Sexta-feira, 26 de outubro, 20h. O espetáculo iniciou pontualmente com aqueles costumeiros cinco minutos de tolerância.
Chovia muito naquela noite. O suficiente para que eu tivesse que tirar as botas do armário em plena primavera, mas não o bastante para impedir a comunidade da Rua Nova de prestigiar a culminância de um projeto tão bonito, que aproximou suas crianças da literatura e do teatro.
Conheci a EMEF Etelvino de Araújo Cruz através da professora Rita de Cássia Fischer, quando, há alguns anos atrás, engenhamos um intercâmbio entre as nossas escolas, justamente envolvendo teatro e literatura. Mais tarde, ainda, através da minha tímida participação em seus saraus e oficinas literárias, até a participação neste projeto. A Rita já está lecionando, tendo ideias malucas e maravilhosas, e, com elas, construindo uma educação melhor em outra escola. O diretor da Etelvino hoje é o Rodrigo Teixeira Fernandes, meu amigo lá da infância e parceiro nessa luta que é levar, não só educação, mas cultura e dignidade para dentro da escola. É bonito de ver como tudo tem um tempo certo na vida da gente: aproximações, reencontros.
Há um tempo certo para a gente crescer, para sofrer. Para conquistas, lágrimas e sorrisos. Para semear aquilo que iremos colher ao longo da vida. E, digo com certeza, que bela semeadura essa do Cássio Azeredo! E que belo trabalho dos alunos!
Há um tempo para falar, mas hoje em dia o meu tempo é mais o de ouvir. Expectadora, como fui naquela noite chuvosa, atenta à culminância do projeto alavancado pela ONG Moradia e Cidadania, dos funcionários da Caixa Federal. O projeto foi idealizado pelo Pedro Stiehl, a quem admiro, não só pelo que escreve, mas, também, devido a tudo o que ele arquiteta no campo da cultura.
O espetáculo foi especialmente emocionante a mim, construído pelos alunos a partir da leitura do Caixa Preta. E porque sempre é tempo de um projeto como este chegar às comunidades sejam no interior, na cidade. Seja abaixo de chuva.
Naquela noite os pingos ruidavam no telhado de zinco do ginásio da Etelvino, e mal conseguíamos nos falar. Nossa maior preocupação era com a acústica da peça. Mas o tempo estava do nosso lado, e até a chuva parou para assistir. Na hora certa!

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