Dizem alguns crédulos que o universo conspira por aquilo que a gente deseja. Confesso-me primitivo demais e não consigo conceber matéria – estrelas e buracos negros -associando-se para tramar a favor de alguém. Mas, dizem que é assim.

Em todos os casos, é preciso que o sujeito sonhe com, deseje muito o seu objetivo. Senão, o universo não move uma palha sequer para ajudar. Penso, então, que é aí que temos que trabalhar.

O que me faz pensar que minha incredulidade possa ter alguma razão quanto às virtudes conspiratórias do cosmo, é que Kadu não tinha como projeto de vida ser prefeito. Foi um acidente.

Convidado por Paulo Azeredo para fazer parte de seu gabinete, Kadu Müller estreou na vida pública sem outras pretensões imediatas. Pensou estar encerrando o que seria uma carreira fugaz como casamento de artistas, quando Azeredo perdeu o cargo, julgado pela Câmara de Vereadores em inédito processo de impeachment. Aldana assumiu e Kadu o procurou, colocando o cargo que ocupava à disposição.Aldana, polida e politicamente, alegou confiança em Kadu, e que este deveria permanecer no novo governo. Ficou.

Os meses restantes do governo Aldana serviram para que Kadu demonstrasse algum traquejo na gestão pública, despertando olhares cobiçosos de partidos que montavam suas chapas para as eleições de 2016. Por gratidão a Aldana, disse-me em entrevista, optou por juntar-se como candidato a vice-prefeito pela coligação Montenegro de Todos.

Esta coligação, uma vez eleita, fez do despretensioso Carlos Eduardo um potencial prefeito acidental. A cidade vivia uma pandemia causada pelo impeachment vírus, que já fizera uma vítima, não chorada pelo William Bonner. Havia razões para se acreditar que uma segunda onda estava por vir, e veio. O respeitável Partido Socialista Brasileiro fora infectado por micróbios alienígenas, que provocaram na Administração a doença que os órgãos de fiscalização e investigação classificaram como “organização criminosa”.

A partir do afastamento cautelar do prefeito por 180 dias, o vice Kadu Müller assumiu o Rio Branco interinamente. Às vezes, me traio pensando no universo e suas coisas…

Definitivamente tornou-se prefeito quando, em meio ao afastamento, Aldana sofreu impeachment. Sobraria algum perdigoto contaminado que atingisse Kadu? Parece que não. Como em uma frigideira teflonada, nada adere em Kadu.

Kadu é pragmático e não espera o universo agir. Trocou seu anêmico Solidariedade pelo forçudo PP. Está em pré-campanha, buscando apoios e alianças. Fez-se referência regional no combate à epidemia de Covid-19. Aumentou sua popularidade, mesmo sob intenso balaceiro das oposições pré-candidatas.
Kadu, agora, quer ser prefeito. Deseja muito. Esta é a condição para que o universo conspire a seu favor.

Percivais, Gustavos e outros, também têm o mesmo desejo intenso.
O universo, tal qual nós, eleitores, também terá que escolher a favor de quem conspirar.

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