Hospital Montenegro 100% SUS é referência no Vale do Caí. Foto: Arquivo Jornal Ibiá

Oficialmente foram cinco dias sem consultas, exames e procedimentos

Após cinco dias sem atendimentos eletivos, o Hospital Montenegro 100% SUS retornou com os serviços a partir desta terça-feira, 6. A notícia divulgada através de nota à imprensa esclarece que todos os serviços como consultas, exames e procedimentos a nível ambulatorial foram retomados, inclusive “articulando com a Regulação Estadual para oferta através do SISREG”, sistema web criado para o gerenciamento de todo Complexo Regulador, que permite a inserção da oferta, da solicitação até a confirmação do atendimento aos usuários, assim como a regulação de leitos hospitalares.

Segundo o diretor técnico, Jean Ernandorena, a casa de saúde fortalece sua parceria com o governo do Estado e com a saúde da população da região. Nenhuma explicação mais detalhada do que causou a mudança foi dada pelo Hospital Montenegro. A redação do Jornal Ibiá entrou em contato com a Instituição, porém até o fechamento da matéria os questionamentos não foram respondidos.

Ainda na quinta-feira, 1°, mesmo dia em que as atividades foram canceladas, a Secretaria Estadual da Saúde (SES) notificou o Hospital Montenegro 100% SUS (HM) a respeito do encerramento dos atendimentos eletivos. De acordo com o órgão, os pagamentos por parte do Estado estão em dia e em absoluta regularidade.

A Secretaria assinalou também que monitora o cumprimento de cada contrato com foco na responsabilidade com a execução do recurso público, e que deve sempre retornar em serviços prestados à população. A direção do Hospital Montenegro não se manifestou sobre a notificação, mas em nota ressaltou o financiamento contratual reduzido desde 2015.

HM pode perder recursos por parte do Estado

Em reunião online realizada na tarde desta terça-feira, 6, entre os prefeitos da região do Vale do Caí e a Secretaria Estadual da Saúde, foi sinalizado um descontentamento por ambas as partes acerca da atual administração do Hospital Montenegro. “O diretor do Hospital parece que quer se aproveitar de um momento político e fazer um movimento contra os prefeitos. Ontem (segunda) mesmo ele concedeu uma entrevista repassando a responsabilidade toda para os prefeitos, que não se mobilizam para ir atrás dos repasses para o Hospital”, lamenta o prefeito, Kadu Müller.

Para o prefeito de Maratá, Fernando Schrammel, a situação com o Hospital Montenegro precisa ser resolvida. “Os pagamentos não estão atrasados, estão todos em dia. Tem que ser duro com o HM, porque não pode ser assim, isso é brincar com a saúde”, diz. Partilhando do mesmo sentimento, Clóvis Duarte, chefe do Executivo de São Sebastião do Caí, relata que essa situação é recorrente desde o seu período como secretário da Saúde no município.

Segundo a secretária Estadual da Saúde, Arita Bergmann, a decisão unilateral do Hospital é uma decisão equivocada e problemática. “Estamos revendo os incentivos e se o Hospital não fizer o que já tem que fazer que é obrigação, e não se organizar para ampliar em qualidade de especialidades ele vai perder recursos”, declara.

Ela pontuou ainda que durante o tempo de gestão diversas metas permanentes não foram cumpridas pela casa de saúde, e por isso alguns recursos foram descontados. “Em plena pandemia abrimos seis leitos, teve todo um trabalho do Estado, sempre com ameaças do HM de a qualquer momento fechar se o dinheiro não chegasse. Sempre envolvendo a questão financeira”, declara a secretária. A SES segue monitorando o caso.

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