Por volta das 18h20min, as três primeiras pessoas foram vacinadas em Montenegro

Ato simbólico no início da noite de terça vacinou três profissionais de saúde

Momento histórico! Montenegro iniciou, oficialmente, a vacinação contra a Covid-19. As três primeiras doses foram aplicadas no Município às 18h20min dessa terça-feira, 19 de janeiro de 2021. O ato, primeiro passo em prol da imunização da população e da volta à normalidade após meses de pandemia, foi marcado por muita emoção.

“Isso, pra nós, significa o recomeço, significa vida novamente”, comemorou a secretária municipal de Saúde, Cristina Reinheimer que, desde o início da pandemia, lidera a equipe de atenção básica do Município no enfrentamento da doença. “Tendo vindo as primeiras doses, agora, com frequência, a gente receberá mais e conseguiremos atingir todo o público de Montenegro com calma e tranquilidade.”

Assim como todos os municípios do país, a cidade recebeu (algumas prefeituras ainda estão por receber) quantidade de doses prontas proporcional ao grupo prioritário dessa primeira fase: 533 doses da CoronaVac, vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com o laboratório Sinovac.

As doses chegaram ao Município por volta das 17h30min na secretaria municipal de Saúde, no bairro Timbaúva. Foi um veículo da pasta que foi até a Coordenadoria Regional de Saúde, em Porto Alegre, buscar os imunizantes; escoltado pela Guarda Municipal. Ele foi recebido com uma emocionante salva de palmas. “Eu to muito feliz por ter essa honra de trazer as vacinas para Montenegro”, comemorou o motorista Airton Khum, que dedicou 21, de seus 55 anos de vida, à secretaria de Saúde de Montenegro. “Estou muito realizado.”

Motorista Airton Khum trouxe as doses a cidade

Das 533 unidades da CoronaVac, 200 doses serão destinadas a profissionais de saúde que atuam diretamente no enfrentamento da pandemia de Covid-19 dentro da secretaria de Saúde, do Hospital Montenegro 100% SUS e do Hospital Unimed Vale do Caí. “Vamos priorizar essas pessoas que trabalham na linha de frente e que colocam sua vida em risco praticamente todos os dias”, pontuou a secretária Cristina.

Todas as demais doses vão ser aplicadas em idosos que vivem em Instituições de Longa Permanência da cidade e nos profissionais que trabalham nesses locais. A equipe encarregada da imunização em Montenegro definiu que a aplicação, para os dois grupos, será realizada de modo volante, ou seja, uma equipe se deslocará até o local onde está a pessoa que será vacinada.

Vacinas foram recebidas com palmas

Três profissionais da Saúde foram as primeiras
Catiuscia Mafra, de 36 anos, foi a primeira vacinada em Montenegro. Ela é técnica de enfermagem na UTI Covid do Hospital Montenegro, onde trabalha há nove anos. Mãe de três filhos, já havia contraído e vencido a Covid-19 uma primeira vez. “É uma emoção forte. É uma esperança no fim do túnel”, disse, lembrando de tudo o que viveu dentro da UTI em meses de pandemia. “Envolveu muito o emocional, da gente ver o paciente ali. Move muito o psicológico da gente”. A pessoa curada do coronavírus após quatro semanas já está liberada para receber o imunizante.

Catiuscia Mafra é técnica de
enfermagem no Hospital Montenegro

Logo na sequência veio Luciana dos Santos, de 50 anos, técnica de enfermagem que trabalha na Tenda Covid da secretaria de Saúde desde dezembro, para ser vacinada. Ela trabalha, paralelamente, no Hospital Unimed Vale do Caí onde, desde março, é linha de frente no combate à pandemia. “É uma sensação única, uma luz saber que os outros também vão ser imunizados”, destacou, emocionada. “Não sei nem explicar o que realmente estou sentindo.” Luciana é casada, tem um casal de filhos e está prestes a ser avó.

Luciana dos Santos é técnica de enfermagem e atua na Tenda Covid da SMS

A terceira profissional de saúde vacinada no ato simbólico ocorrido na tarde dessa terça foi Daniele Luana Vieira, de 26 anos de idade. Casada, ela é enfermeira no setor de controle de infecção no Hospital Unimed Vale do Caí. “Pra mim, é muito gratificante representar a enfermagem aqui. Eu acredito no poder da vacina e que a gente vai superar isso”, comemorou.

Daniele Luana Vieira é enfermeira no Hospital Unimed Vale do Caí

A vacinação dos grupos prioritários definidos para essa fase já deve iniciar, efetivamente, nesta quarta-feira. A CoronaVac é aplicada em duas doses, num intervalo de cerca de 21 dias. As outras 533 doses desse lote de vacinas já estão reservadas junto do governo do Estado para serem aplicadas novamente nos que receberem a primeira dose, agora. Ainda não há previsão para início da aplicação da vacina nas demais pessoas. As próximas duas fases devem incluir idosos em geral com mais de 60 anos e pacientes com comorbidades, dois importantes grupos de risco da doença.

