Há coisas as quais tentamos evitar, mas tal é a disseminação entre a sociedade, que dificilmente sairemos ilesos. A pandemia, por exemplo. Provocada por agente que não podemos enxergar, por mais cuidados que tomemos, um dia vamos nos infectar. A gravidade e as sequelas dependerão da saúde do hospedeiro e, especula a Ciência, de alguma predeterminação genética.

A cada nova onda pandêmica, sabemos a quem culpar. O presidente, o governador, o prefeito. Nunca o vírus, nunca nós mesmos.
Há um outro fenômeno que contamina os desavisados e serve, quem sabe, para os avisados o tomarem como metáfora das nossas pequenezas. É o surto que se nos abate anualmente, chamado tecnicamente de Big Brother Brasil, doravante, para nós e para os íntimos, BBB.

A coisa se agarra ao nosso inconsciente como titica de galinha em tamanco de pau. Quando nos apercebemos, estamos discutindo a vida e a obra dos “brothers and sisters”.
O BBB procura emular um experimento social em que pessoas desconhecidas entre si convivam, por algum tempo, dentro de uma casa de onde só saem quando eliminados pelo fuzilamento no paredão pelo telespectadores e internautas.

Pesquisas científicas já provaram que empatia e solidariedade são características biológicas e não culturais, quando testaram ratos. Um rato era confinado em uma gaiola e, 23 de 30 roedores, aprendiam a abrir a gaiola para liberar o outro rato. Quando dentro da gaiola não havia rato, apenas brinquedos ou nada, os ratos não suspendiam esforço para abri-la. Quando em outra gaiola havia gotas de chocolate, guloseima preferida pelos roedores, o rato livre primeiro libertava o parceiro para só então dividirem a iguaria.

Os resultados indicam que outras espécies de animais desenvolveram instintos de ajudar seus pares, mesmo colocando-se em risco. Mas, eles, os animais, não competem por 1,5 milhão de Reais.

No BBB o que se vê são personas criadas para sobreviverem em uma sociedade que valoriza subcelebridades, adaptando-se e modificando-se como o novo coronavírus. Para sugar as células alheias que lhes permitem a reprodução e perenização, os brothers são altruístas e solidários até o limite de seus interesses pessoais.

Para Jung, “a persona é um complicado sistema de relação entre a consciência individual e a sociedade; é uma espécie de máscara destinada, por um lado, a produzir um detergente efeito sobre os outros e, por outro lado, a ocultar a verdadeira natureza do indivíduo”.

Karol Conká é uma rapper, ou seja, uma cantora de rap. Rap é um discurso rítmico com rimas e poesias, que surgiu no final do século XX entre as comunidades afrodescendentes nos Estados Unidos. É arte engajada. E foi desta persona que Karol se utilizou para se tornar uma artista famosa. Negra periférica, oriunda da sulista e gelada Curitiba, Karol Konká conquistou fama e dinheiro como mulher empoderada e feminista, militante pelos direitos milenarmente sonegados às mulheres, voz altissonante contra o machismo. Konká se desconstruiu. Caiu-lhe a máscara quando exposta sua intimidade.

Orgulhosa de ser quem pensa que é, a cantora maltratou um negro periférico e bissexual. Ameaçou-lhe de tortura psicológica e não o aceitou à mesa com ela. Humilhação, diz-se a este respeito.
Karol Conká vai ser fuzilada no paredão esta semana, dizem os críticos de TV.

Nem brothers suportam hipocrisia…..
PS: quando o Governador pintou o Rio Grande de vermelho e preto, percebi que o Inter não teria chance.

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