Uma das consequências mais graves do aumento acelerado de casos do novo coronavírus é a lotação das UTIs. A oferta de leitos vem diminuindo dia a dia no Rio Grande do Sul, sendo um dos fatores para que duas regiões recebessem a bandeira preta (risco altíssimo para o coronavírus) no mais recente mapa do modelo de Distanciamento Controlado do Estado. Em Montenegro, há quase uma semana as UTI’s estão superlotadas, e preocupam os gestores públicos.

Nessa terça-feira, 15, o Hospital Montenegro 100% SUS reabriu dois dos seis leitos de UTI Covid, que haviam sido fechados ainda em outubro devido à diminuição de casos. Quatro deles foram reabilitados no dia 4 de dezembro. Além disso, a Instituição também conta 10 leitos para pacientes clínicos.

Apesar da reabertura, todos os 16 leitos estão ocupados no momento. Segundo o diretor Executivo, Carlos Batista da Silveira, a UTI está com quatro pacientes confirmados com Covid-19 e um suspeito. No setor de internação há mais quatro positivados e três suspeitos. Com 16 respiradores em UTI, o HM está com 10 ocupados, e de 22 leitos Covid fora de UTI, somente oito estão ocupados.

No Hospital Unimed Vale do Caí a situação não é diferente. Dos 9 leitos no Centro de Tratamento Intensivo (CTI), 10 deles estão ocupados. Isso mesmo, a conta não está errada. Devido ao aumento de casos graves do novo coronavírus a instituição abriu um leito temporário. Sete pacientes estão com Covid-19, dois são suspeitos e um está internado por outro motivo.

Os leitos Covid fora de CTI são 15 ao todo. Segundo o Hospital Unimed, 16 estão ocupados por oito positivados e oito suspeitos. Com nove respiradores em UTI, oito deles estão ocupados, ou seja, 88.9% ao todo.

Superlotação já causa consequências
Um paciente grave de Covid-19 pode ficar até três semanas na UTI, isso sem contar os casos relacionados a outras doenças. Com um longo tempo de permanência, e nenhuma vaga sobrando, a superlotação nas UTI’s de Montenegro já revelam consequências desagradáveis.

Em nota oficial divulgada na página do Facebook da Prefeitura de Brochier, o Executivo compartilhou uma situação preocupante que aconteceu nessa semana. “Um (a) paciente precisava ser transferido (a) ao hospital por estar com alguns agravos causados pelo vírus e no momento do contato médico para a transferência do paciente, o hospital informou a falta de leitos e negou a transferência do(a) mesmo(a), porém orientou a equipe do posto de saúde para estabilizar o(a) paciente. O manejo foi realizado e o(a) paciente ficou bem, não necessitando de hospitalização”, foi dito.

A Administração ainda ressaltou a necessidade da população entender e respeitar os cuidados de prevenção ao novo coronavírus. “O Estado está vivendo o pior momento da pandemia, os casos estão aumentando diariamente, então para não sofrer as consequências que escutamos todos os dias, vamos nos cuidar, vamos respeitar os protocolos e as orientações da equipe de saúde”, conclui a nota.

O diretor Executivo, Carlos Batista da Silveira, não quis se pronunciar sobre o caso, afirmando não ter conhecimento de todo o ocorrido. Entretanto ele salienta que o caso não precisou de hospitalização. “Quando nós chamamos os secretários aqui (no HM) nós avisamos a todos que precisaria primeiro estabilizar o paciente; que eles precisariam ter uma melhor estrutura nas suas unidades básicas de saúde ou nos seus pronto atendimentos”, diz.

No dia 1° de dezembro, foi realizada uma reunião com os secretários de Saúde dos Municípios do Vale do Caí, gestores de hospitais e representantes de saúde da região, e uma das pautas do encontro foi a possível falta de leitos no HM e o que era necessário ser feito em cada cidade. “O que está acontecendo é que estão chegando muitos casos, e casos suspeitos que no Pronto Socorro a gente tem que separar e hoje (quinta-feira), por exemplo, nós estamos com cinco casos suspeitos dentro do Pronto Socorro, na ala específica para Covid”, fala Batista.

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