Falemos de futebol. O clube de futebol Atlético MG formou uma equipe a peso de ouro. Contratou o chileno Vargas, o argentino Nacho Fernandez e o brasileiro Hulk. Todos eles com salários altíssimos. Hulk pelas informações receberá um salário aproximado de R$ 1,5 milhão. A primeira vista parece um absurdo. E é.

Analisemos agora o custo-beneficio destas contratações. Muito provavelmente o Atlético MG será campeão este ano, nas competições que participa. A exposição da marca dos patrocinadores, os prêmios e a valorização do elenco serão maiores que os valores investidos. Estes jogadores se pagam. Hulk será decisivo e resolverá muitas partidas para o Atlético. Então Hulk é barato. Caro é o André Balada que jogou no Grêmio por quase dois anos e fez meia dúzia de gols. Mesmo que ganhasse salário mínimo ainda assim seria caro pelo desempenho em campo. Hulk, Vargas e Nacho são baratos. Caro é o Luís Fernando que joga no Grêmio ou o Zé Gabriel que joga no Internacional. Quem dá resultado não deve ser mensurado por quanto custa, mas pelo que entrega. Geralmente o barato sai caro. O investimento mostra o tamanho de nossa ambição.

Isso me fez lembrar as criticas a construção das rótulas na RSC-287. A oposição raivosa, que teve oportunidade de resolver o problema desta travessia e nada fez, a não ser palanque eleitoral, acusa de ser cara a intervenção. Analisemos.

É caro salvar uma vida? Quanto custa o choro de uma mãe? Você amigo leitor, que teve algum parente ou conhecido acidentado ali, concorda que aguardemos mais 10 anos até o Estado atuar neste trecho?
Os doutores de Facebook, que não sabem o valor de π (PI), ou calcular a área de uma circunferência, querem contestar um trabalho de engenharia. Acusam sem conhecer todos os detalhes. Deveriam unir-se ao executivo e não atrapalhar sugerindo gambiarras. Não serão apenas duas rótulas, pois existe todo um entorno que contempla o projeto. Serão quatro vias asfaltadas desde o posto Ipiranga até a Taqi, mais drenagem pluvial, bocas de lobo, Sinalização horizontal e vertical, projeto elétrico e de fibra ótica ao lo ngo da via, além claro, das duas rótulas e dos acessos ao bairro Santo António. O trecho tem 1,2 km de extensão, multiplique por 4 e teremos quase 5km de asfaltamento.

Agora vamos aos números. São aproximadamente 1250 veículos por hora no sentido Montenegro-Portão. No mesmo intervalo outros 1224 trafegam no sentido Montenegro-Lajeado. Certamente este número seria maior se as escolas estivessem funcionando normalmente. Nos últimos 10 anos foram 476 acidentes no trecho que corta o perímetro urbano da RSC287. Uma média de quase 50 acidentes por ano. Desses, 51% resultaram em algum dano e até mesmo morte. Quanto custou tudo isso? Se houvessem rótulas quantas vidas destas seriam salvas? Quem é contra que responda se souber.

Sempre achei uma vergonha a condição destas travessias. Nunca foi dada a devida importância para este problema. É carro demais para uma rodovia simples. Só quem perde diariamente meia hora ou mais para atravessar, correndo risco de acidente sabe que é preciso intervir ali para resolver. Necessitava decisão e se temos condição, julgamos positivo fazer logo do que aguardar uma duvidosa intervenção estadual. Algo que aguardamos há 30 anos mesmo que tivéssemos representante na Assembleia Legislativa neste período.

A construção das rótulas não é cara. Uma única vida salva já terá pagado todo investimento. Caro talvez tenha sido poder resolver um problema crônico e não ter feito nada. Ah, o valor de PI é 3,14.

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