Como o Messias prenunciado nos antigos livros bíblicos, intensamente desejado por todas as nações para por fim ao mal, geral e total, e restituir a paz global, a vacina contra a Covid-19 passou a ser a grande esperança de que a vida possa voltar ao normal – ou ao novo normal, quem sabe?
Menos demorada que o surgimento do Messias, não só uma, mas várias vacinas foram desenvolvidas no lapso de um ano, eriçando os pelos dos afeitos às ditas teorias conspiratórias, para os quais sempre há verdades ocultas a explicar os fatos.

A verdade é que o mundo percebeu que cambaleia feito um bêbado. A Ciência e a Tecnologia nem sempre são capazes de prevenir o mal, talvez remediá-lo. Às vezes de forma rápida como agora.
As discussões em volta do surgimento do novo Coronavírus, se foi criado ou modificado em laboratórios e com que finalidade, se tornam menos importantes quando sabemos que é mesmo a obra humana que leva a natureza ao colapso, sacudindo a corda que mantém o equilibrista nas alturas.

Os vírus, inócuos em organismos selváticos, não vêm nos atacar na civilização. São trazidos por quem rouba o espaço natural dos seus hospedeiros, desmatando ou capturando-os para o prazeres exóticos como cativeiro ou alimentação não sanitária.

As vacinas que ora se nos apresentam, não são a panaceia para todos os males. São dedicadas ao novo Coronavírus. Quando o rebanho (somos rebanho!) todo estiver imunizado, reduzem-se drasticamente as transmissões e o microorganismo infeccioso tende a desaparecer. Entretanto, este é o mal momentoso e, tomara, o estamos derrotando. É a Covid-19 que nos está impedindo o ir e vir. Que nos dificulta a respiração, seja pela forma preventiva do uso de máscaras, seja pela efetiva infecção.

É a Covid que nos afasta e, nefasta, leva à força nossos velhos. A Covid precisa ser combatida, mesmo porque foi ela – a doença – que escancarou a síndrome da imunodeficiência adquirida do sistema de saúde e de como tecnocratas pagos pelos políticos preferem estádios de futebol públicos em meio ao nada do que hospitais e centros de pesquisas de referência. A nudez dos políticos foi exposta e se iniciou a politização da Saúde. Quem patrocinou Carnaval, minimizando o poder de transmissão exponencial do novo Corona, quer ser o primeiro a vacinar.

Quem desdenhou a pandemia nominando-a “gripezinha” (um famoso tele-médico também o fez, retratando-se depois), corre atrás do prejuízo eleitoral.
Dividiu-se a medicina, a religião, a filosofia, a geografia (muros sanitários foram erguidos entre países já unidos em blocos econômicos). Como em um grenal pré-pandemia, os fãs tomaram-sede assentos em lados opostos do estádio, no meio dos quais as torcidas organizadas se fanatizam e, não raramente, degeneram em paixão assassina suas preferências pessoais.

A desejada das nações chegou triunfal. Os governos se preparam para recebê-la e distribuí-la como se faz com o pão e o vinho na Santa Comunhão. O mal cessará. Mas, teimo em advertí-los, caros leitores. A vacina excita nossos anticorpos para atacarem o mal trazido pelo novo Coronavírus.
O desamor, a ganância, a egolatria, o ódio, as intolerâncias, os preconceitos, estes que matam mais que a Covid, continuarão matando.

Para estes males, tratamento precoce e preventivo é o amor pelo outro, como pregou o Messias.

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