Nunca dei muito trabalho a minha mãe. Dona Ju, poucas vezes teve que me aplicar alguma disciplina pelos meus atos de rebeldia e desobediência.
Fui daqueles filhos que a mãe raras vezes foi ao Polivalente chamada pelos professores. Quando íamos buscar as notas do semestre normalmente meu boletim eram só Bom e Muito Bom. Te mete.

Aliás, falando em Polivalente, encontrei dia desses o professor Lauri na fila do supermercado. Lauri foi meu professor de Educação física e me ensinou que “esporte é vida”. Professor Lauri disse que lê minhas colunas. Imagina o orgulho de ter alguém que lhe conheceu quando você era apenas um guri ranhento e cheio de sonhos, acompanhando seu trabalho e sua visão de mundo. Professor Lauri foi um dos meus mestres, junto com a Vera, o Adir Dapper, o Jaime e a Vera Zanchet, o saudoso Ivan, o inesquecivel Eron, os grandes Ney e Guinter, as belas Ana Maria e Liane Shuller, a eficiente Sonia, o casal Neusa e Moacir. Enfim, o Paulo Ribeiro Campos e todos os seus mestres ajudaram a moldar meu caráter e meu saber. Jamais os esqueço e sempre que os encontro faço questão de agradecer.

Então, na escola meus pais não tiveram com o que se preocupar comigo. Mas claro que toda criança precisa ser educada e orientada em casa para não cometer bobagens e obedecer certas regras. Tomar banho de sanga por exemplo como contei noutra coluna. Chegar tarde em casa. Outra “desobediência”. Foi essa que me rendeu um dos mais severos castigos que recebi na infância certa feita.

Sai para uma reunião dançante na garagem de um colega, morador do bairro Municipal, e tinha que estar de volta às 22hs, porém no alto dos meus 12 anos só retornei depois da meia noite. Até aí tudo bem porque só receberia uma carraspana do meu pai e tudo certo no outro dia. O problema é que no outro dia tínhamos jogo do nosso time de guris do GE Municipal contra um time da Vendinha. Lá em Vendinha. E eu era o goleador do time. Jogar futebol era nossa vida de criança.

Quando o pessoal foi me buscar em casa porque eu não chegara para pegar a Kombi, meu pai disse que eu não iria porque lhe desobedecera. E não fui.
Lembro até hoje da minha mãe me aguardando na porta de casa a meia noite batendo o pé no chão e dizendo: Vladimir, Vladimir,…te ajeita guri.

É mais ou menos isso que os líderes mundiais deveriam estar falando pro meu tocaio presidente da Rússia. O cara, em pleno século 20, bombardeando o país vizinho da Ucrânia. E esse cara está sentado sobre um dos maiores arsenais Nucleares. E ainda tem a senha e o login.Que cara maluco. É um genocídio (palavra tão na moda). Uma selvageria. Ganância. Crime que deveria ser punido com o isolamento mundial da Rússia e prisão perpétua pro seu Vladimir.

Eles deveriam se reunir, chamá-lo para um canto e dizer: Vem cá camarada, tu não sabe que as coisas não se resolvem mais desta forma? Tu vai para a Sibéria, ficar no cantinho do pensamento pra aprender a não fazer bobagem. E não adianta ficar Putin…

E se minha mãe tivesse viva ainda diria: Vladimir, Vladimir, merece uma bela tunda com vara de urtiga.

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