Pessoas comuns são capazes de permanecer entre dois e três minutos sem ar. Depois disso, a falta de oxigênio no cérebro provoca desmaios, numa espécie de mecanismo de defesa, para que voltemos a respirar espontaneamente.
Todos passamos por situações de tirar o fôlego, desafiadoras, forçando um mergulho em nós mesmos, como uma forma de defesa também. Quando não suportamos os barulhos do mundo, dentro é um lugar seguro, silencioso como uma concha, um abraço. Quando nos propomos a olhar para dentro, à interiozação, é grande a possibilidade de superarmos o que nos aflige.
Há sempre algo nos sufocando: um trabalho a ser feito, uma resposta, um contato. Há sempre decisões a tomar, e algo a perder.
Há, também, milhares de livros por ler e um infinito de palavras por dizer. Ideias, sentimentos e dúvidas. Fugas.
Mergulhos prolongados sufocam, mesmo quando necessidade, quando na alma. Mesmo quando são tão acolhedores quanto o útero da mãe. E é sempre preciso nascer de novo.
Meu mergulho tem sido a escrita; nos últimos quatro anos estou imersa nesse processo de reflexão, de busca e transformação, trazendo à tona cotidianos emoções. Chegou, porém, o momento de respirar além dos sentimentos que me afogam. Além da caneta.
Sócrates pautou sua existência  na inscrição na entrada do templo de Delfos: “Conhece-te a ti mesmo.” Nesses tempos em que todo mundo acredita que conhece tudo, mais do que nunca, é importante buscar aquilo que se é, a sua essência.
No momento preciso de águas mais rasas. Recuperar o fôlego. Um breve desmaio que seja, para, então, submergir outra vez.

Até breve!

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