Rodrigo Dias
Professor

Charles Darwin escreveu “A origem das espécies” e, no primeiro dia de sua publicação, em 24 de novembro de 1859, o livro esgotou-se. Como naturalista, realizou sua pesquisa a bordo do Beagle, entre 1831 e 1833; quando embarcou, tinha apenas 22 anos. Hoje, a obra de Darwin é considerada a base da biologia moderna.
A teoria de Darwin enfrentou, e enfrenta, muitas resistências, inclusive algumas pessoas acabam confundindo teoria com opinião e, muitas vezes, até com hipótese. Ao contrário, uma teoria é sustentada por evidências (provas). Portanto, a teoria contida em “A origem das espécies” é amplamente reconhecida nas universidades e centros de pesquisa do mundo, porque, por meio da pesquisa, o naturalista inglês comprovou e demonstrou os mecanismos que deram origem às espécies do nosso planeta. Ele elucidou o que era chamado, na época, como “mistério dos mistérios”.
A ciência e a religião diferem enormemente em termos de procedimento para alcançar seus objetivos: uma necessita de provas e a outra de fé. No entanto, essa diferença parece não bastar. Principalmente quando o mundo político mistura-se à religião. Quando esta fronteira é ultrapassada e governos fazem certas exigências à ciência, um sinal de perigo deve ser acionado.
O mundo contemporâneo vive um avanço brutal do que se chama fundamentalismo. O fundamentalismo é caracterizado pelo fato de que seus adeptos costumam fazer uma leitura literal do seu livro sagrado. Ou seja, quando grupos de cristãos, judeus ou islâmicos tentam viver exatamente como está escrito na Bíblia, Torá ou Corão, temos o fundamentalismo. Caro leitor, estes livros foram escritos há muito tempo; os dois primeiros na Idade Antiga, e o último durante a Idade Média. Épocas cuja cultura, moral, comportamentos e tecnologias eram muito diferentes. Não é mais possível viver como naqueles tempos, essas tentativas podem levar a fanatismos, intolerâncias e guerras. Também, é necessário reforçar que essas religiões citadas não são fundamentalistas por si só, mas apenas alguns grupos específicos. Até porque existem pessoas que fazem leituras contextualizadas destes livros sagrados.
Darwin, por exemplo, defrontou-se com o problema do tempo para desenvolver a sua pesquisa, já que, pelos cálculos bíblicos, a Terra teria cerca de seis mil anos. No entanto, o que ele viu, em sua viagem no Beagle pela América do Sul, em termos de distribuição dos seres orgânicos (no passado e no presente), era compatível com estudos geológicos publicados em 1830. Ou seja, o planeta era muito mais antigo do que se pensava. Se Darwin tivesse sido fundamentalista, não teria chegado às conclusões a que chegou acerca da seleção natural, a qual precisa ser entendida num período muito maior do que aquele previsto no Gênesis.
Por sua vez, o presidente da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), recentemente nomeado, sugere o criacionismo como abordagem educacional em contraponto à teoria da evolução. Se isso acontecer e o governo impor a sua religião sobre o conhecimento biológico produzido nas universidades e escolas, teremos sérias limitações científicas, extremamente prejudiciais ao desenvolvimento social brasileiro.

Deixe seu comentário