Azia. Meu salário. Sem ti, solidão. Exílio. Vertigem. Saúde, educação, segurança, habitação e saneamento; ausência de tudo isso. Privação. A fome. 41 mil toneladas de alimentos desperdiçados por ano no Brasil. O lixo da minha cozinha. Nossas perdas diárias. Fim de semana de chuva. Em casa. Na serra; na praia. Engarrafamento. Lotação. Apertos. Conta estourada. Indigestão. Ganhar peso. Estrias. Rugas. Cabelos brancos. Fios enrolados. Tomadas. A bateria do celular. Chuveiro queimado. Falta de resistência. Trocar a bateria do relógio. O tempo é curto. Insônia. O cansaço exacerbado. O sono induzido. Excessos. Não sobra nada pro lazer: nem um minuto, nem um tostão. A conta da luz. Falta pilha. Passar roupa. Muito pouca paciência. Intolerância. Gente interesseira. Desinteresse. Riso forçado, mau humor. Impertinência. Rispidez. Acidez. Ácido, e outras drogas. Distúrbios e vícios. Obviedades. Flatulência. Saco cheio; vazio existencial. Bolso rasgado. Uma nova crise. Pedra nos rins. A casa da moeda. Salário de jogador. O seu salário. Centavo nenhum. Ânsia. Muito lucro; nenhuma solidariedade. Consumismo. Hoje mulher não paga. Quanto? Estupros. Violações. Roubos, arroubos. Arrombamento, rompimento. Amortecimento. Cadê a arte? Que fim levou a infância? Tema de casa e lição de moral. Bilhete de trem esquecido. Perder o rascunho; passar a limpo. Mania de limpeza. Bactérias, química e genocídio. Vírus. Armas, bombas e palavras. Engasgar. Sufocar. Envenenamos nosso ar; o solo, aquilo que comemos. Depredamos florestas, dizimamos espécies. Matamos o planeta onde vivemos, procuramos outras galáxias pra explorar. Carências: casa, lar. Teto. Oi? Auxílio-moradia. Lei de Murphy; leis, leis, leis. Sem sentido, ignoradas. Esquecimento. Ilegalidade e cegueira generalizada. Vistas grossas. Colapso. Náuseas. A falta de salário. Cent’s. O dólar subiu; a bolsa caiu. Cair na real; cair de joelhos. Correntes de orações. Romaria. Filas enormes. Promessas não cumpridas. Santa ignorância! Todo o tipo de mentira. Culpas e delitos. Ilícito. Negociatas, manipulação e especulação. Nossos governantes. O salário deles. Sente? Haja estômago.
Crônica do livro Caio em Mim, Santa Sede-Master Class 2018.

Deixe seu comentário