Foram poucos dias de ausência. Mas já abriram margem para uma saudade. E quando retornamos à cidade do coração, uma grande paz se alojou em nosso espírito, parecendo dizer: “De volta a casa!” Assim o será, quando formos, por Deus, chamados: um retorno à verdadeira morada! Nada há a temer, se seguirmos, compreendermos e vivenciarmos os ensinamentos de Jesus.

A saudade sentida nos faz perceber que a vida terrena é feita de idas e vindas. Uns partem em busca de sonhos; outros, simplesmente se vão. Nessas partidas, há sempre a esperança de um retorno, o que conforta. No entanto, a partida, aquela definitiva, faz o coração chorar e lastimar. Seria egoísmo? E a melancolia da canção ressoa em nós: “Quem parte leva saudade de alguém que fica chorando de dor…”, uma dor que lateja e aflige e que julgamos ser eterna.

Ele era assim: simples no viver; reservado nas aflições; espontâneo no convívio. Parecia feliz, embora desconhecêssemos que em si trazia grandes mágoas, dores que necessitava suportar, pois pertenciam ao corpo físico. Aceitara vir assim, para oportunizar mais rapidamente a reforma íntima. Parecia forte, justamente para disfarçar a fraqueza que o dominava. Havia uma amiga com quem tinha grande afinidade. Num domingo à tardinha, convidou-a para um passeio. Porque tinha compromisso, ela negou. E, naquele dia, atentou contra a própria vida.

Quantas vezes negamos um pedido de ajuda? Não de algo palpável, mas de ouvir com atenção, de falar a palavra certa, de incentivar a quem de nós se aproxima vacilante, a seguir? Quantas vezes não percebemos que quem nos rodeia e quem mais amamos, precisam de nós? Quantas vezes falamos sem dirigir o olhar aos nossos irmãos? E se o olhamos, não o vemos? Quantas vezes, presos aos interesses, desconhecemos a quem mais a nós se dedicou? Quantas vezes vamos nos deixar levar pelo egoísmo e orgulho?

No Evangelho segundo o Espiritismo, encontramos o chamado de Jesus, quando diz: “Meus filhos, na máxima: “Fora da caridade não há salvação, estão contidos os destinos dos homens na Terra e no céu; na Terra, porque à sombra desse estandarte eles viverão em paz; no céu, porque aqueles que a tiverem praticado encontrarão graça diante do Senhor.” Todos nós, num dia, partiremos da Terra em direção a uma morada na Espiritualidade. Uma partida que é certa. À medida que nos aproximamos de Deus, através da prece e da fé, também de estudo e leituras edificantes, com muito vagar, dependendo da evolução espiritual, compreendemos melhor as partidas que nos parecem definitivas. Nelas, a paz do “De volta a casa!”

Naquele final de tarde, de um longínquo domingo, uma nova chance por Deus concedida: nele, o despertar da perseverança, do amor e perdão; nela, uma transformação interior. Em ambos, um recomeçar, a compreensão da bondade e do amor infinito de Deus.

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