Semana passada fiz um retorno aos melhores anos da minha vida. Estive visitando a Escola Paulo Ribeiro Campos, o Polivalente. Foi para acompanhar a entrega de emenda de 50 mil, feita pelo Deputado Airton Lima ao colégio da minha infância.

O valor primeiramente era para a recomposição da fiação elétrica que fora furtada. Como o conserto já foi feito, a importância servirá para outros equipamentos e material de consumo conforme a necessidade da instituição.

Ao adentrar pelo portão da escola, minha mente voltou aos anos 70 quando eu era apenas um adolescente com cabelo cascão sentado na classe da Quinta A. Visitei as antigas salas de Técnicas Agrícolas, Técnicas Industriais, Técnicas Comerciais e Biblioteca. Aliás, era por isso que estas escolas eram chamadas de “Polivalente” porque a proposta era ao longo do Ensino Médio preparar o aluno com tudo aquilo que o mercado exigia já na grade curricular das diversas séries.

Passei também pela sala do Grêmio Estudantil Timbaúva, o primeiro do colégio e ao qual fui da diretoria juntamente com o Timotheo Esmerio Machado, o Pedro Delmar e o Serginho. Iniciava ali meu interesse pela política e a vontade de trabalhar para que a vida das pessoas, no caso aqui, os alunos fosse melhor.

Nessa época imprimíamos no mimeografo o Jornalzinho com informações e entretenimento contando a história do dia a dia no Polivalente. Nossa mentora e orientadora era a profe Neusa de OSPB (pesquisem o que quer dizer esta sigla).

Óbvio que nenhum dos meus professores ainda estaria no Polivalente, mas não os esqueço, e eles passearam comigo neste dia pelos corredores da escola. Pude ouvir o Jaime Zanchet dando aulas de História. Enxerguei o Ivan de Matemática com um cigarro entre os dedos na porta de uma sala. Ouvi os gritos do Adir e do Lauri no campo de futebol colocando os alunos a fazer o “circuito”. Juro que vi os professores Nei e Guinter na sala de Técnicas Agrícolas ensinando as melhores práticas do agro. Sussurraram no meu ouvido com lições o Heron, a Sónia, a Liane Shuller, o Moacir, o Gilberto, a Hilda, as Veras.

Já escrevi várias vezes sobre isso e não deixarei de escrever e reconhecer o valor e a importância dos professores na minha formação tanto intelectual quanto como ser humano. Tive oportunidade de dizer isso a alguns que ainda encontro pela cidade. Já disse para o Lauri e dia desses ao encontrar a professora Ielva, minha eterna profe de religião, fiz questão de cumprimentá-la e relembrar da sua importância na minha vida.

Por isso fico triste quando ouço e leio professores da rede municipal me chamando de burro, de incompetente, de intransigente. Que não dou valor ao magistério. Que queremos “acabar” com o plano de carreira. Que não valorizo a educação.

Ou quando ouço que “o prefeito que resolva, ele que está na cadeira”. Será esse o diálogo que foi proposto?

Felizmente essas atitudes são de uma minoria e uma boa parcela do magistério municipal entende a dificuldade de chegarmos a um consenso e sempre tratou com respeito e deu a importância que o tema exige, sabendo que a decisão não é fácil e pode impactar o futuro. Valorização da educação passa por melhores salários, mas não apenas por isso e é uma das propostas na discussão do novo plano de carreira do Magistério.

Tenho maior carinho e respeito pelos meus mestres, acho que professores e educadores devem ser valorizados, e ainda acredito que chegaremos num acordo que contemple tanto o interesse do magistério quanto da administração.

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