No passado, quando nos colégios havia uma disciplina denominada Religião, estudamos uma parábola onde Jesus dizia: “Deixai vir a mim as criancinhas…”. Ao ouvi-la, pensávamos: “Que bom ser criança! Delas, Jesus gosta!” Não lembrávamos que cresceríamos e as más tendências se revelariam. Do ensinamento da época, ficou a imagem de Jesus feliz rodeado pelos pequenos. Quando passamos a estudar a Doutrina Espírita, compreendemos o verdadeiro sentido que no Evangelho segundo o Espiritismo, assim se completam: “…, e não as impeçais, porque o reino dos céus é para aqueles que se lhes assemelham.” (Capítulo VIII, Bem-aventurados aqueles que têm puro o coração, item 2)

Foi, então, que a imagem dela surgiu e o som da máquina de costura ecoou forte, pedalando e pedalando, sem parar. No movimento constante, a persistência e a certeza da força para prosseguir. Onde as encontrava? Na fé e prece sussurrada. O som da máquina de costura soava como canção suave. Esperança e alívio. Mais um dia sem fome! Aquela senhora pequena, de sorriso triste, bondade no olhar, seguia e em Deus encontrava a coragem. No percurso terreno vivera revoluções, guerras e epidemia da gripe espanhola, além das dificuldades financeiras e escassez de recursos da época. Com humildade e simplicidade, prosseguia com fé.

Quando nela pensamos, percebemos que sua presença não foi um acaso. Deus a colocou no caminho como um anjo. Um exemplo a inspirar a reforma íntima. No som das pedaladas, a persistência; no sussurro da prece, o perdão, a força e a coragem; no olhar, a caridade e a humildade em prosseguir. Jamais dela ouvimos um lamento. A fé falava mais alto.

Nada é acaso! Somos um pouco aqueles a quem amamos ou, simplesmente, admiramos. Lentamente, nos modificamos e voltamos o olhar para os sentimentos mais puros. Na modificação, uma vivência sofrida. Por trás dela, uma razão mais forte. Na maioria das vezes, não a entendemos, mas acabamos por aceitá-la. E assim, dia após dia, até que num longínquo ainda dia, atingimos a pureza de coração. Num dia, muito distante!
E quem são as criancinhas? Talvez uma delas, fosse ela, 90 anos, brincando de pedalar a máquina de costura, num som que falava Amor. E as outras, quem serão?

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