Entre os principais significados da palavra, dois se destacam quando se trata do substantivo feminino Arte. O primeiro diz: “talento, contribuição própria da inteligência e da sensibilidade de um artista”. O segundo: “produção consciente de obras, formas ou objetos voltada para a concretização de um ideal de beleza e harmonia ou para a expressão da subjetividade humana”. Não tô inventando. Tá lá no Google, pode olhar. E se for olhar mesmo, me dá uma ajuda, porque eu tô lendo e relendo e ainda não consegui entender o alvoroço que deu a guria que se vestiu de infinito semana passada.

A guria em questão é a artista Lis Machado, que, por duas horas, representou a performance “Formas de vestir o infinito” na Praça Rui Barbosa. Ela ficou sentada, imóvel, coberta por capim. Foi o suficiente para causar as manifestações mais estapafúrdias nas redes sociais. O que, para ela, era uma viagem infinita dentro de si mesma, para outros foi motivo de chacota e colocações de ódio. Inclusive a pérola de que o que ela fazia não era Arte. Eu não vi a ação. Ouvi falar e quis entender o que aquilo significava. Então, fiz a coisa mais impensável e improvável que alguém que tem dúvida pode fazer. Eu perguntei.

Conversei com a Lis sobre a performance e ela gentilmente me explicou todo o processo que a levou até a Praça Rui Barbosa naquela tarde. Lis mora no interior de Triunfo e ao redor de sua casa, todos os dias, vê campos cobertos com palha. Para ela, a imensidão desses campos representa o infinito. Artista como é, se viu curiosa sobre como seria se apropriar do seu infinito e vesti-lo. E foi o que fez.

O simples fato de ela ter parado e pensado sobre a imagem que representa o seu entender de infinito já se encaixa na definição de Arte. Ter a ideia de vesti-lo e mostrar isso para as pessoas é de uma beleza tão grande e tão sutil que só os que são capazes de parar e pensar os seus próprios infinitos podem enxergar. Quem viu beleza no contato de Lis com seu infinito entende o significado de Arte. E quem não viu também. Como toda manifestação artística, essa dá o direito ao espectador de interpretar como quiser, de gostar ou não. Agora, quem se deu o trabalho de ir para as redes sociais menosprezar o artista e seu trabalho, definitivamente, não sabe o que é Arte. São pessoas que não veem e nem tentam ver seus infinitos. Para estes, resta a ignorância. E o dicionário.

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