Antes da minha vida de petroquímico, onde trabalhei por 30 anos, tive vários empregos. Comecei no batente como um empreendedor individual, aos 10 anos, pintando sepulturas no Cemitério Municipal em dia de Finados. Ganhei muito dinheiro nesta atividade. Muito é maneira de dizer por que qualquer “nicla” para um guri de 10 anos é uma fortuna. Depois, aos 12 anos, cortei grama. Meu falecido pai comprou a duras penas, pois seu salário no Renner mal dava para sustentar os 6 filhos, uma máquina de cortar grama daquelas manuais que hoje, em época de bluetooth, é um item de museu.

Depois, aos 15 anos, meu primeiro serviço de carteira assinada: Viação Montenegro. Já escrevi sobre isso e o quanto aprendi nos três anos em que, junto com o motorista Hugo Almeida, fiz a linha Montenegro-Porto Alegre. Saindo da Viação, fui trabalhar na Shirley Calçados, ali ao lado do Grêmio Gaúcho. O calçado brasileiro fazia muito sucesso mundo afora e Jorge Lima e seu Maneca conheciam como poucos o mundo calçadista.

Chegamos então ao motivo do título desta coluna de hoje: o meu emprego num escritório onde fazia quase de tudo. De tirar nota a vender o produto. De dirigir a trabalhar de caseiro na casa do dono da empresa. Eu controlava as suas contas bancárias e atuava de babá do seu pequeno filho. Quer confiança maior do que deixar seu filho para um funcionário cuidar?

A confiança era tanta que ele deixava talões de cheques assinados e saía a viajar. Era uma relação baseada em muita confiança. Até meu último dia de serviço nesta empresa, da qual saí para trabalhar no Polo Petroquímico, retribuí a confiança depositada em mim com lealdade, profissionalismo e ética.
Quando a confiança é quebrada fica difícil juntar os cacos. Quando se confia em alguém e este trai nossa confiança, o retorno é dolorido. Gastaremos muita energia e dificilmente a relação voltará a ser igual. Isso vale para qualquer circunstância, inclusive na Política.

Quando um vereador grava uma conversa particular com o prefeito, ou mostra conversas e áudios trocados particularmente com um secretário ou servidor sem que este tenha autorizado ou mesmo soubesse disso, a relação de confiança resta quebrada.

Gravar e divulgar áudios e imagens de alguém sem autorização, até onde meus parcos conhecimentos jurídicos alcançam, é crime. Mesmo que não fosse mostra um traço de caráter nada aconselhável.

Os homens públicos devem ter sua vida as claras. Nada pode ser obscuro, mas conversas privadas em gabinetes ou mesas de café devem permanecer na privacidade dos interlocutores. A não ser que haja conhecimento e autorização para divulgação. Como diz o ditado popular, segredo entre duas pessoas não existe mas se queremos merecer confiança temos que dar mostras, com atitudes, que somos pessoas confiaveis. Que aquilo que prometemos numa conversa de whats up será cumprida, e mais que isso, será mantida na sagrada privacidade da confiança.

Procurar alguém com a ação premeditada de gravar a conversa para depois usar isso como chantagem ou barganha para algum proveito depõe contra qualquer pessoa, ainda mais se esta pessoa for alguém que deveria ser exemplo de ética e cumprimento de regras. Se descumpre uma regra basica de convivência fico pensando quais outras foram ou serão descumpridas.

Politica não é para amadores, mas até na Penitenciária existe mais ética do que em alguns corredores dos palácios de nossa cidade. Lamentável.

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