Eu queria ver o mar. Queria escrever sobre o mar. Sobre a orla. Ressacas e marés. Impermanências. Sobre ser um grão de areia; ser estrela e pertencer ao mar. Cavalos-marinhos, espumas e corpos salinos. Um mar poema de Vinícius; um mar com mais meninos do que ondas.
São tantos mares: dos pescadores, das sereias e das flores de todos os santos. Dos poetas, que é o mar onde eu escolhi viver. Todos os oceanos são apenas um só, sem nascente, sem destino. Embrionário de todos os lugares-comuns; imensidões e infinitos. Assim, assim, o meu lugar.
Essa mesma água que banha o meu corpo atravessa o continente, leva um pouco de mim mais longe. Essa água é que me acrescenta histórias, onde deposito meus sonhos. Mar pra emoldurar as conversas, os silêncios ao lado de, pra deitar a cabeça no ombro; assistir ao tempo espraiando e a noite chegar. Serenar no espelho que reflete as noites, berço da lua e das melhores histórias que vivi. Murmuram as ondas, quebrando lembranças aos meus pés.
Reverbera dentro da gente. Redemoinhos e cheiros. O mar singrando meus pensamentos longínquos. Fecho meus livros e abro as janelas pra viver os desvarios que escrevo.
Um dia vou embora pra um lugar que já nem sei, em frente ao mar. Quase fecho os olhos pra enxergar. Um cruzeiro; o mar invadindo meu céu. Hora de dormir, talvez seja hora de sonhar: dunas e ventanias.
Bem que eu queria escrever mais sobre todas essas coisas, mas agora é o mar quem me escreve. Desenha na areia. Manda dizer que sente saudades…

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