Veja mais imagens do ato que marcou o início da vacinação:

Cuidados continuam, alerta secretária de Saúde
Apesar do início da vacinação, ainda levará alguns meses até que a maior parte da população esteja imunizada contra a Covid-19. Por isso, as tradicionais medidas de prevenção devem continuar prevalecendo no dia a dia. Uso de máscaras, de álcool gel e o cuidado para não participar de aglomerações são algumas das precauções essenciais para o controle da doença. “Até a gente atingir 60% da população nessa vacinação, a gente vai ter que manter estes protocolos. Grande parte da população será vacinada, mas teremos que ter calma”, reforçou a secretária de Saúde, Cristina Reinheimer. A meta oficial é vacinar 90% da população montenegrina.

A vacina aplicada em Montenegro, assim como será em todo o país durante essa semana, é a CoronaVac, imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan em parceria com o laboratório chinês Sinovac. Sua eficácia geral é de 50,38%, o que significa que cerca de metade da população vacinada, caso venha a desenvolver a doença, terá apenas sintomas muito leves, que não precisam de atendimento médico. Além disso, o imunizante é 100% eficaz para impedir casos graves e moderados – aqueles que necessitam de UTI e hospitalização. A porcentagem é de 78% para evitar casos leves, os que precisam de atendimento ambulatorial. O imunizante se mostrou seguro, com efeitos adversos mínimos e já esperados de qualquer vacina (dor no braço, por exemplo).

A CoronaVac teve o uso emergencial aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no último domingo, dia 17, por unanimidade. Na mesma ocasião, também foi aprovado o uso da vacina de Oxford, que ainda não está disponível. Ela deve ser buscada na Índia nos próximos dias, segundo o Ministério da Saúde. A vacina é desenvolvida em parceria com a farmacêutica AstraZeneca e, no Brasil, é capitaneada pela Fiocruz. Neste caso, a proteção contra a Covid-19 foi de 62,1% para os voluntários que receberam duas doses completas do imunizante e subiu para 90% entre aqueles que receberam meia dose seguida de uma dose completa no intervalo de um mês. Nenhum dos voluntários imunizados apresentou quadro grave de Covid-19.

Pela região, euforia e frustração
De Coordenadoria Regional de Saúde diferente de Montenegro (de Caxias do Sul), Bom Princípio foi o primeiro município do Vale do Caí a aplicar a vacina. A escolhida foi a enfermeira Simone Aurora Bernardi, que atua na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Centro, onde recebeu a imunização por volta das 15 horas dessa terça-feira. Após receber o imunizante, Simone enfatizou que é de fundamental importância ter a vacina e assim poder enfrentar a doença. A opção pela profissional tem relação com a sua profissão e com o tempo de trabalho em Bom Princípio, sendo ela uma das com maior tempo de trabalho, atuando há nove anos na Saúde Pública da cidade.

A enfermeira Simone Bernardi foi a primeira vacinada no Vale do Caí. FOTO: PREFEITURA DE BOM PRINCÍPIO

Já nos municípios próximos – de menor porte e que, como Montenegro, pertencem à Coordenadoria de Porto Alegre – houve certa frustração. Ainda iniciava a tarde de ontem quando as prefeituras de Maratá, Pareci Novo, São José do Sul e Brochier confirmaram que, ao contrário do esperado, os imunizantes ainda não chegariam em suas sedes na terça-feira. A expectativa é que a busca pelas vacinas ocorra hoje.

Em contato com os demais gestores dentro da Coordenadoria Regional de Saúde, o secretário de Saúde de Pareci Novo, Rafael Soares de Souza, explica que houve uma priorização na distribuição das doses. Segundo ele, estão podendo retirar os imunizantes, na Capital, primeiro os municípios que possuem hospital com ala covid.

Em Brochier, a secretaria municipal de Saúde e Assistência Social estima que sejam 95 pessoas vacinadas nesse primeiro momento: 60 profissionais de saúde e 35 residentes de um asilo. Em Pareci Novo, a estimativa da secretaria municipal de Saúde e Assistência Social é de que em torno de 90 pessoas sejam imunizadas entre trabalhadores de saúde e idosos em ILP. A secretaria municipal de Saúde, Saneamento e Assistência Social de São José do Sul estima que sejam recebidas doses para que sejam vacinadas 82 pessoas do primeiro grupo prioritário da vacinação contra a Covid-19. Maratá não possui ILP, portanto a expectativa da secretaria municipal de Saúde é de que o Município receba doses para imunizar 70 profissionais da área da saúde.

A pandemia continua. Região soma 164 óbitos
A Prefeitura de São Sebastião do Caí confirmou nessa terça-feira, 19, 36 novos casos da Covid-19, acumulando 1.461 positivados, sendo 1.243 recuperados e 19 óbitos. A Prefeitura de Montenegro não divulgou boletim de casos do coronavírus até o fechamento desta matéria. Também foram confirmados novos casos em Brochier (3) e São Pedro da Serra (14). A região (Vale do Caí mais Triunfo) totaliza 11.416 positivados, sendo 9.687 recuperados e 164 óbitos. Com as 84 mortes causadas pelo coronavírus registradas nessa terça-feira, 19, pela Secretaria Estadual da Saúde, o RS ultrapassa a marca dos 10 mil óbitos. Ao todo, 10.051 pessoas já morreram vítimas da Covid-19 no Estado. Já o número de casos subiu para 512.343 desde o começo da pandemia, sendo que 4.374 foram registrados em 24h. Deste total, 485.422 (94%) estão recuperados e 16.817 (3,3%) seguem em acompanhamento. O país alcançou 211.511 óbitos desde o começo da pandemia.

 

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