Foto: Reprodução Internet

Moradores do leste da Ásia precisaram se adaptar ao vírus, e isso deixou marcas no DNA da população atual

Há 20 mil anos, uma epidemia de coronavírus ocorreu no Leste Asiático — região que compreende China, Japão, Vietnã, Mongólia, Coreia do Norte, Coreia do Sul e Taiwan. Isso é o que aponta um estudo realizado por pesquisadores da Universidade do Arizona, nos Estados Unidos, e da Universidade de Adelaide, na Austrália, e publicado na revista científica Current Biology.

Para chegar até este resultado, a pesquisa comparou o DNA de mais de 2,5 mil pessoas pertencentes a 26 populações ao redor do mundo. A análise foi feita com base nos genomas do Projeto 1000 Genomes — o maior banco de dados públicos de variações genéticas humanas comuns. Com isso, os cientistas verificaram que populações do leste da Ásia, possuem uma versão dominante de 42 dos genes relacionados aos coronavírus.

Também foi estimado quando esses genes se tornaram dominantes na população. Com o passar das gerações, é normal que os genes humanos sofram mutações aleatórias inofensivas. Através dessas mutações, os pesquisadores analisam e é possível prever há quanto tempo um determinado gene foi introduzido na linhagem. De acordo com os cientistas, os 42 genes tinham aproximadamente o mesmo número de mutações. Isso significa que eles evoluíram na mesma época, que foi estimada entre 25 e 20 mil anos atrás.
Entretanto essas mutações nos genes não foram observadas nas populações da América ou Europa, por exemplo. Desse modo, a epidemia provavelmente ficou restrita à Ásia. Mas segundo a pesquisa isso não quer dizer que a população do leste asiático é mais resistente ao coronavírus atual.

A conclusão foi que, no decorrer da epidemia, a seleção natural favoreceu genes que se adaptaram à doença, o que provavelmente levou a efeitos menos severos. Além disso, outro desdobramento importante do estudo é a capacidade de identificar os vírus que causaram essa epidemia no passado distante e os que podem fazê-lo no futuro. Assim, isso permitiria compilar uma lista de vírus potencialmente perigosos e desenvolver diagnósticos, vacinas e medicamentos para o caso de seu retorno.

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