessoas têm a sensação de que a fiscalização é menor, que pequenos deslizes podem ser cometidos, quando na verdade no trânsito a atenção e os cuidados devem ser redobrados a todo momento. Durante os finais de semana festas são realizadas, há o consumo de bebida alcoólica, o fator segurança é deixado de lado e quando algo acontece, as consequências podem ser sérias ou até fatais. É preciso que todos tenham consciência, e que se eventualmente irá consumir bebida, que se leve um condutor da rodada, opte por outro meio de transporte e ainda assim nunca deixe de utilizar o cinto de segurança, e que o celular seja deixado de lado. São atitudes preventivas que ajudam a evitar o pior.

Números gerais
– 1.741 mortos em 2017 contra 1.680 mortos em 2016 (61 mortes a mais, 3% de elevação).
– A maior parte dos acidentes com morte envolve colisões, com 572 casos. Em segundo lugar estão os atropelamentos, com 316 registros. Os condutores de automóveis foram os que mais morreram em acidentes no Estado em 2017, com 514 vítimas.
– Os motociclistas ficaram em segundo com 468 óbitos. Em terceiro lugar ficaram os pedestres, com 318 mortes.
– Nos acidentes se envolveram 969 automóveis, 591 motocicletas ou motonetas, 376caminhões, 144 reboques, 84 bicicletas, 78 ônibus ou micro-ônibus, 13 tratores e oito carroças.
– 38% das mortes envolveram automóveis, 23% motocicletas e 15% caminhões.
– 916 (52%) das vítimas morreram entre sexta-feira e domingo. Sábado e domingo tiveram 695 mortes, ou seja, 40%. Os demais dias tiveram índices aproximados.
– A maior parte dos acidentes foi em rodovias, 943 deles. As vias municipais concentraram 601 casos, as estaduais 498 e as federais 443.
– Entre as crianças, de até 10 anos, 23 vítimas eram passageiros de veículos, oito eram pedestres e quatro estavam em bicicletas.
– No cruzamento entre idade e a participação nos acidentes, os motociclistas, de 21 a 24 anos, somaram a maioria dos óbitos, com 78 casos. Motociclistas, entre 25 e 29 anos, foram 76 vítimas. Entre os condutores de automóveis, a faixa etária que mais teve mortes foi entre 35 e 39 anos, com 68 óbitos.

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