Em Montenegro, segundo Detran RS, 204 motoristas têm necessidade de adaptação em seus carros.

Segundo os departamentos de Trânsito dos três Estados do Sul, 130 mil motoristas usam equipamentos especiais

Tirar a carteira de motorista, comprar um carro e sair pilotando não é assim tão simples para muitas pessoas. Há questões financeiras envolvidas e toda a burocracia — no caso de pessoas com deficiência — para adaptar um automóvel. A região Sul do Brasil, segundo dados computados até outubro do ano passado pelos departamentos de Trânsito dos três estados, tem mais de 130 mil condutores que precisam de veículo adaptado. Conforme a deficiência de cada motorista há a necessidade de diferentes e específicas adequações.

Em Montenegro, conforme o Detran-RS, foi contabilizado em abril um total de 204 motoristas com necessidade de adaptação em seus carros. No Estado, no mesmo período, foram 56.566.

veículo de Pedro Anísio Cesarino Rodrigues tem manopla e alavanca que comanda freio e acelerador

Entre as restrições mais comuns na CNH dos montenegrinos estão a obrigatoriedade do uso de veículo com direção hidráulica (38), obrigatoriedade do uso de veículo com transmissão automática (36) e obrigatoriedade do uso de carro com embreagem manual ou com automação de embreagem ou transmissão automática (29).

O Detram diz que não há como informar o número de veículos alterados.

Esbarrando nos custos
De acordo com o chefe do setor de Remoções da Secretaria de Saúde, Pedro Anísio Cesarino Rodrigues, 36 anos, cadeirante, adaptar um veículo, como no caso dele, não sairá por menos de 2 mil reais. Um custo elevado. “Não é barato. Os equipamentos para deficientes têm custos muito elevados. Qualquer equipagem que seja. Uma cadeira, por exemplo, chega a custar R$8 mil”, destaca.
Tendo o seu primeiro veículo adaptado em 2001, Pedro relata que gastou cerca de R$ 2.300,00 para adequar seu carro atual com equipamentos como a manopla, para manobrar, e a alavanca no lado esquerdo, abaixo da direção, que comanda freio e acelerador. “Todos esses comandos são manuais. Mas o valor e adequações variam de acordo com cada caso.”

De acordo com Pedro, chefe do setor de Remoções da Secretaria de Saúde, equipamentos para deficientes têm um custo muito elevado

Burocracia
“Todos os deficientes precisam, como primeiro passo, solicitar no Detran da cidade uma avaliação antes de adaptarem seus carros. O departamento daqui marca uma consulta com a junta médica especial de Porto Alegre, que analisa cada caso e suas necessidades. Todas as especificações são registradas na CNH”, enfatiza Pedro.
Após esse início de processo, o próximo passo é levar o automóvel para o Inmetro para que seja emitido um laudo possibilitando as alterações. “O que tem o custo de R$ 330,00”, salienta. Alguns locais especializados em adaptações de veículos citados por Pedro ficam localizados em Barão e Porto Alegre.

Isenção tributária
Você sabia? Pessoas com deficiência física podem solicitar isenção de Imposto Sobre Produtos Industrializados na compra de um veículo. Basta apresentar os documentos solicitados pela Receita Federal, em alguma unidade do órgão. Esse é o primeiro passo no processo de aquisição.

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