O jornalista André Luiz Oliveira faleceu em janeiro em decorrência de complicações da Covid-19. FOTO: Reprodução Facebook

Sindjors adere à campanha nacional pela imunização da categoria

No dia 13 de janeiro, o jornalista e radialista André Luiz de Oliveira, de 59 anos, faleceu em decorrência de complicações da Covid-19. O profissional trabalhava na locução e reportagem da rádio comunitária Montenegro FM, e estava internado no hospital de Florianópolis, em Santa Catarina, desde o dia 18 de dezembro, quando teve mal súbito após visitar a família no Estado vizinho.

Sindicatos buscam a inclusão dos profissionais
de imprensa no grupo prioritário de vacinação. FOTO: Arquivo/Jornal Ibiá

Ao longo dos anos, André criou laços de amizade e admiração com os colegas de profissão e também com a comunidade montenegrina. Assim como o caso de André, dezenas de jornalistas perderam a luta contra a Covid-19 no Brasil. Incontáveis profissionais foram contaminados. Segundo o levantamento feito pela Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), o Brasil é o país com o maior número de jornalistas mortos por conta do coronavírus em todo o mundo.

Os dados do dossiê “Jornalistas vitimados por Covid-19”, referentes ao primeiro trimestre de 2021, apontam que 169 jornalistas morreram entre abril de 2020 e março de 2021. O dossiê também mostra que, em três meses de 2021, o número de mortes supera todo o ano de 2020, quando foram registradas 78 mortes de abril a dezembro. Este ano, são 86 vítimas, percentual 8,6% maior que no total de 2020.

Entretanto, esses dados são uma “ponta” do problema, uma vez que não existe um mecanismo oficial de registro de casos (a pesquisa foi feita a partir de publicações na mídia e denúncias). Segundo a presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do RS (Sindjors), Vera Daisy Barcellos Costa, no Rio Grande do Sul a dificuldade para monitorar é a mesma, mas há nove casos denunciados de óbitos. “É lamentável por si só, mas ainda mais entristecedor é saber que, também, é resultado de uma necropolítica do atual Governo Federal, que condenou a população do país à morte. Isso é comprovado na CPI da Covid, com o depoimento do CEO da Pfizer na América Latina, Carlos Murillo, afirmando que o Governo Federal ignorou três ofertas para compra de vacinas, em 2020. Bastava assinar um deles e teríamos recebido cerca de 18,5 milhões de doses, até setembro deste ano, de acordo com o depoimento dele”, diz Vera.

Sindjors luta pela vacinação dos profissionais
Durante a pandemia algumas empresas adotaram o critério de home-office para jornalistas com mais de 60 anos ou com comorbidades. Porém, grande parte dos profissionais está na linha de frente, participando de coberturas e checando informações em todos os locais necessários, e mesmo com o uso de máscara, correndo o risco de se contaminar e, inclusive, morrer. Mesmo mantendo contado com várias pessoas os jornalistas não estão entre as categorias prioritárias para vacinação.

A favor da inclusão da classe no grupo prioritário, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul (Sindjors) aderiu à campanha promovida pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) “Essencial é a informação!”. Segundo a presidente do Sindijors, essa é mais uma das ações feitas em prol da segurança dos profissionais. “Desde o início da pandemia temos nos debruçado sobre as possibilidades de prevenção, testes e vacinação”, fala.

Por duas vezes o Sindicato enviou ofícios às secretarias de Saúde do Estado – em janeiro e abril de 2021 – para que os profissionais que atuam em campo sejam inclusos no grupo prioritário. “Mandamos ofícios que foram respondidos negativamente, com a mesma justificativa: que Estado e município estavam seguindo o calendário nacional de vacinação e, por isso, nós os enviamos mais de uma vez, tentando pressionar estas esferas públicas a nos atender. A partir disso, resolvemos abraçar campanhas junto à federação e outras entidades representativas da imprensa”, explica.

Segundo ela, o Sindicato segue atento à movimentação dos governos em relação à vacinação e segue pressionando, por meio de presença em campanhas e renovando as solicitações por ofício. “Nossas e nossos colegas estão nas ruas, hospitais, postos de saúde, cobrindo a pandemia, realizando seu trabalho e correndo riscos de contaminação a todo instante. É fundamental que sejamos imunizados para cumprir com nossa missão de informar. Não é dentro de casa que está a notícia, ela está nas ruas, precisa de checagem. E o jornalista precisa estar protegido. Encerro com uma frase que gosto muito, lembrada pelo colega Cláudio Brito, numa live do Sindjors, no Dia do Jornalista: não existe uma democracia sem jornalismo; e não existe jornalismo sem jornalista”, completa Vera Daisy.

Deixe seu comentário