Rogério Cauduro é Mestre em Economia. Atua como consultor financeiro a dezenas de empresas e também presta consultoria financeira pessoal, auxiliando na gestão de planejamento orçamentário familiar. Faz palestras e cursos sobre educação financeira e é autor dos livros “A Gestão Financeira e o Empreendedor”, “Mande no $eu Dinheiro” e “Qual é Seu Desafio? ” FOTO: DIVULGAÇÃO

COM DÍVIDAS? Especialista dá dicas preciosas para te ajudar a sair da crise

Até os mais cuidadosos com o orçamento familiar sentiram o impacto que a pandemia do novo coronavírus trouxe para o bolso. Num contexto amplo, afinal, as consequências da crise tiraram o emprego de muitos e diminuíram a renda de vários; também são um dos principais fatores para a alta do preço dos alimentos verificada nos supermercados. “Não há ninguém que não tenha sido impactado nesse momento com a questão orçamentária”, avalia o economista Rogério Cauduro. Fazer o dinheiro render não está fácil; o endividamento cresceu; e, nessa realidade, é preciso pensar em formas para se proteger. Mas por onde começar?

Conheça o seu orçamento…

Não precisa nem ser no computador. Pode ser numa simples folha de papel. Especialista em educação financeira, Cauduro indica começar pela separação do básico: pegar o mês e relacionar a sua renda (meu salário, salário da minha esposa…todos os tipos de entradas de dinheiro no orçamento); e relacionar os gastos (aluguel, água, luz, telefone, combustível, alimentação e por aí vai). Dá pra buscar isso nos extratos ou no banco, para quem tenha dificuldade. Aí basta somar os dois lados, separadamente, e ver a diferença. “Boa parte do tempo, a diferença deve ser positiva. Mas esse é um momento de exceção que nós estamos vivendo. A grande maioria das pessoas entrou num problema de estar num saldo negativo”, explica Cauduro. E quando os gastos são maiores do que a renda, o jeito é adaptar o padrão de vida.

ATENÇÃO! Seu padrão de vida deve ser pensado com base na sua renda; com o que você gasta para satisfazer suas necessidades sendo proporcional ao que você ganha. Muita gente não toma esse cuidado, mas não dá pra ter um padrão de vida mais alto que sua renda!

 Bote tudo no papel e se organize

Pra saber o que cortar de gastos, o jeito é pegar o papel e fazer uma classificação: o que é dispensável e o que eu realmente não consigo viver sem? “Porque, na verdade, a gente precisa de muito pouco para satisfazer as nossas necessidades; e num momento como agora, eu preciso saber o que é o meu mínimo razoável”, diz o especialista. E não só pensando em cortes, é a hora de pensar em adaptações: quem sabe um pacote de telefonia e de internet um pouco menor? Quem sabe parar de pedir comida fora? Quem sabe, só por uns meses, deixar a academia e fazer exercícios em casa?

…Aí entenda como enfrentar o monstro
Organizar seu orçamento é um ótimo ponto de partida, mas muita gente ainda tem um “monstro” das dívidas para enfrentar. “Eu já vi famílias que ganhavam 5 mil e deviam 100 mil. Mas pra tudo tem solução”, garante Cauduro. E essa solução também começa no papel. Conhecer o tamanho do monstro é entender o grau de endividamento, listando, de um lado, todas as minhas contas: sejam do cartão de crédito até a do mercadinho da esquina. Ao lado de cada dívida, eu preciso anotar a taxa de juros que estão me cobrando por ela e, então, fazer a conta do quanto, no mês, aquela dívida corrói da minha renda.

Tudo na ponta do lápis, você já consegue saber o que enfrentar primeiro. Comece no indispensável. “Muita gente acabou caindo de atrasar o aluguel ou de atrasar o carro. E nisso há um risco de perda de patrimônio”, exemplifica o especialista. É o primeiro ponto de ação. Numa segunda linha de avaliação, a verificação é de quais são as dívidas mais caras. “70% dos endividados no Brasil tem dívidas no cartão de crédito. Já estão no rotativo, com os juros mais caros (em torno dos 300%)” , coloca Cauduro. Ali também é preciso priorizar.

O monstro do endividamento assusta; mas dá pra lidar com ele conhecendo seu orçamento e partindo pra negociação

Mas como pagar tudo isso? Depois que você montou o seu orçamento familiar, viu onde era possível e enxugou os gastos ao máximo, a sobra entre a sua renda e as suas despesas será o valor disponível, naquele mês, para começar a enfrentar o monstro da dívida. Sabendo quais são as dívidas que serão atacadas primeiro, você parte para um ponto importante: a negociação.

“O momento é muito sensível para negociação. Todo mundo que é credor, que está do outro lado da mesa, sabe que essa é uma situação delicada; e o mais importante pra ele é receber. Mesmo se tu disser pra ele que esse mês tu só pode dar R$ 100,00 para começar a pagar a dívida, já está valendo; porque tu não fugiu da raia, tu não abalou teu crédito e tu iniciou uma negociação”, explica o especialista. Segundo Cauduro, um dos principais erros da pessoa que deve é fugir do credor e não dar satisfações: assim, ela acaba ficando sem crédito e em ainda maior dificuldade.

Na linha das negociações, cabe atacar as dívidas com juros mais altos trocando-as por outras com taxas mais atrativas. Como para as dívidas do cartão de crédito, um caminho é procurar um banco e buscar o montante necessário para quitar toda a dívida; caso os juros desse empréstimo sejam mais baixos que o cartão. “Eu faço em 24 vezes, já não pago mais o cartão e nem crio uma bola de neve (dos juros sobre juros)”, indica. Por aí vai, item por item. Com planejamento, alguns sacrifícios do momento e uma linha de ação, se mata o monstro e ainda se consegue viver bem.

Deixe seu comentário