O grupo se deslocou até a Praça Rui Barbosa

MAIS de 100 pessoas se mobilizaram para pedir esclarecimentos sobre o caso

Uma manifestação pediu esclarecimentos e justiça em relação a morte do jovem Marcelo Júnior dos Santos Teixeira, de 18 anos, o “Marcelinho”. O ato ocorreu no final da tarde desta terça-feira, dia 12, e contou com a presença de cerca de mais de 100 pessoas. Familiares e amigos do jovem, morto durante um cerco policial na madrugada de domingo, 10, se deslocaram da esquina da rua Ramiro Barcelos com Santos Dumont até a Praça Rui Barbosa onde gritaram por justiça.

O manifesto foi idealizado pela namorada de Marcelo, Maria Eduarda Hoch, e pela prima do jovem, Taís Dutra. Elas criaram um evento no Facebook para convidar a comunidade a participar do movimento. Inicialmente, a concentração estava prevista para ocorrer na Praça do bairro São João. De lá o grupo se deslocaria até o Comando Regional de Policiamento Ostensivo do Vale do Caí (CRPO/VC), porém, com receio de que pudesse haver algum tipo de tumulto o trajeto foi alterado. “Não queremos confusão, só queremos justiça”, diz Taís.

A emoção tomou conta de Maria Eduarda Hoch, namorada de Marcelo, e dos amigos do jovem

O ponto de partida foi a esquina da rua Ramiro Barcelos com Santos Dumont. O pai e a vó de Marcelo Júnior participaram do ato. Junto com os demais eles se emocionaram ao longo do percurso até a Praça Rui Barbosa, ponto final do movimento.

Cartazes e músicas deram o tom de saudade, tristeza e indignação. À frente do público, um veículo se encarregou da trilha sonora do momento. O repertório composto por músicas com letras que falam sobre despedida e morte prematura parecia ter sido escrito para contar a história de Marcelo.

Comerciantes, motoristas e pedestres pararam para ver a manifestação, grande parte, emocionada. O protesto acabou por volta das 19h, com um breve discurso dos amigos. Os balões brancos que foram usados no carro de som, junto a camisa do time do coração de Marcelo, o Grêmio, e de fotos do jovem casal de namorados, foram soltos em um gesto que simboliza pedidos de paz e justiça. “Espero que o inquérito seja concluído e que a justiça seja feita. Ele era um guri de bem, a justiça vai mostrar isso”, pontua Taís.

Cartazes foram feitos por amigos e familiares como a prima Taís

Saiba mais sobre o caso
Marcelo Júnior dos Santos Teixeira morreu após ser baleado numa ação da Brigada Militar em Montenegro. A motocicleta na qual era caroneiro foi alvo de perseguição, após ter fugido de outras duas outras abordagens da BM ocorridas há poucos dias. O veículo é alvo de investigação relacionada ao tráfico.

Naquela madrugada, a BM novamente teria tentado abordar o veículo, mas o mesmo entrou em fuga. Depois de percorrer vários pontos da cidade, na rua Waldemar Pedro Stefem, no bairro Santo Antônio, o jovem acabou baleado.

Um vídeo que está circulando na rede social Whatsapp mostra a viatura da BM seguindo a moto e uma segunda parada em frente com os faróis ligados. Na sequência, a moto passa ao lado da viatura parada, e dois disparos são ouvidos.

Segundo a BM, os disparos foram efetuados por que o condutor da moto teria jogado o veículo para cima de um policial. Além disso, um gesto feito em direção a cintura teria feito os PMs a suspeitarem que ele estivesse armado.

Mesmo com o amigo ferido, o condutor seguiu em fuga e só parou quando o pneu furou. Com ele não foi encontrada arma. Os policiais localizaram 39 pedras de crack, 130 gramas de maconha e uma balança de precisão que foram atribuídos a dupla. Os jovens não têm antecedentes criminais.

Inquéritos irão apurar o caso

Além do inquérito da Polícia Civil, o caso será tratado também através de um inquérito policial militar. Segundo o comandante do Comando Regional de Policiamento Ostensivo do Vale do Caí (CRPO/VC), os primeiros trâmites da investigação começaram ainda na madrugada de domingo, com a coleta de depoimento dos policiais envolvidos.

O subcomandante do 5º Batalhão da Brigada Militar (BPM), major Hélio Schauren, foi designado para proceder as investigações e diligências sobre o ocorrido. O prazo para conclusão da investigação é de 40 até 60 dias.

Manifestação do CRPO/VC
Ao saber da manifestação, o comandante do Comando Regional de Policiamento Ostensivo do Vale do Caí (CRPO/VC), tenente-coronel Márcio Luz, comunicou à imprensa local que convidaria os familiares do jovem para uma conversa, o que não ocorreu devido a mudança do local do ato. O tenente coronel manifestou-se sobre a ação. “Entendemos que a manifestação é legítima. A consternação com o ocorrido atinge toda comunidade. Estamos a disposição para recebê-los no CRPO ou no 5º BPM para ouvir as reivindicações e apresentar todo o trabalho que está sendo realizado nas diligências de apuração do ocorrido. Assim como eles, queremos que a justiça seja realizada”.

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